Seca associada ao El Ni�o deixa amaz�nia propensa a inc�ndios, diz Nasa

Seca associada ao El Ni�o deixa amaz�nia propensa a inc�ndios, diz Nasa

A Nasa afirmou, nesta quinta-feira (15), que a seca associada ao El Niño já torna a amazônia mais propensa a registrar queimadas. Cientistas, segundo a agência espacial, apontam a possibilidade de o bioma encarar uma longa e severa temporada de incêndios. De acordo com a Nasa, satélites começaram a detectar consideráveis aumentos em fumaça e fogo na região. A agência cita a situação em Manaus, onde a fumaça deixou a qualidade do ar péssima, levando à suspensão de aulas em escolas e universidades e de atividades ao ar livre. Segundo o cientista Douglas Morton, da Nasa, o fogo próximo a Santarém, no Pará, e à capital do Amazonas é parte de uma cascata de queimadas nos trópicos. A nota da Nasa aponta um estudo de Morton sobre o padrão de secas e grandes incêndios vistos no El Niño de 2015-16, com o mesmo se repetindo em 2023. Em 2023, a região amazônica teve uma seca histórica. A estiagem reduziu brutalmente rios no bioma, o que causou o desaparecimento de cursos d'água, o isolamento de comunidades, além de outros impactos na vida e economia locais, dada a extrema importância do transporte fluvial para a amazônia. "Uma onda de incêndios nos trópicos, impulsionada pelo El Niño de 2026, seguiu o mesmo padrão", aponta o texto da Nasa. "Seca, fogo e fumaça sufocam partes da Indonésia desde agosto, com centenas de casas destruídas pelas chamas em outubro e uma densa fumaça encobrindo ilhas inteiras na maioria dos dias." "Agora, na Amazônia, estamos vendo cair o segundo dominó dessa reação em cadeia", disse Morton, referindo-se ao aumento dos incêndios no bioma. De acordo com o pesquisador, em novembro e dezembro, ainda mais fogo é esperado em Roraima, na região norte paraense, no Amapá e em áreas de países vizinhos, como Venezuela, Guiana e Suriname. Morton ainda apontou riscos de fogo para agosto e setembro do ano que vem para regiões mais ao sul da amazônia e para o Paraguai. "Dada a intensidade deste El Niño, este é realmente o ano para que as pessoas evitem fazer queimadas a todo custo", disse Morton, referindo-se à capacidade de se preparar em outras regiões ainda sem grande atividade de fogo. Raramente, o fogo surge em situações naturais na amazônia, como com a queda de raios (a região tem intensa atividade de descargas). O fogo na região tem o ser humano como seu causador, seja para limpeza de terreno, seja para atividades criminosas especialmente relacionadas ao desmatamento. "É tão impressionante, e frustrante, que tudo isso esteja acontecendo novamente", disse Morton.

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