Algumas áreas de Madri amanheceram nesta sexta-feira (24) com o cheiro de fumaça dos incêndios que ardem sem controle nos arredores da capital espanhola e que, assim como outros focos na França, obrigaram a evacuação de milhares de pessoas. "Estamos vivendo uma situação dramática, não apenas em diversas províncias espanholas, mas também em regiões de países vizinhos", disse o chefe do governo espanhol, Pedro Sánchez, que na véspera declarou emergência na região de Madri e na província vizinha de Ávila. Pelo menos 19 mil pessoas foram evacuadas ou estão confinadas na Comunidade de Madri devido ao pior incêndio da história da região, que já devastou 6.000 hectares, segundo a presidente regional Isabel Díaz Ayuso. "Para uma região como esta, com uma forte concentração de moradias e de população, é uma catástrofe", lamentou em uma coletiva de imprensa. "Nunca tínhamos vivido isso". Os bombeiros lutavam na manhã desta sexta (no horário local, madrugada no Brasil) para impedir a confluência dos diferentes focos de fogo, porém sem sucesso. No início da tarde, os serviços de emergência anunciaram que dois dos incêndios se uniram em uma única frente e ameaçam novas localidades. Embora ainda longe da capital, as chamas afetam uma série de municípios residenciais bastante populosos, muitos deles cercados por colinas e áreas de mata e arbustos que favorecem a propagação do fogo. As florestas estão ardendo com mais facilidade porque a vegetação e os solos europeus sofrem há meses uma seca acentuada pelas ondas de calor excepcionais que atravessaram o continente em junho e julho. As altas temperaturas aumentaram a evaporação de água da terra, tornando a paisagem uma caixa de pólvora. É precisamente a mudança climática, causada principalmente pela queima contínua de petróleo, carvão e gás, que agrava a seca atual, concluíram climatologistas do grupo World Weather Attribution em um estudo publicado nesta quinta (23). Estado de emergência O ministro do Interior da Espanha, Fernando Grande-Marlaska, afirmou que o vento é um dos fatores que dificultam o trabalho de bombeiros e militares que atuam no combate às chamas. "Temos estimativas [de rajadas] superiores a 50 km/h. A temperatura também não vai nos dar nenhuma facilidade e tampouco o grau de umidade", disse Grande-Marlaska. Diante da emergência, o governo solicitou à União Europeia o envio de reforços aéreos. A Grécia respondeu com dois aviões e a Itália com outros dois. Planeta em Transe Uma newsletter com o que você precisa saber sobre mudanças climáticas Imagens da Guarda Civil mostram chamas próximas a residências em San Martín de Valdeiglesias e densas colunas de fumaça se elevando ao redor de Villa del Prado, localidades a cerca de 60 km a oeste de Madri. O incêndio mais grave, no entanto, estava na província de Guadalajara, cerca de 100 km ao norte da capital, e devastou 32 mil hectares em uma semana. As chamas ainda não estão controladas, mas perderam intensidade, segundo o presidente da região de Castilla-La Mancha, Emiliano García-Page. Mais de 200 bombeiros continuam mobilizados. 40 mil evacuados Na França, o fogo também não dá trégua e devasta áreas próximas à região vinícola de Bordeaux, no sudoeste do país. Os incêndios obrigaram moradores e turistas a fugir da península de Cap Ferret por terra e barco, em plena temporada de férias de verão. Cerca de 40 mil pessoas foram evacuadas da região, segundo o ministro do Interior, Laurent Nuñez, que acrescentou que 80 residências foram afetadas pelas chamas. Este ano é o segundo com maior área queimada por incêndios na União Europeia desde que os registros começaram, há 20 anos, segundo dados de satélite do Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais analisados pela AFP. Desde o início do ano, mais de 50 mil hectares foram consumidos por incêndios na França, quase o triplo do mesmo período de 2025. O governo francês acionou o mecanismo de proteção civil da União Europeia para solicitar ajuda, declarou na sexta-feira o presidente Emmanuel Macron, que alertou que a crise continuava "muito intensa". A UE anunciou que fornecerá três aviões-tanque à França. O sudeste do país também foi gravemente afetado, com dezenas de incêndios que eclodiram e foram intensificados pelo vento. As autoridades informaram que desde terça-feira (21) cerca de 25 residências foram destruídas. Também na Itália, equipes de emergência lutam contra dezenas de incêndios na Sicília e na região da Calábria. Segundo um oficial local, a origem dos focos na Calábria seria criminosa. Incendiários teriam amarrado trapos encharcados em líquido inflamável nas caudas de gatos de rua para propagar as chamas.
Inc�ndios florestais cercam Madri e governo espanhol declara estado de emerg�ncia
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