Tut�ia, no Maranh�o, marca transi��o entre dunas dos Len��is e o delta do Parna�ba

Tut�ia, no Maranh�o, marca transi��o entre dunas dos Len��is e o delta do Parna�ba

Com os Lençóis Maranhenses batendo recordes de visitantes, outras cidades da região têm se organizado para atrair uma parte desse fluxo. Uma delas é Tutoia, que fica entre Barreirinhas (70 km) e Parnaíba (150 km), no Piauí. Por muito tempo a cidade viveu da pesca artesanal e da agricultura familiar. Em 2005, passou a integrar a então recém-lançada Rota das Emoções. Com 55 mil habitantes, Tutoia é o último centro urbano do litoral leste maranhense, ocupando uma quase península na porção mais a oeste do delta do Parnaíba. Tem ares de cidadezinha rural, com algumas ruas asfaltadas e iluminadas, e outras ainda de terra e sem luz. Justamente por essa localização, as praias ali da cidade mesmo parecem oceânicas, mas ainda são de água salobra e faixa de areia enlameada, quase como um mangue. São os passeios, portanto, que proporcionam os banhos que os turistas tanto buscam. O primeiro deles é terrestre (R$ 450 para até quatro pessoas com a Dunatur), e explora os 15 km que separam a cidade dos Pequenos Lençóis, uma formação semelhante aos Lençóis Maranhenses, mas menor. Outra característica particular dessa versão menor dos Lençóis é que ele é repleto de alguns coqueiros. Eles foram plantados há muitos anos por nativos, que também moravam por ali. Mas a ação dos ventos alísios é implacável, e a areia avançou sobre tudo. Acabou cobrindo as habitações por completo, mas não os coqueiros, que hoje caracterizam a paisagem daqueles lençóis —os originais maranhenses, e mesmo os Pequenos Lençóis de Paulino Neves, mais perto de Barreirinhas, não têm esse tipo de vegetação. Mesmo em menor escala e com uma coloração mais esverdeada, as lagoas dali proporcionam um banho bastante agradável. Mas como a área não é protegida por restrições ambientais, nos dias de mais movimento há um trânsito incômodo de motos e UTVs que rasgam as dunas sem piedade —marcando-as com seus pneus e trazendo uma poluição sonora que não condiz com a aura paradisíaca do lugar. O turismo local diz que trabalha na conscientização e no ordenamento do fluxo. Esse passeio também inclui uma parada para banho na praia do Amor, vizinha aos Pequenos Lençóis. É uma praia gigantesca, deserta, e com muitas ondas. Sob o sol forte, dunas e nuvens borram os limites do horizonte, dando ao visitante uma sensação ímpar de estar mergulhado na imensidão de uma natureza ainda bruta. O trajeto atravessa ainda uma área conhecida como Arpoador, onde bangalôs de madeira e palha coexistem sem muitas cercas, com vacas, porcos e cabritos. É a área preferida dos praticantes de kitesurfe, que encontram ali condições semelhantes às do litoral cearense (lagunas rasas na praia, com o vento batendo na transversal), mas sem muvuca. Mesmo sem ser do kite, vale pernoitar uma ou duas noites por ali para experimentar a sensação de estar em um lugar quase totalmente isolado —afinal, até a cidade, são pelo menos 15 km de areia. O outro passeio popular em Tutoia explora o leste da cidade (R$ 150 por pessoa com a Olliver Tur), onde está o delta do Parnaíba —que ali às vezes é chamado de delta das Américas, um nome mais apropriado, já que Parnaíba (tanto o rio quanto a cidade) ficam no Piauí, e não no Maranhão. O mais comum, no entanto, é que a formação leve o nome do seu rio. O barco, que pode ser coletivo ou privativo, parte do cais do centrinho. Ao longo de toda a tarde, cruza dois braços do delta, além dos mangues da ilha Grande do Paulino. Assim como na capital, São Luís, a variação de maré é grande, o que na baixa revela bancos de areia e praias desertas que serão escondidos novamente. Há uma pausa para banho em uma delas, mais agradável que na praia do Amor justamente pela calmaria das águas —já que, neste ponto, também parece, mas não estamos em mar aberto. Dali, o barco atravessa mais um braço do delta. É quando surgem no horizonte grandes dunas amareladas, absolutamente lisas, que mais parecem miragem. É uma pontinha da ilha do Caju, onde a ação do vento sobre a areia também ajuda a formar minilençóis. A visita infelizmente é rápida, já que há ali um conflito entre o uso público da ilha e a propriedade privada reclamada por um empreendimento hoteleiro. Ainda assim, dá para contemplar essa pontinha do nosso continente. O passeio se encerra no fim da tarde, quando o barco para em frente aos mangues para a observação da famosa e impressionante revoada dos guarás.

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