Turquia afirma que pegada clim�tica da IA ser� prioridade na COP31

Turquia afirma que pegada clim�tica da IA ser� prioridade na COP31

A Turquia, país anfitrião da COP31, afirmou nesta segunda-feira (21) que buscar uma "inteligência artificial climaticamente responsável" será uma das prioridades durante a cúpula climática das Nações Unidas, que acontecerá entre 9 e 20 de novembro. A conferência da ONU será realizada na cidade litorânea de Antália, em parceria com os a Austrália. A chefia turca do evento já disse que deverá promover iniciativas para combater emissões provenientes do lixo, tornar as cidades mais resilientes ao clima e impulsionar a eletrificação da economia. Agora, o presidente da COP31 e ministro do Clima da Turquia, Murat Kurum, anunciou que a cúpula também abordaria os temores crescentes em relação à ascensão da IA e sua pegada de carbono. "A COP31 estará à altura deste momento", disse em um pronunciamento em Nova York, onde participa da semana do clima que todos os anos acontece na cidade. "Precisamos discutir abertamente o crescente consumo de energia da IA, e chegou a hora de os governos começarem a definir regras. Esperamos que as empresas sejam transparentes sobre seu uso de energia e abasteçam suas operações com energia limpa." A presidência da COP31 informou, ainda, que está elaborando um compromisso político sobre como a IA pode contribuir para as metas climáticas. Elaborada com uma agência das Nações Unidas, uma minuta sobre esse assunto deve ser apresentada antes da cúpula. Integrando a chamada Agenda de Ação, que reúne medidas focadas principalmente na iniciativa privada, o compromisso teria adesão voluntária. Portanto, não precisaria passar pelo processo de aprovação por consenso das quase 200 nações participantes das negociações formais. Uma segunda iniciativa deve trazer projetos-piloto para demonstrar "o uso responsável da IA". Planeta em Transe Uma newsletter com o que você precisa saber sobre mudanças climáticas Em um arranjo incomum, neste ano a Turquia sedia o evento e elabora essa agenda paralela, enquanto a Austrália preside as negociações políticas. A principal proposta da Turquia é uma nova meta de elevar para 35% até 2035 a parcela da demanda global de energia atendida pela eletricidade. Para isso, porém, o ritmo atual de eletrificação precisaria mais do que dobrar, segundo análise da Agência Internacional de Energia Renovável. Em termos simples, eletrificação significa substituir por alternativas elétricas tecnologias que queimam combustíveis fósseis diretamente —como sistemas de aquecimento a gás e veículos a gasolina. Para enfrentar as mudanças climáticas, a eletricidade adicional deve vir principalmente de fontes limpas, como a solar e a eólica. A meta "35x35" da Turquia não especifica como essa energia adicional deverá ser produzida. Nas sempre penosa diplomacia climática, os países estão divididos quanto ao caminho para eliminar gradualmente os combustíveis fósseis que aquecem o planeta. Não se espera um grande avanço sobre esse ponto controverso nas negociações deste ano, apesar dos esforços brasileiros de promover a ideia do "mapa do caminho" para abrir mão da energia suja.

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