O custo do esquecimento de ter um Bolsonaro na Presid�ncia

O custo do esquecimento de ter um Bolsonaro na Presid�ncia

Lula (PT) não foi presidente da República três vezes por acaso. Pode ter cometido erros. Mas nenhum erro é maior do que o cometido durante a pandemia por Jair Bolsonaro. Como o custo do esquecimento vai ser alto se o filho ganhar, rememoro o ocorrido. No dia 11 fevereiro de 2021, a Organização Mundial da Saúde alertou para "uma emergência de saúde pública de importância internacional" e informou, no dia seguinte, que era "a mais grave dos últimos cem anos". Na contramão da OMS, o governo Bolsonaro deu a entender que a contaminação no país seria baixa. "Quanto maior o calor, menos ativo é o vírus." Mentiu para adiar gastos com a prevenção. Jair Bolsonaro ousou dizer que não passava de uma "gripezinha", saiu sem máscara e tirou selfies com a população. Depois do Carnaval, o único recurso para evitar a contaminação era o isolamento. Mas ele proibiu até a palavra "lockdown" em todo o territorio nacional, fazendo pouco da morte. "Morrer nós todos vamos. E daí?" Quando o então ministro da Saúde propôs que a informação sobre o número de mortos fosse exata, Jair Bolsonaro exigiu que a verdade fosse "gerenciada", e a pasta passou a anunciar somente as vidas salvas na rede hospitalar. A imprensa foi obrigada a criar um consórcio para saber o número real de contaminações e mortes. Sem a imprensa, a população ficaria completamente desinformada. Quando o então ministro da Saúde quis falar sobre as diretrizes para o sepultamento, Jair Bolsonaro respondeu: "Mórbido demais. Não sou coveiro". Meados de abril, ele exigiu a distribuição nacional da cloroquina, apesar de não existir prova alguma da sua eficácia e nem aval científico para uso em larga escala. No mês de maio, uma empresa norte-americana anunciou que, no final de 2021, a vacina estaria disponível. O Ministério da Saúde ignorou o anúncio, embora a vacina tenha reduzido tanto o índice de mortalidade quanto a água potável e o saneamento básico. O resultado do negacionismo foram 700 mil mortos. O Brasil, que só tem 3% da população mundial, foi o segundo país com o maior número de mortos. Cem mil vidas poderiam ter sido salvas se o governo tivesse adquirido o imunizante no momento certo, em vez de atrasar a compra. Além de fazer pouco da vida, Jair Bolsonaro fez pouco das mulheres. Ousou legitimar o estupro dizendo para uma deputada que "nunca a estupraria porque ela não merecia". Declarou, num evento público, que tinha cinco filhos e se explicou assim: "Foram quatro homens, a quinta eu fraquejei e veio uma mulher". Foi Jair –preso por tentativa de golpe de Estado– que indicou o filho para ser candidato a presidente. O filho não pode ser responsabilizado pelo crimes de Jair, mas sabe-se que está ligado às milícias e já ninguém ignora a sua relação com Daniel Vorcaro –responsável pela maior fraude bancária da nossa história– e Donald Trump, que cobiça as terras raras do país. No segundo turno, o voto precisa, sobretudo, evitar um Bolsonaro na Presidência para que a Constituição seja respeitada e a soberania nacional defendida. O que interessa é salvar o Brasil. TENDÊNCIAS / DEBATES Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

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