D�lar abre perto da estabilidade ap�s novas tarifas dos EUA sobre Brasil

D�lar abre perto da estabilidade ap�s novas tarifas dos EUA sobre Brasil

O dólar abriu perto da estabilidade nesta sexta-feira (24) com os investidores avaliando o impacto das novas tarifas aplicadas sobre o Brasil de 12,5% pela fiscalização frouxa no combate ao trabalho escravo. Em 22 de julho, o governo norte-americano iniciou a cobrança de uma taxa de 25% sobre vários produtos brasileiros em função de práticas comerciais supostamente desleais do país. Além do Brasil, os EUA aplicaram tarifas entre 10% a 12,5% a outros 58 países e a União Europeia pelo trabalho escravo. Às 9h42, a moeda norte-americana tinha variação negativa de 0,03%, cotada a R$ 5,0827. Na quinta-feira (23), o dólar fechou em alta de 0,62%, a R$ 5,084, enquanto a Bolsa encerrou o dia em queda de 0,46%, aos 176.723 pontos. Durante o dia, investidores acompanharam os desdobramentos da escalada do conflito entre EUA e Irã no Oriente Médio. Ao longo do pregão, o mercado acionário brasileiro foi pressionado pelas ações do setor bancário, que recuaram em meio ao aumento da aversão ao risco. Na direção oposta, as petrolíferas brasileiras avançaram, acompanhando a alta do petróleo. O agravamento do conflito aumenta a cautela dos investidores e diminui a busca por ativos de mercados emergentes. A guerra também sustenta os preços do petróleo em patamares elevados. Na quinta, o barril do Brent, referência mundial do petróleo, voltou a avançar com mais intensidade. Na máxima do dia, chegou a US$ 101,99 —alta de 8,41%. É o maior valor desde 20 de maio, quando a cotação alcançou US$ 102,24. A alta dos preços refletiu uma nova rodada de ações militares dos Estados Unidos contra o Irã na noite de quarta-feira. Donald Trump disse estar "considerando um ataque maciço, maior do que nunca" contra a teocracia. Os houthis, grupo militante do Iêmen aliado do Irã, também atacaram embarcações que tentavam chegar à Arábia Saudita pelo Mar Vermelho. A rota se tornou estratégica para o escoamento do petróleo após o início do conflito no Golfo Pérsico. "[Os preços do petróleo] voltam a se aproximar de níveis que podem pressionar a inflação. Isso preocupa principalmente do ponto de vista do crescimento econômico e leva os investidores a adotar posições mais cautelosas", afirmou Lucca Bezzon, analista de inteligência de mercado da StoneX. A alta do petróleo impulsionou as ações das petroleiras brasileiras. Os papéis preferenciais e ordinários da Petrobras subiram 0,86% e 1,67%, respectivamente. Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes. "O principal movimento é uma forte entrada de fluxo em ações ligadas a commodities. Com o petróleo alcançando os US$ 100 por barril, as petrolíferas avançam, principalmente Petrobras e Prio, que têm peso relevante no índice", afirma Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos. O bloco de bancos, contudo, pressionou o índice. O BTG liderou as perdas do setor, com recuo de 1,26%. A valorização do petróleo reforça os temores de aceleração da inflação. Com dificuldades para o escoamento da commodity, os preços dos derivados refinados —como gasolina, diesel e querosene de aviação— tendem a subir. Por enquanto, o governo brasileiro tem subsidiado os combustíveis para evitar que o repasse chegue aos consumidores. O cenário repercutiu também no mercado de juros futuros. A taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 subiu para 14,370%, alta de 15 pontos-base em relação ao ajuste de 14,218% da sessão anterior. As taxas dos DIs refletem a expectativa do mercado para a trajetória futura da Selic e do CDI, referência para a remuneração de investimentos. A maior aversão ao risco fortalece o dólar tanto no Brasil quanto no exterior. Por volta das 17h, o índice DXY, que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes, avançava 0,30%, aos 101,42 pontos. O dólar é a principal moeda de reserva global. Já os Treasuries, títulos da dívida pública americana, são considerados um dos ativos mais seguros do mundo, o que costuma atrair investidores em momentos de maior incerteza. Desde o início do conflito, em fevereiro, o DXY tem valorização de 3,88%. As medidas comerciais dos Estados Unidos também estiveram no radar do mercado. Nesta quarta-feira (22), começou a cobrança de uma tarifa de 25% sobre um conjunto de produtos brasileiros, em decisão que atinge cerca de 3.000 itens. A medida é resultado de uma investigação sobre práticas comerciais consideradas injustas. O governo americano também deve anunciar, nesta quinta-feira, novas alíquotas para substituir a tarifa global de 10%, informou a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt. "A expectativa não provocou um movimento identificável nos ativos. Isso pode mudar quando o anúncio for oficializado e os detalhes ficarem claros, como a possibilidade de a nova cobrança ser cumulativa com os 25% já em vigor", afirmou Vitor Kayo, economista sênior da Nomad. No exterior, os resultados do segundo trimestre da Alphabet e da Tesla pressionaram os mercados de ações. Os lucros da empresa de Elon Musk caíram 17% em relação ao mesmo período do ano anterior, para US$ 1,2 bilhão (R$ 6 bilhões) nos três meses encerrados em junho, bem abaixo da expectativa de Wall Street, de US$ 1,9 bilhão (R$ 9,9 bilhões). A Alphabet, por sua vez, queimou caixa no segundo trimestre pela primeira vez em décadas. A empresa informou que o fluxo de caixa livre ficou negativo em US$ 5,9 bilhões (R$ 29,8 bilhões), após ampliar pela segunda vez neste ano seus investimentos em data centers e outros equipamentos voltados para inteligência artificial. Nos EUA, a Nasdaq caiu 2,15%, o S&P 500 recuou 1,41% e o Dow Jones perdeu 0,97%.

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