Tr�s anos ap�s o 7 de Outubro, Oriente M�dio � outro

Tr�s anos ap�s o 7 de Outubro, Oriente M�dio � outro

O Oriente Médio, berço das primeiras civilizações, deu à luz o irmão gêmeo do progresso, o conflito humano. As primeiras guerras entre cidades-Estado ocorreram entre os atuais Iraque e Irã, assim como a estreia do registro de uma batalha ocorreu onde hoje é Israel. A história moderna da região, alvo de cobiça de potências por sua posição estratégica e seu petróleo, repete o padrão. Conflitos definem mais sua linha do tempo do que os espasmos de paz. Um desses marcos foi relembrado nesta quarta. No dia 7 de outubro de 2023, terroristas do Hamas deixaram a Faixa de Gaza e promoveram um dos mais horrendos massacres da era moderna, o maior da história israelense. Cerca de 1.200 pessoas perderam a vida, e 251 foram capturadas —44 delas morreram depois. O trauma nacional tornou-se marca indelével em um país nascido e acostumado a guerras. O que sobreveio à barbárie é conhecido. A reação justa contra o Hamas tornou-se uma campanha desproporcional em Gaza, fazendo do território ruína para 2,2 milhões de habitantes e túmulo para dezenas de milhares. De modo mais amplo, a retaliação tomou forma contra o adversário de fato de Israel, o Irã, cuja teocracia tem por princípio a destruição do Estado judeu. Como previu o belicoso premiê Binyamin Netanyahu, o Oriente Médio não é o mesmo, passados três anos do 7 de Outubro. Israel partiu para um acerto de contas com prepostos de Teerã, o Hezbollah libanês à frente, e ficou em posição de força. Entrou em embate direto com os iranianos em 2025, ensaio para o conflito aberto pelo aliado Donald Trump neste ano, que segue inconcluso e afetando a economia global. Houve efeitos inesperados para Netanyahu. O enfraquecimento do Irã levou à queda da ditadura síria, inimiga de Israel, mas consolidou a ascensão da rival Turquia, fiadora do novo regime e igualmente hostil a Tel Aviv. Mais importante, o temor do poderio israelense e da instabilidade iraniana, cujo governo atacou vizinhos no Golfo Pérsico aliados aos Estados Unidos, levou a Arábia Saudita, o Paquistão e os mesmos turcos a firmarem um pacto de defesa mútua inédito. Ele será testado agora, com o apoio anunciado a Riad contra os rebeldes pró-Irã do Iêmen, na renovada guerra civil no país árabe. É um sinal do desengajamento da região proposto por Trump, que de forma contraditória se afunda no atoleiro iraniano. São todas situações fluidas, mas que confluem para uma nova realidade, diferente da que havia até o 7 de Outubro. editoriais@grupofolha.com.br

Original Source

Read the full article at Www1 →

KhanList aggregates and links to publicly available news content. We do not host full articles from third-party sources. Always verify important information with original sources.