Ataque deixa um morto e 16 feridos na marcha LGBT de Berlim

Ataque deixa um morto e 16 feridos na marcha LGBT de Berlim

Um ataque com um carro deixou um morto e cerca de 16 feridos na noite deste sábado (26) durante a Christopher Street Day (CSD), a Parada do Orgulho LGBTQIA+ de Berlim, na Alemanha. Entre os feridos, oito sofreram lesões graves e três permanecem em estado crítico, segundo o Corpo de Bombeiros da capital alemã. De acordo com a polícia, o veículo avançou contra pessoas que estavam reunidas nas proximidades do encerramento do desfile pouco antes das 22h no horário local (17h de Brasília). O porta-voz da polícia, Florian Nath, afirmou que um suspeito de ter conduzido o veículo foi identificado, mas ainda não havia sido preso até a última atualização. Segundo ele, o homem é conhecido pelas autoridades por manter vínculos com "redes islamistas" em Berlim. O jornal alemão Bild, citando uma testemunha, informou que se tratava de uma van e que o motorista abandonou o veículo e fugiu a pé após o atropelamento. O ataque interrompeu abruptamente uma das maiores celebrações LGBTQIA+ da Europa. Centenas de milhares de pessoas participaram da marcha, embora a maior parte do público já tivesse deixado a região quando o incidente ocorreu. O encerramento da programação aconteceria na avenida 17 de Junho, que atravessa o parque Tiergarten até o Portão de Brandemburgo. Após o ataque, os organizadores cancelaram oficialmente o encerramento das festividades e pediram que os participantes deixassem a região imediatamente. A polícia orientou que ninguém atravessasse o bosque do parque Tiergarten, recomendando o uso apenas das vias públicas para deixar o local. Um grande número de ambulâncias, viaturas policiais e equipes de resgate foi mobilizado para atender as vítimas. "Este é um dos piores dias para a comunidade queer e um dia que eu, pessoalmente, esperava nunca ter de viver. Estou em choque", declarou Julian Miethig, que participava do evento. O chanceler alemão, Friedrich Merz, classificou o atropelamento como um "ato abominável" e afirmou que o governo fará uma investigação completa do caso. Merz e o ministro do Interior, Alexander Dobrindt, "estão especialmente comprometidos em esclarecer completamente este ato abominável e garantir que os responsáveis sejam punidos", informou um porta-voz do governo em comunicado. O prefeito de Berlim, Kai Wegner, também condenou o ataque e afirmou que "a liberdade da cidade foi atacada". Série de ataques A Alemanha tem registrado, nos últimos anos, diversos ataques em que veículos foram usados para atingir multidões. Em maio deste ano, um homem com suspeita de transtornos mentais atropelou pedestres em uma área exclusiva para circulação de pessoas no centro de Leipzig, matando duas pessoas e ferindo gravemente outras três. Em 2025, duas pessoas morreram em Mannheim após um motorista de 40 anos, descrito pelas autoridades como psicologicamente instável, lançar seu carro contra um grupo de pedestres. Semanas antes, um cidadão afegão também atropelou participantes de uma manifestação sindical em Munique, deixando dois mortos e mais de 40 feridos, incluindo crianças. Já em dezembro de 2024, um ataque semelhante contra um mercado de Natal em Magdeburgo deixou várias vítimas fatais. O principal suspeito era um psiquiatra saudita que vivia na Alemanha havia quase duas décadas e era conhecido por declarações anti-islâmicas. Há outros incidentes violentos nos últimos anos. Em fevereiro de 2025, na véspera das eleições legislativas, um turista espanhol foi esfaqueado no Monumento do Holocausto. No começo de março, um jovem sírio foi condenado a 13 anos de prisão por este atentado de motivação islamista que, juntamente com outros cometidos especialmente por estrangeiros, alimentou a ascensão da extrema-direita na Alemanha. No extremo sul do Tiergarten, em dezembro de 2016, um tunisiano matou 12 pessoas ao invadir com um caminhão um mercado de Natal, em mais um ataque de motivação islamista.

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