CAF defende autonomia digital para Am�rica Latina em evento no M�xico

CAF defende autonomia digital para Am�rica Latina em evento no M�xico

Cerca de 60% da economia do Brasil dependem de data centers localizados fora do território brasileiro, principalmente nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, o país detém reservas de terras raras, recursos hídricos e energia limpa, elementos essenciais da revolução tecnológica em curso. O cenário brasileiro foi destacado no evento "Crescimento Econômico, Produtividade e Transformação Digital", organizado pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe, o CAF, no Museu Nacional de Energia e Tecnologia na Cidade do México. Durante o encontro que reuniu autoridades, líderes empresariais e especialistas na quarta-feira (23), foram debatidos os gargalos estruturais da região. Também foram discutidas as oportunidades em meio ao acelerado uso de tecnologias como Inteligência Artificial e digitalização de sistemas. "Quando 60% da economia brasileira dependem hoje em dia de data centers de fora, isso é uma vulnerabilidade muito severa", avaliou Pablo Bello, gerente de Transformação Tecnológica do CAF, ao defender ampliação da capacidade computacional por parte de empresas, do governo e das universidades do Brasil. O economista chileno, que já ocupou cargo de assessor no Ministério da Fazenda durante a gestão de Fernando Haddad, foi o moderador do encontro, trazendo para as discussões a sua experiência como ex-diretor de Políticas Públicas para Aplicativos de Mensagens da Meta, uma das big techs que estão no centro desse debate. "A transformação digital é um dos principais campos de batalha da nova ordem econômica. A América Latina não pode ser uma adotante passiva de tecnologias. Ela precisa de uma estratégia para fortalecer sua autonomia digital", afirmou Alicia Montalvo, Vice-Presidente de Cooperação, Alianças e Mobilização do CAF. "Isso se conecta com o trabalho que realizamos, pois a transformação digital é um multiplicador de forças para todas as outras políticas de desenvolvimento." O risco, apontaram os especialistas, é que as empresas globais utilizem a água e a energia limpa da América Latina para alimentar megaestruturas de processamento de dados, enquanto exportam todo o valor intelectual e deixam no continente apenas o impacto ambiental O consumo intensivo de água para o funcionamento dos data centers é um bom exemplo do risco e da oportunidade embutidos neste processo. Isso vale também para a mineração de terras raras, entre eles o lítio, essenciais para a economia do século 21. "No Paraguai, temos um cenário favorável, pois não usamos toda a energia limpa produzida pela usina de Itaipu. Temos que usar essa energia para desenvolvimento", disse Oscar Lovera, ministro da Economia e Finanças paraguaio, integrante do painel "Produtividade e Transformação Econômica Digital". O painel contou também com a participação de ministros de El Salvador e Costa Rica. Autoridades que chamaram a atenção para a necessidade de marcos regulatórios e investimentos, para que de fato a tecnologia seja usada para gerar impacto econômico e melhorar a vida dos cidadãos latino-americanos. "Não queremos que a América Latina e o Brasil, em particular, se tornem o lixo tecnológico do mundo. Pelo contrário, trata-se de uma oportunidade para alavancar nossas riquezas", pontuou Bello. "Aqui temos terras raras, água e energia limpa, então temos que usar esses recursos naturais para promover efetivamente o desenvolvimento econômico da região." Os especialistas concordaram que o baixo crescimento na América Latina e no Caribe, decorrente da estagnação da produtividade, exige um firme compromisso com a digitalização. O Brasil foi citado novamente como vetor de inovação e modelo para a região, no que tange ao governo digital. "O Brasil tem um desenvolvimento tecnológico de primeira classe e deve ser também uma referência tecnológica para a América Latina e para o Sul Global. Não é só olhar para a China, os Estados Unidos e a Europa", afirmou Bello, acrescentando que o país pode liderar a região nessa agenda. Ele cita o trabalho do Ministério da Gestão e Inovação, o Pix e a Plataforma Gov.br, como elementos que posicionam o país na vanguarda da inclusão financeira, interoperabilidade e governo digital. O ecossistema digital brasileiro prova, segundo ele, que a região pode exportar inteligência e soluções tecnológicas de alto impacto. Carlos Rebellón, vice-presidente de Semicondutores da Canieti e diretor de relações governamentais para a América Latina da Intel, concluiu que os países latino-americanos "têm a sorte de estar no mesmo continente do país que mais consome serviços digitais", que são os Estados Unidos". "Temos que investir em infraestrutura, talentos e em regulação. E o CAF é um facilitador nesse processo", defendeu o executivo. A necessidade de regulação permeou toda a conversa. Também foi ressaltado que é essencial ter uma visão abrangente e coordenada para que a transformação digital se torne motor do desenvolvimento inclusivo e sustentável da América Latina e do Caribe, permitindo que a região explore todo o seu potencial em energias renováveis, empreendedorismo e produção de alimentos. "Todos os países da região estão bem posicionados, basta saber se teremos a força e a audácia para aproveitar as oportunidades da transformação digital", disse Bello, ao fechar o evento. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

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