Esta é a edição da Maratonar, a newsletter da Folha que ajuda você a se achar no meio de tantas opções de séries e filmes no streaming. Quer recebê-la todas as sextas no seu email? Inscreva-se abaixo: Maratonar Um guia com dicas de filmes e séries para assistir no streaming "Política e cinema não são assim tão distantes. Blefe e genialidade coexistem em ambos, e não é fácil distinguir entre os dois", diz a certa altura um personagem do longa italiano "Viva a Liberdade" (2013), de Roberto Andò. Filmes e séries já aproveitaram muito essa semelhança, desnudando os meandros e as contradições do poder e retratando as sociedades em transformação e a política na vida do cidadão comum. Assim, a poucas semanas das eleições presidenciais no Brasil, indico filmes e uma série que levam a política às telas sob diferentes óticas. A Mulher Faz o Homem (1939) Mr. Smith Goes to Washington. Apple TV e Prime Video, 129 min Poucos diretores da era de ouro de Hollywood retratam tão bem o americano comum quanto Frank Capra. Neste longa, ele leva esse homem à capital dos EUA, como diz o título original, mais adequado à trama do que o adotado nos cinemas brasileiros (algo como ‘Sr. Smith vai a Washington’). Na trama, Jefferson Smith, interpretado por um jovem James Stewart, é um ingênuo líder de escoteiros no interior americano alçado ao cargo de senador. Os que colocaram ali têm um objetivo claro: escolher alguém que não interfira em seus interesses. O idealismo e o patriotismo de Smith, no entanto, entram em choque com os outros políticos. Quem o ajuda é Saunders, a secretária cínica que se apaixona pelo novo senador, interpretada por Jean Arthur. O Leopardo (1963) Il Gattopardo. NetMovies e Looke, 186 min As mudanças políticas e a unificação da Itália dos anos 1860 são o tema deste clássico dirigido por Luchino Visconti e estrelado por Burt Lancaster. O ator é o príncipe de Salina, aristocrata da Sicília que logo entende que "é preciso mudar para que tudo continue como está". Assim, passa a cortejar a burguesia em ascensão e a se aproximar dos revolucionários garibaldinos. Seu sobrinho, Tancredi, interpretado por Alain Delon, representa a manutenção da força política da aristocracia e a aliança com a nova classe social italiana. Está noivo de Angélica (Claudia Cardinale), a bela filha do prefeito local. A sequência do baile aristocrático, em que o príncipe dança com Angélica sob os olhares de Tancredi, está entre as mais belas do cinema. A história conta que Visconti resistiu a aceitar Lancaster no papel principal. No set, se deram tão bem que voltaram a trabalhar em "Violência e Paixão" (1974). O filme é baseado em livro homônimo do italiano Giuseppe Tomasi di Lampedusa, também adaptado para uma série da Netflix em 2025. Leões e Cordeiros (2007) Lions for Lambs. MGM, Prime Video e Apple TV, 92 min "De que adianta um Mercedes se as ruas estão esburacadas?", pergunta o professor Malley (Robert Redford) ao aluno Todd (Andrew Garfield). Ele vê no pupilo um futuro intelectual brilhante, que está em risco diante de sua apatia com a política. Ao mesmo tempo, em Washington, o senador Irving (Tom Cruise) recebe a jornalista Janine (Meryl Streep) e promete um furo de reportagem: a nova estratégia do governo para pôr fim à guerra no Iraque e no Afeganistão. Estamos no pós-11 de Setembro. No front, dois soldados que ficaram para trás em uma ação esperam o resgate cercados por inimigos. Além de atuar, Redford, morto em 2025, dirige o longa, costurando as ações simultâneas. É um filme enxuto e atual. Os conflitos mudaram, mas discursos, não. Redford, um conhecido apoiador do Partido Democrata, mostra como o que se discute nos gabinetes do poder e a apatia da sociedade podem afetar a vida do cidadão comum. Eleição (1999) Election. Prime Video e Apple TV, 103 min O diretor Alexander Payne (‘Os Rejeitados’) adaptou para o cinema o romance de mesmo nome do escritor Tom Perrotta sobre a eleição em uma escola de ensino médio em Omaha, nos Estados Unidos. O longa pode ser considerado um pequeno clássico dos anos 1990. Nele, o professor Jim, interpretado por Matthew Broderick, em plena crise de meia-idade, não nutre muitas simpatias pela aluna Tracy Flick, papel de uma Reese Witherspoon em começo de carreira. Incomoda-o o fato de ela ser candidata única à presidência do grêmio estudantil do colégio. Jim então decide incentivar um segundo nome na corrida eleitoral, o de um atleta popular, Paul, para desbancar a favorita. A interferência do professor vai se agravando, no mesmo ritmo da crise pessoal dele. Pelo filme, Payne foi indicado ao Oscar de roteiro adaptado em 2000. Viva a Liberdade (2013) Viva la Libertà. Apple TV e Prime Video, 94 min Um político italiano que vai mal nas pesquisas decide desaparecer, dar um tempo. Seus assessores entram em pânico. Como explicar o sumiço em plena campanha? Recorrendo ao irmão gêmeo dele, um filósofo. O problema é que acabou de deixar um hospital psiquiátrico. Logo, o irmão gêmeo dá sua primeira entrevista fingindo ser o político. Ao Corriere della Sera, se mostra outra pessoa, mais sincera, bem-humorada e com mais empatia. Jornalistas, assessores e aliados se perguntam como o político mudou tanto. A popularidade e as pesquisas disparam. Enquanto isso, o verdadeiro político vai à França, se reconecta com uma amiga da juventude e com a antiga paixão, o cinema. Na pele dos irmãos está o ator Toni Servillo ("A Grande Beleza"), que, com sutileza, os distingue na interpretação. Essa comédia política perde um pouco de ritmo na parte final, mas ainda assim vale a pena ser vista. Como nos diz o diretor Roberto Andò, é preciso ser um pouco louco para dizer verdades na política. O Palácio Francês (2013) Quai d’Orsay. Apple TV e Reserva Imovision. 