Uma juíza federal em Miami decidiu nesta quarta-feira (9) que os irmãos influenciadores da machosfera Andrew e Tristan Tate representam risco de fuga e continuarão presos enquanto contestam a extradição para o Reino Unido, onde enfrentam acusações de estupro e tráfico sexual. A decisão, embora esperada, foi mais um revés para os Tate, influenciadores conhecidos pela misoginia e por defenderem a hipermasculinidade. Os irmãos, cidadãos britânicos e americanos, enriqueceram vendendo pornografia online e cursos de autoajuda sobre boa forma, dinheiro e relacionamentos voltados para homens. A juíza Lauren Louis não se convenceu com os argumentos dos Tate, que depuseram durante uma audiência de custódia no mês passado. Eles insistiram que precisavam ser libertados do regime próximo ao confinamento solitário em um centro federal de detenção de Miami para ajudar seus advogados a contestar as acusações contra eles. Eles negam reiteradamente as acusações. Em uma decisão de 30 páginas publicada na quarta-feira, a juíza Lauren Louis escreveu que, mesmo que a riqueza que eles ostentam online tenha sido exagerada, "eles possuem uma capacidade excepcional de fugir da jurisdição". Ela também escreveu que eles não têm vínculos com Miami e que a maior parte da família vive no exterior, em Dubai e na Romênia, o que aumenta o risco de fuga. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo Nos últimos anos, os Tate passaram a enfrentar um escrutínio jurídico cada vez maior na Romênia e no Reino Unido, onde promotores pediram aos EUA que os extraditassem por novas acusações envolvendo quatro vítimas. Agentes federais prenderam os irmãos em 18 de julho, do lado de fora de um evento de boxe sem luvas no centro de Miami. O tribunal de Miami ainda não marcou uma data para a audiência de extradição. O governo britânico tem até 16 de setembro para fornecer às autoridades americanas a documentação relativa às acusações contra os Tate. Em um comunicado divulgado na quarta-feira, os Tate defenderam que são inocentes de todas as acusações contra eles. "Eles agora enfrentam uma situação extraordinária, na qual estão detidos a milhares de quilômetros da Romênia enquanto os processos romenos prosseguem, os prazos se aproximam, uma nova denúncia estaria prestes a ser apresentada e o próprio advogado deles na Romênia afirma não conseguir se preparar adequadamente", disse um porta-voz em comunicado. Os irmãos enfrentam problemas jurídicos desde que foram presos na Romênia, em 2022, sob acusações de tráfico de pessoas, entre outros crimes graves. No início deste mês, promotores romenos anunciaram uma nova denúncia contra os irmãos na investigação iniciada no fim de 2024. Eles acusaram Andrew Tate de aliciar uma menina de 15 anos em 2012, hospedá-la no Reino Unido e na Romênia e explorá-la financeiramente por meio de conteúdo pornográfico transmitido por webcam. Acusaram Tristan Tate de cumplicidade em tráfico sexual e disseram que os irmãos ganharam mais de US$ 1,2 milhão com a exploração da adolescente. Andrew Tate também é acusado de ter mantido relações sexuais com outra adolescente de 15 anos. Em 2024, as autoridades britânicas acusaram os irmãos de estupro, agressão e tráfico de pessoas. Um tribunal romeno concordou em extraditá-los para o Reino Unido, mas somente após a conclusão dos processos contra eles na Romênia. Ao todo, os Tate enfrentam acusações envolvendo sete vítimas no Reino Unido, segundo os promotores. Em um documento apresentado ao tribunal, o governo descreveu em detalhes explícitos acusações de que os irmãos estrangulavam mulheres, às vezes até que elas desmaiassem, antes de estuprá-las. Seus advogados no sul da Flórida descreveram o processo contra os Tate como político, descreveram que as condições de detenção como "desumanas" e argumentaram perante o tribunal que a "extraordinária notoriedade e facilidade de reconhecimento" dos irmãos tornariam praticamente impossível sair furtivamente dos EUA. Em 2025, promotores romenos concederam aos irmãos permissão para viajar ao exterior, depois de terem argumentado anteriormente que eles representavam perigo à sociedade e risco de fuga. O apoio de integrantes do governo Trump desempenhou um papel crucial, segundo uma investigação do New York Times. Promotores americanos também observaram que Andrew Tate havia se vangloriado de possuir vários passaportes e de sua capacidade de escapar das autoridades. E alertaram que a suposta riqueza dos irmãos —incluindo jatos particulares, iates e carros esportivos— poderia sustentar uma vida como fugitivos. Abbie Waxman, uma das promotoras do caso, disse à magistrada que Andrew Tate tinha "acesso irrestrito a viagens e recursos financeiros", incluindo criptomoedas. "Ele não está preso a nada", afirmou. Ao depor, os irmãos minimizaram a suposta riqueza e as personas espalhafatosas que exibem online. Andrew Tate declarou que suas afirmações na internet eram "exageros hiperbólicos para efeito cômico", marca registrada de um alter ego que assumiria para ganhar dinheiro.
Ju�za decide que irm�os Tate devem continuar presos nos EUA at� decis�o sobre extradi��o
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