Ataque russo mata 10 e fere 100 em feira de drones em Kiev

Ataque russo mata 10 e fere 100 em feira de drones em Kiev

Em mais um dia da fase mais violenta da Guerra da Ucrânia, um raro ataque com mísseis balísticos russos à luz do dia deixou ao menos 10 mortos e 100 feridos numa feira da indústria de drones em Kiev nesta sexta-feira (24). A ação ocorreu às 11h20 (5h20 em Brasília) contra a exibição Armada, que reuniu fabricantes ucranianos de drones e sistemas relacionados num campo de treinamento perto da avenida conhecida como Jitomirska, que leva à cidade de Jitomir (140 km a oeste da capital). Estavam presentes também autoridades, inclusive o influente assessor presidencial Serhii Beskrestnov, conhecido como Flash. Ele afirmou à mídia local ter escapado por pouco das explosões. O ataque causou uma onda de protestos nas redes sociais ucranianas devido à percepção de que as empresas, responsáveis por defender o país, não tomaram medidas de segurança mínimas para realizar o evento. A data e o local da feira circularam livremente pela internet. O Ministério da Defesa da Rússia disse que o ataque visava atingir aqueles que têm lançado drones contra a infraestrutura civil do país. A campanha das últimas semanas promovida por Kiev contra refinarias e centros de distribuição de produtos comprados online tem levado o conflito para a casa dos russos. Houve também um ataque, este com uma bomba planadora russa, que deixou cinco mortos na cidade de Sloviansk, cidade próxima da linha de frente na região de Donestk (leste). Moscou também voltou a alvejar a infraestrutura portuária da Ucrânia, uma resposta à ação das forças de Volodimir Zelenski contra navios e instalações no mar Negro. Até aqui, Kiev tem sido mais prejudicada: um terço de sua capacidade de exportação de grãos, principal fonte de renda do país, foi destruída. Nesta semana, segundo o Ministério da Defesa russo, houve 18 bombardeios a portos e 27 navios foram atingidos na região. Os russos também sofrem com ataques, tendo sido obrigados a desviar embarques da região do mar de Azov, um trecho ao norte do mar Negro. Com isso, os preços internacionais do trigo já apresentam forte alta em contratos futuros, dado que os rivais são grandes produtores deste e de outros grãos. A intensificação das ações no mar Negro provocou um evento colateral também nesta sexta. A Força Aérea da Romênia abateu, pela primeira vez na guerra, um drone que invadiu seu espaço aéreo —o país-membro da aliança militar Otan divide fronteira justamente com regiões portuárias ucranianas. Um F-16 fez o disparo sobre uma região não habitada, mas o governo não soube dizer se o aparelho extraviado era russo ou ucraniano. Modelos de ambos os rivais já caíram sobre a Romênia antes. Na mão contrária, além de novos ataques a centros de distribuição da "Amazon russa", a Wildberries, um bombardeio a instalações industriais na região de Kirov (leste de Moscou) deixou ao menos seis mortos nesta sexta-feira. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo A mortalidade e a intensidade da guerra vêm crescendo a níveis inéditos neste 2026. Em fevereiro, a invasão russa completou quatro anos. Segundo o dado mais recente disponível da base americana Acled (Projeto de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos), a troca de ataques aéreos é a maior do conflito até aqui. Dos dias 10 a 16 deste mês, foram 1.128 ações russas e 521 ucranianas. Enquanto o conflito escala, o governo de Donald Trump irá tentar mais uma vez a retomada das negociações de paz entre os beligerantes. Desde que se envolveu na guerra contra o Irã, no fim de fevereiro, o republicano deixou de lado o esforço que considerava prioritário de apaziguar a Europa. Zelenski deverá visitar o presidente americano em Washington na próxima semana, e segundo o jornal Kyiv Independent, a expectativa ucraniana é de que o pêndulo usualmente favorável a Moscou nessas conversas se volte para Kiev. O porta-voz de Vladimir Putin, Dmitri Peskov, disse nesta sexta que seu país aguarda para saber o que os americanos terão a dizer.

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