As consequências da seca e das ondas de calor, intensificadas pela mudança climática, continuam castigando a Europa. Aproximadamente 8.000 pessoas foram deslocadas na noite de quarta-feira (29) devido aos incêndios florestais que ameaçam uma zona turística na ilha grega de Creta. Na Turquia, mais de cem focos de incêndio são combatidos. As evacuações na Grécia foram realizadas após o fogo chegar a poucos quilômetros da vila de Agia Galini. Alimentadas por ventos fortes, as chamas persistem nesta quinta, de acordo com a vice-governadora da região de Réthymno, Maria Lioni. "O vento é inacreditável —às vezes, não dá para ficar em pé. As chamas eram enormes, foi realmente assustador", disse à Reuters Chrissa Gioukaki, moradora da vila. Acredita-se que as chamas queimaram casas, instalações agrícolas e animais de criação. O cenário ainda não está claro porque os focos continuam ativos, segundo Lioni. No total, 200 bombeiros e 53 caminhões atuam em Réthymno, no sudoeste de Creta. Dois agentes ficaram presos em uma estrada montanhosa perto da vila de Krya Vrysi e morreram. Além do terreno acidentado, as constantes mudanças na direção do vento dificultam o trabalho de contenção das chamas. Um terceiro bombeiro passou mal e morreu durante os esforços para apagar outro incêndio, perto de Gythio, na península do Peloponeso. "Nossos pensamentos estão com eles, assim como com todos os bombeiros, voluntários e membros das forças de segurança que combatem os incêndios, em meio a esta dura e nova realidade que devem enfrentar a cada ano", afirmou o primeiro-ministro da Grécia, Kyriakos Mitsotakis. O país vê o caos em torno dos incêndios florestais se repetir a cada verão, que começa em junho no hemisfério norte. O quadro também é crítico na Turquia, onde os socorristas vêm combatendo, desde quarta-feira, mais de cem incêndios florestais. Muitos deles foram controlados, porém estão próximos a populares regiões turísticas no litoral mediterrâneo, afirmaram as autoridades. A Direção Geral de Silvicultura disse que efetuava "operações intensivas com meios aéreos e terrestres contra os incêndios em curso", especialmente nas províncias de Antália e Mugla, na turística Riviera Turca. Ventos fortes também atingem o país, facilitando o espalhamento das chamas. As operações continuam também na região olivícola de Ayvalik, no mar Egeu, anunciou o governador da província de Balikesir, Ismail Ustaoglu. Segundo ele, cinco aviões, seis helicópteros, 850 homens e centenas de veículos estão mobilizados para combater o fogo. Em novembro, a cidade de Antália receberá a COP31, cúpula das Nações Unidas sobre mudança climática. Planeta em Transe Uma newsletter com o que você precisa saber sobre mudanças climáticas A Turquia, que havia sofrido incêndios precoces em 2025 devido à seca, tinha escapado até agora nesta temporada graças às fortes chuvas e nevascas do último inverno, que reabasteceram os lençóis freáticos e protegeram a vegetação. Já na França e na Espanha, que vêm sofrendo com focos de incêndios de proporções históricas nas últimas semanas, a situação está mais controlada. Milhares de desalojados foram autorizados a retornar às regiões atingidas desde terça-feira (28). Na Espanha, o governo suspendeu o estado de emergência que havia sido declarado após as chamas se aproximarem de Madri. Apesar disso, um novo incêndio em Fermoselle, perto da fronteira com Portugal, forçou a remoção de mais de 600 pessoas nesta quinta. Na França, duas pessoas foram presas sob suspeita de envolvimento em um incêndio criminoso. Aquecimento acelerado As equipes de emergência mal tiveram tempo para respirar entre as ondas de calor e as frentes de incêndio neste verão europeu. O continente é o que mais rapidamente se aquece no mundo, intensificando as condições meteorológicas que levam a grandes queimadas. A atual temporada de incêndios florestais já superou o ano recorde de 2025.
Queimadas atingem Turquia e Gr�cia, onde tr�s bombeiros morreram em combate �s chamas
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