113 min O diretor Bertrand Tavernier leva às telas o dia a dia do gabinete do ministro de relações exteriores sob o olhar de Arthur (Raphaël Personnaz), jovem contratado para ser o responsável pela "linguagem" do ministério. Ou seja, será o responsável pelos discursos do titular da pasta. Na selva que é o gabinete de um político, o novato tem de lidar com a vaidade do ministro e suas frases prontas, o fogo amigo entre os assessores, cada um especializado em uma região do mundo, e crises diplomáticas sem hora para começar. Em meio a tudo isso, se destaca a figura de Claude, papel do ator Niels Arestrup, espécie de chefe de gabinete e eminência parda do ministério. Não espere um filme sério, sisudo. O tom é de comédia, talvez o ideal para o registro de um político e seus assessores em ação. Uma curiosidade: o nome original do longa, "Quai d’Orsay", é o endereço do ministério em Paris. Borgen Borgen. Netflix, 4 temporadas Esta é uma produção nórdica, mas esqueça o suspense e as tramas policiais. Nela, a tensão vem da política. A série acompanha a trajetória de Birgitte Nyborg (Sidse Babett Knudsen), eleita primeira-ministra da Dinamarca. O poder e a chamada governabilidade impõem duras escolhas a ela. Entre elas estão escantear um aliado antigo e fazer concessões reprovadas por um partido que sustenta seu governo. Ao mesmo tempo, tem de lidar com a imprensa e a oposição ferrenha de um parlamentar de extrema direita. Como Birgitte é uma mulher no poder, ainda tem as cobranças domésticas. Seus filhos e marido a veem cada vez mais tomada pelo dia a dia no Borgen, ou "Castelo", apelido para o Palácio de Christiansborg, sede do Parlamento da Dinamarca. A série teve uma primeira leva de três temporadas entre 2010 e 2013 e, em 2022, voltou para mais uma, com o título "Borgen: O Reino, o Poder e a Glória", agora com Birgitte como ministra das Relações Exteriores. O que está chegando As novidades nas principais plataformas de streaming Invasão a Paris (2024 -) Paris Has Fallen. Primeira temporada chega em 22 de setembro no Globoplay. Vincent Taleb (Tewfik Jallab), um agente de proteção do governo francês, se une a Zara Taylor (Ritu Arya), membro do serviço secreto de inteligência do Reino Unido, após um ataque terrorista. Juntos, tentam desmontar uma conspiração que ameaça Paris. American Horror Story (2011 - ) Chega ao Disney+ em 24 de setembro A antologia de Ryan Murphy e Brad Falchuk chega com os primeiros episódios da 13ª temporada e vai ter o retorno de alguns personagens, como Constance Langdon (Jessica Lange), Cordelia Goode (Sarah Paulson) e Kai Anderson (Evan Peters). Toy Story 5 (2026) Estreia no Disney+ no dia 23 de setembro A sequência, uma das mais aguardadas do ano, figurou entre as maiores estreias de 2026. A história leva os personagens a uma nova aventura sobre amizade e amadurecimento. Quando Bonnie ganha Lilypad, um tablet, Jessie vê a menina se afastar dos brinquedos. Ao longo do filme, a vaqueira se lembra de traumas do passado ao tentar preservar a imaginação e a pureza da infância da pequena. Habeas Corpus (2026 -) Primeira temporada estreia na Netflix em 23 de setembro. Inez (Marjorie Estiano), professora de direito, lidera um grupo de alunos para provar a inocência de um jovem condenado, enquanto o grupo descobre falhas no sistema judiciário. Marjorie divide o protagonismo com Any Gabrielly, que vive Marina, aluna de direito cheia de contradições. O Novato (2018 - ) The Rookie. Sétima temporada estreia dia 21 de setembro no Prime Video. John Nolan (Nathan Fillion), homem de cidade pequena, recomeça a vida após um incidente e entra para a polícia de Los Angeles. Como o novato mais velho da turma, enfrenta a carreira ao lado de parceiros mais jovens, usando experiência, determinação e humor. Brothers (2026 - ) Estreia na Apple TV em 23 de setembro. Matthew McConaughey e Woody Harrelson —em versões ficcionalizadas deles próprios— passam a viver com suas famílias em um rancho em Austin, no Texas. A vida em conjunto testa a longeva amizade após descobrirem que os dois podem ser, na verdade, irmãos. Veja antes que seja tarde Uma dica de filme ou série que sairá em breve das plataformas de streaming Não Se Preocupe, Querida (2022) Don't Worry Darling. Disponível na Netflix até dia 26 de setembro, 123 min. Dirigido por Olivia Wilde, o longa traz o cantor Harry Styles dando vida ao personagem Jack, que é casado com Alice, interpretada por Florence Pugh. A história é uma espécie de distopia de inclinação feminista, apontando que nem tudo o que parece ser perfeito de fato o é na sociedade americana. A estreia do filme, em 2022, foi envolta em fofocas. Uma dessas polêmicas é que, como Wilde namorava Styles, Pugh teria se sentido desrespeitada porque a diretora, por vezes, se preocupava mais em ficar com o novo namorado do que com as filmagens em si.
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