Data centers devem consumir volume recorde de g�s nos EUA

Data centers devem consumir volume recorde de g�s nos EUA

Os data centers nos Estados Unidos consumirão mais gás natural do que a maioria dos países dentro de uma década, segundo uma nova projeção da BloombergNEF. O consumo de gás para produzir eletricidade destinada aos data centers deve crescer, nos dez anos até 2035, 424,75 milhões de metros cúbicos por dia, mesmo considerando que muitos dos projetos atualmente planejados não sejam construídos, afirmou a BloombergNEF. Esse volume é superior ao gás atualmente consumido por todos os países, exceto China, Rússia, Irã e os próprios EUA, de acordo com dados da EIA (Administração de Informação de Energia dos EUA). Também representa mais do que o dobro da previsão anterior da BloombergNEF, de 195,39 milhões de metros cúbicos por dia, divulgada em dezembro. O estudo é o mais recente exemplo de como o futuro da inteligência artificial está ligado à queima de grandes volumes de combustíveis fósseis, aproximando as ambições das gigantes de tecnologia das empresas tradicionais dos setores de petróleo e gás. Construção de data center da OpenAI em Abilene, no Texas - Shelby Tauber - 9.set.26/Reuters A abundância e o baixo custo de produção do gás natural nos EUA, combinados à capacidade das usinas a gás de aumentar ou reduzir rapidamente a geração conforme a necessidade dos data centers, que funcionam 24 horas por dia, são fatores importantes para que o combustível responda por 69% da eletricidade necessária às novas instalações conectadas à rede, segundo a projeção da BloombergNEF. A onda de novos projetos destinados a abastecer o avanço da IA fará do setor elétrico o segundo maior responsável pelo aumento da demanda por gás nos EUA na década até 2035, atrás apenas do crescimento da demanda provocado por novos terminais de exportação de GNL (gás natural liquefeito) que entrarão em operação na costa do Golfo do México, segundo a projeção. O consumo de gás do setor elétrico deve aumentar para 1,53 bilhão de metros cúbicos por dia em 2035, ante 509,7 milhões de metros cúbicos por dia em 2025, enquanto a demanda de gás para exportações de GNL deve crescer 594,65 milhões de metros cúbicos por dia. Dada a incerteza sobre como o avanço da IA vai se desenvolver na próxima década, as margens de erro que sustentam a projeção da BloombergNEF para o consumo de gás dos data centers são "bastante amplas —tanto para cima quanto para baixo, francamente", disse Henry Eaton, analista do mercado de gás da BloombergNEF e principal autor do relatório. "Sem dúvida, nossas estimativas de demanda por eletricidade não são baixas, mas também não são as mais altas do mercado", afirmou. A demanda simultânea e crescente por gás de data centers de IA e de usinas de exportação de GNL representa "um desafio complexo para os produtores domésticos de gás", que atualmente devem elevar a produção em 1 bilhão de metros cúbicos por dia entre 2025 e 2035, mas precisarão produzir outros 0,3 bilhão de metros cúbicos por dia para atender à demanda projetada, segundo a análise. O relatório da BloombergNEF se soma ao crescente otimismo em relação ao gás natural americano devido à expansão de data centers e terminais de GNL, ao mesmo tempo em que aumentam os temores de que algumas das áreas de maior qualidade das principais bacias de gás dos EUA possam se esgotar à medida que as empresas aceleram a exploração. Citando os mesmos fatores, a Wood Mackenzie afirmou em julho que "a década do gás Henry Hub barato está chegando ao fim". A referência é ao centro de negociação de gasodutos localizado na Louisiana que estabelece o preço de referência do gás natural nos EUA. A consultoria projetou que a demanda de gás do setor elétrico aumentará 481,39 milhões de metros cúbicos por dia "até meados dos anos 2030", praticamente em linha com a previsão da BloombergNEF, de 0,5 bilhão de metros cúbicos por dia. A projeção da Wood Mackenzie foi seguida por uma entrevista que viralizou com Matthew Smith, fundador da Chronometer Holdings LLC. Ele previu que, até o fim da década, "começaremos a ver uma briga acirrada para garantir o gás natural". "Os maiores perdedores disso serão os consumidores americanos", disse Smith na entrevista em vídeo, que acumulou 1,6 milhão de visualizações no X e foi fortemente contestada por alguns integrantes do setor. "Não poderia discordar mais da visão de Matt", escreveu Ben Dell, sócio-gerente e cofundador da gestora de investimentos Kimmeridge Energy Management Co., em resposta à projeção pessimista de Smith. Embora o mercado de gás dos EUA enfrente um "crescimento considerável da demanda" provocado pelo GNL e pelos data centers, a ampla disponibilidade de áreas ainda não exploradas nas bacias de gás americanas ajuda a explicar como a indústria "tem atendido consistentemente à demanda enquanto reduz os custos em termos ajustados pela inflação", afirmou Dell.

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