São Paulo | Reuters A safra de soja do Brasil 2026/27 poderia cair para 163,6 milhões de toneladas em cenário de perdas por efeitos do fenômeno climático El Niño forte, uma redução de cerca de 10% no comparativo com uma situação neutra, projetou nesta terça-feira um estudo da Serasa Experian. A previsão foi feita com base no histórico de ocorrência do El Niño para as áreas de soja do país, maior produtor e exportador global da commodity. Máquinas de colheita trabalhando em uma plantação de soja em Cruz Alta, no Rio Grande do Sul, Brasil - Silvio Avila - 02.abr.26/AFP Sem as perdas, a safra poderia alcançar 181,2 milhões de toneladas, de acordo com o estudo, que considera um aumento de 900 mil hectares na área plantada (ou 1,8%) em relação ao ciclo anterior, para 49,9 milhões de hectares. A Serasa avalia que regiões produtoras de soja do Centro-Oeste concentrariam as maiores perdas por El Niño, que poderiam somar 9,7 milhões de toneladas em Mato Grosso e 4 milhões de toneladas em Goiás, já que essas áreas poderiam sofrer mais com a falta de chuvas e temperaturas elevadas. O estudo foi divulgado após o plantio da safra de soja do Brasil ter avançado bem em diversas regiões nas últimas semanas, mostrando antecipação em relação ao mesmo período do ano passado, com exceção do Sul do país, onde as chuvas excessivas limitaram os avanços. Segundo dado divulgado na segunda-feira pela AgRural, o país havia plantado 40% da área estimada até a última quinta-feira (22). Neste momento, disse o gerente de geoprocessamento agro da Serasa Experian, Daniel de Oliveira, o risco do El Niño começa a se "deslocar" da fase de plantio para a fase de desenvolvimento das lavouras. C-Level Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisões "Quando começa a olhar para regiões relevantes, o risco deixa de ser para a implantação, mas como as chuvas vão ser distribuídas... para que o produtor não enfrente redução da produtividade tal como vimos na 2023/24", disse ele. Ele observou que o produtor aproveitou a segunda quinzena de outubro para implantar a lavoura de soja, trazendo uma situação de "normalidade" para o Mato Grosso. "Mas o risco ainda não desapareceu, ainda não conseguimos dizer que a safra 26/27 está livre dos impactos que a gente está discutindo nesse estudo", afirmou, lembrando que o clima precisa colaborar para o florescimento e a formação de grãos em novembro e dezembro em importantes Estados produtores. Na última ocorrência de El Niño forte, observou a Serasa, citando números da estatal Conab, a produtividade média do Brasil caiu mais de 8% em 2024, para 3.282 kg por hectare, no comparativo com 2023, quando houve uma La Niña fraca. Considerando as perdas previstas na produtividade, o setor poderia ter prejuízo de R$ 33 bilhões, em número baseado em preços de agosto, apontou a Serasa, ponderando que uma oferta menor tende a elevar as cotações e mexer nas condições de comercialização. Por outro lado, o Rio Grande do Sul poderia colher 5,5 milhões de toneladas a mais, já que o Estado sulista geralmente recebe mais chuvas em anos de El Niño. O pior cenário da Serasa indica que haveria perda de produtividade em 13 estados brasileiros, enquanto poderia haver ganhos ligeiros em quatro unidades da federação. Além de Mato Grosso e Goiás, a Serasa indicou redução na produtividade no Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Bahia, Maranhão, entre outros, no cenário de perdas por El Niño forte.
Safra de soja do Brasil pode cair 10% com El Ni�o forte, diz Serasa
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