Nas próximas horas, o Observatório Neil Gehrels Swift, da Nasa, cairá na Terra. A maior parte do telescópio espacial, de cerca de 1,5 tonelada, vai se desintegrar ao reentrar na atmosfera terrestre. No entanto, espera-se que alguns fragmentos maiores e mais pesados resistam até atingir a superfície. Na tarde desta terça (3), a ONG Aerospace Corporation, que faz pesquisas e análises, previa que o fim do Swift ocorreria às 7h12 desta quarta-feira (4), com uma margem de oito horas para mais ou para menos. Segundo a Nasa, entre os exemplos de detritos orbitais podem estar componentes feitos de titânio, como um suporte de instrumento, anéis e conexões, ou o conjunto de espelhos feito de níquel. A estimativa da agência indica ser baixa a probabilidade de que um fragmento do telescópio fira alguém. E, em muitas partes do mundo, o risco é zero. Isso se aplica à Europa e aos Estados Unidos. A trajetória do observatório, porém, passa sobre extensas áreas da África, da América Central e da do Sul, da Ásia e da Austrália, representando um risco ínfimo. Lançado em 20 de novembro de 2004, o observatório foi projetado para observar o brilho residual de explosões conhecidas como surtos de raios gama. Os raios gama são uma forma de luz, assim como as ondas de rádio, a luz visível e os raios X, mas têm energia extremamente elevada. Na década de 1960, satélites construídos para monitorar testes de armas nucleares detectaram inesperadamente clarões de raios gama surgindo por todo o Cosmos. Durante anos, astrofísicos tentavam entender como eventos tão distantes podiam ser tão brilhantes. O observatório Swift ajudou a encontrar respostas. Um dos instrumentos do Swift oferecia uma visão ampla do céu em raios gama. Quando esse instrumento ou outro telescópio detectava uma explosão de raios gama, o Swift voltavasse rapidamente para o fenômeno recém-descoberto e efetuava medições detalhadas da luz de alta energia à medida que ela desaparecia. Essas breves torrentes de raios gama contam histórias de momentos de extrema violência cósmica, como explosões estelares e colisões de estrelas pequenas e ultradensas, conhecidas como estrelas de nêutrons. A missão original estava prevista para durar dois anos, por isso a Nasa não incluiu nenhum plano de contingência para elevar a órbita do Swift. Com o tempo, o atrito do ar contra o telescópio fez com que perdesse altitude gradualmente. Agora, ela chegou a uma altitude em que a queda está se acelerando, e em breve o ar estará denso o bastante para despedaçar Swift, transformando-o em um rastro de destroços em chamas. O fim do observatório é visto com tristeza, segundo o astrofísico Brad Cenko, do Centro de Voos Espaciais Goddard, da Nasa, em Greenbelt, Maryland. Ele é o pesquisador principal da missão. John Nousek, professor de astronomia e astrofísica na Universidade Estadual da Pensilvânia (EUA), dirigiu as operações da missão durante os 22 anos de vida útil da espaçonave. Segundo ele, não foi uma surpresa que tenha durado tanto tempo. "Tomamos conscientemente as melhores decisões possíveis para não fazer nada que pudesse limitar a vida útil do Swift", disse ele. A espaçonave não utilizava propulsores e, portanto, não corria o risco de ficar sem combustível. "Só nos alimentamos de luz solar", disse Nousek. "Tudo funciona com baterias." Porém, há dois anos, o Sol esteve mais ativo do que o esperado, e o bombardeio de partículas solares expandiu a atmosfera da Terra, acelerando a queda de satélites como o Swift. A Nasa contratou a startup Katalyst Space Technologies, de Flagstaff, no Arizona, para conduzir uma missão para elevar novamente a órbita do Swift. A espaçonave de resgate foi lançada com sucesso em julho. Mas, ao se aproximar do Swift, sofreu uma falha. Em agosto, a Katalyst e a Nasa abandonaram a missão. Swift retomou as operações científicas para uma última rodada de observações astronômicas antes de a Nasa desligá-lo, no dia 20 do mês passado. "Ele ainda está lá em cima, mas não há como se comunicar com ele. Então, neste exato momento, o pobre satélite está entrando naquela noite fria e escura, completamente sozinho", afirmou Nousek. Cenko disse que a equipe do Swift se reuniria na noite desta quarta-feira para prestar as últimas homenagens à espaçonave. "Vamos fazer uma pequena celebração só para nos reunir, relembrar um pouco e compartilhar histórias."
Telesc�pio da Nasa cair� na Terra nas pr�ximas horas ap�s resgate fracassar
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