Ind�genas na fronteira com o Peru est�o sob cerco do crime organizado

Ind�genas na fronteira com o Peru est�o sob cerco do crime organizado

Das encostas dos Andes ao Alto Juruá, no Acre, se estende o território do povo ashaninka. Suas comunidades mantêm relações de parentesco e circulação que atravessam a fronteira. Hoje, mais de 100 mil ashaninkas vivem no Peru e cerca de 1.500 no Brasil. No início de julho, lideranças ashaninka denunciaram que cinco homens encapuzados, falantes de espanhol e armados com metralhadoras entraram na aldeia Apiwtxa, na Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, na fronteira com o Peru. Procuravam as principais lideranças do povo e ameaçaram moradores. À agência Associated Press Francisco Piyãko disse que os invasores pretendiam matar as lideranças indígenas. Ao jornal britânico The Guardian os indígenas afirmaram que as comunidades têm sido reféns na expansão do crime na região. Organizações criminosas ligadas ao narcotráfico, ao garimpo e à exploração ilegal de madeira têm se espalhado pela floresta amazônica, abrigada por oito países soberanos e pela Guiana Francesa, território ultramarino francês, cada qual com sua legislação e política de segurança. Para facilitar a coordenação regional, o Tratado de Cooperação Amazônica foi assinado em 1978. Duas décadas depois, foi institucionalizada a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica, a OTCA, formada por Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela. A organização tem sido cada vez mais relevante, diante do avanço do desmatamento, dos incêndios e das economias ilícitas. Mas, apesar dos avanços, as estruturas de cooperação em segurança permanecem fragmentadas, enquanto as redes criminosas atravessam as fronteiras com mais facilidade. Na sexta-feira (24), enquanto lideranças ashaninka buscavam apoio em Brasília, o Ministério dos Povos Indígenas do Brasil anunciou a assinatura de um memorando de entendimento com o Ministério da Cultura do Peru para fortalecer a cooperação na proteção das terras indígenas da fronteira, especialmente as habitadas por povos isolados. O acordo, negociado desde 2024, estabelece um marco para o compartilhamento de informações e a coordenação de ações entre os dois países. As fronteiras amazônicas têm sido transformadas pela expansão do crime organizado. A chamada rota do Solimões, formada por uma rede de rios navegáveis, é hoje um dos principais corredores para o escoamento da cocaína produzida no Peru, na Colômbia e na Bolívia. A droga entra no território brasileiro por redes fluviais, chega a Manaus e se conecta a corredores que levam aos portos no Atlântico, de onde segue para a Europa. A violência contra povos indígenas, portanto, está conectada à cocaína consumida aqui e na Europa. E também ao ouro que, depois de minerado ilegalmente, pode ser declarado como produto de áreas autorizadas, ingressar no mercado formal e chegar às cadeias de exportação e joalheria. Os lucros dessas atividades financiam a expansão das redes criminosas e aumentam a circulação de armas na floresta, ampliando o ciclo de violência. Planeta em Transe Uma newsletter com o que você precisa saber sobre mudanças climáticas Os ashaninkas exigem que Brasil e Peru cumpram suas obrigações de proteger a vida, os territórios e os direitos dos povos indígenas. Direitos reconhecidos pelas constituições dos dois países e por normas internacionais. A efetividade da resposta vai mostrar quem exerce maior controle sobre as fronteiras da floresta, Estados ou organizações criminosas. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

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