A força naval multinacional que opera no mar Vermelho alertou marinheiros de que os rebeldes houthis do Iêmen estão prontos para atacar navios no estreito que liga o sul da região ao oceano Índico, o Bab el-Mandeb (portão das lágrimas, em árabe). "Fontes próximas do grupo informaram que os houthis completaram as preparações para atacar navios, incluindo a instalação de mísseis e drones perto de Bab el-Mandeb", disse em nota o centro de informações da CMF (Forças Marítimas Combinadas, na sigla inglesa). O texto é da segunda-feira (20) à noite, quando os aliados do Irã que controlam o oeste do Iêmen decretaram o embargo a portos sauditas e abriram uma nova frente no conflito do Oriente Médio. O alerta só circulou na mídia nesta quarta (22). A CMF é a maior coalizão naval do mundo, formada em 2001 para lidar com problemas como pirataria e terrorismo no mar Vermelho, golfo de Áden e costa somali. A guerra entre Israel e o Hamas, apoiada por ataques houthis a navios, expandiu seu escopo de atuação. Já a missão naval da União Europeia no Oriente Médio alertou nesta quarta que "navios mercantes ligados a interesses israelenses, americanos ou sauditas devem evitar o trânsito no mar Vermelho e no golfo de Áden até que o nível de ameaça diminua". Os houthis operam em apoio ao Irã, mas têm agenda própria, tendo evitado ataques a embarcações no mar Vermelho durante as cinco primeiras semanas da guerra iniciada por Donald Trump e Binyamin Netanyahu em 28 de fevereiro. Só entraram no conflito na semana passada, por uma porta própria: o bloqueio ao aeroporto de sua capital, Sanaa, por forças do governo deposto na guerra civil iniciada em 2014, que têm o apoio de Riad. A partir daí, lançaram mísseis contra o reino desértico e, na segunda, anunciaram o bloqueio. A ameaça tem provocado mudanças no comportamento da rota do mar Vermelho. A região exporta hoje quase 70% do petróleo saudita devido à interdição no estreito de Hormuz, do lado da península Arábica junto ao Golfo Pérsico. Desde segunda, ao menos nove petroleiros no mar Vermelho deram meia-volta rumo ao canal de Suez, no norte, para contornar a África com destino à Ásia —o que acresce quase 50% no tempo de viagem para portos na China, por exemplo, com custos adicionais importantes. Outros navios deram meia-volta sem estarem carregados, evitando ir até portos sauditas como o Yanbu. A incógnita fica em relação a outros navios que usam a rota para transportar toda sorte de bens, particularmente da China para a Europa. Em princípio, os houthis dizem que eles não são alvos, mas a situação é tensa. Segundo o monitor MaritimeTraffic, da consultoria Kpler, o trânsito geral em Bab el-Mandeb caiu de 73 navios na segunda para 29 na terça. O preço do petróleo em contratos futuros subiu mais 3% nesta quarta, flutuando em torno de US$ 94 —ele havia caído a quase US$ 70 com a trégua de 17 de junho. O cessar-fogo de 60 dias que Washington e Teerã haviam assinado foi anulado por Trump após o Irã alvejar petroleiros no estreito de Hormuz, e o conflito entrou nesta quarta em sua segunda semana de hostilidades renovadas. Além da troca usual de ataques, com os EUA atingindo instalações militares iranianas de forma mais ampliada e Teerã revidando contra alvos em aliados americanos no Golfo, houve uma nova rodada de ameaças. Trump, que recebeu nos EUA os corpos de quatro militares mortos em ações do Irã, afirmou que irá destruir "uma ponte ou uma usina [de energia]" cada vez que um navio for atingido em Hormuz. Desde o fim do cessar-fogo, o órgão de monitoramento comercial marítimo do Reino Unido contou 61 incidentes do tipo. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo O Comando Central dos EUA, que opera no Oriente Médio, também está aplicando desde 14 de julho um bloqueio a portos iranianos. Em nota nesta quarta, disse que até aqui desviou nove navios que iam ou vinham da teocracia, e desabilitou um. O presidente repaginou de novo uma ameaça que já havia feito antes, reduzindo o tom. Durante a primeira fase da guerra, sugeriu o genocídio da "civilização inteira". Na semana passada, falou em acabar com a infraestrutura civil iraniana, um crime de guerra aliás. Agora, a solução olho por olho. Ele não empregou essa terminologia, mas ela foi adotada em postagem em resposta à ameaça pelo chanceler do Irã, Abbas Araghchi. "Nossa doutrina de defesa é clara: olho por olho", escreveu no X. Na prática, com escaladas crescentes, é como os dois rivais vêm se comportando nessa fase do conflito.
Houthis instalam m�sseis e drones para fechar estreito, diz for�a naval
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