São Paulo Nove em cada dez profissionais dizem conhecer a cultura da empresa em que trabalham e reconhecem que uma cultura forte traz melhores resultados, mas 58% deles diz que a primeira a ceder é a cultura do local quando há pressão por metas e resultados. Os dados são do levantamento "Cultura na Prática", feito pela QualiBest a pedido do iFood. O estudo ouviu 1.406 profissionais de todo o país, entre os dias 13 e 17 de julho. A margem de erro é de 2,6 pontos percentuais para mais ou para menos e o intervalo de confiança é de 95%. Foram ouvidos trabalhadores de empresas com mais de cem funcionários, com vínculo formal, incluindo contratos pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) e profissionais que atuam como PJ (pessoa jurídica). A amostra conta com 49% de homens e 51% de mulheres de capitais e do interior, e contemplou diferentes níveis hierárquicos, de analistas a diretores e outros cargos de liderança. Escritório do iFood em Osasco, na Grande SP; pesquisa encomendada à Qualibest trata sobre cultura de empresas e IA - Karime Xavier - 23.nov.25/Folhapress Segundo Fábia Silveira, gerente de planejamento e atendimento da Qualibest e responsável pela análise dos dados, o levantamento mostra que os profissionais reconhecem o valor da cultura, mas colocam em dúvida sua sustentação quando há forte pressão por resultados. Do total que conhece a cultura da empresa, só 36% dizem que ela é praticada sempre. Para 55%, a cultura se manifesta principalmente no dia a dia, na gestão e na forma como as pessoas são tratadas. C-Level Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisões A percepção é mais crítica entre diretores e gerentes, que atribuem maior peso à alta gestão na quebra da cultura. Para Fábia, isso reforça o papel da liderança: "No final do dia, cultura da empresa é o comportamento que você encontra na prática." Fábia diz que também foi possível medir a distância entre discurso e estratégia. Para 57% dos entrevistados, a cultura é tratada como estratégia de negócios. Outros 43% não têm essa percepção, sendo que 16% dizem que ela é apenas discurso. Segundo a especialista, quando a cultura é de fato vista como estratégia, aumenta também a percepção de que ela produz resultados positivos para o negócio e traz mais bem-estar para os profissionais, já que se tem a certeza de que, não importa o que aconteça, haverá o respeito ao que é cultivado no dia a dia.A distância entre discurso e prática não é abstrata. Do total de 1.406 entrevistados, 600 eram diretores e gerentes. Entre eles, 65% afirmam que ações de bem-estar e capacitação são as primeiras cortadas quando o negócio está sob pressão. Já entre os 809 respondentes que exercem função de liderança, 41% admitem que eles próprios renunciam a pontos importantes da cultura para atingir metas. Cerca de 36% dos entrevistados já tomaram alguma decisão de carreira motivados pela cultura da empresa. Para Fábia, quanto mais o trabalhador vivencia na prática aquilo que a companhia diz defender, maior é a percepção de valor sobre o trabalho. A avaliação também ajuda a explicar os efeitos de uma cultura que não corresponde ao discurso. Raphael Bozza, sócio e executivo de pessoas do iFood, afirma que empresas que "fazem o que pregam" tendem a ter mais engajamento, enquanto organizações que não cumprem o que prometem podem enfrentar maior turnover —entrada e saída de profissionais. A gente olha para cultura como ativo e como algo que diferencia. Numa empresa com alto turnover, com gente saindo, como vai falar em sonhar grande, impactar 65 milhões de pessoas, inovar? Se as pessoas não estão ali, não estão a fim", diz ele.IA e mercado de trabalho A pesquisa encomendada à Qualibest também tratou sobre os impactos da IA (inteligência artificial) no mercado de trabalho. Os resultados apontam que a ferramenta já começa a mudar a rotina profissional. Para 86% dos entrevistados, a IA é uma oportunidade de trabalhar de novas formas. Além disso, 75% já percebem contribuição positiva da tecnologia no dia a dia. A percepção, porém, varia conforme o cargo. Entre diretores, 85% dizem que a IA contribui positivamente para o trabalho. Entre analistas, o percentual cai para 67%. Há também divisão sobre o impacto da tecnologia no emprego. Do total, 42% acreditam que a IA vai reduzir postos de trabalho, enquanto 36% discordam dessa possibilidade. Bozza diz que a IA, de forma geral, ainda passa por ajustes em todo o mundo. Segundo ele, no iFood, o uso é difundido, mas tudo é testado antes, na base. O executivo usou o exemplo do iFood benefícios, utilizado primeiro com os profissionais da empresa para aprimorar o sistema e, depois, ser vendido como um produto.
Estudo mostra que cultura da empresa cede sob press�o por metas
Full Article
Original Source
Read the full article at C-level →KhanList aggregates and links to publicly available news content. We do not host full articles from third-party sources. Always verify important information with original sources.