S�rie '168 Horas' vira hit inesperado no Instagram com epis�dios curtos e cara de filme

S�rie '168 Horas' vira hit inesperado no Instagram com epis�dios curtos e cara de filme

"168 Horas" é um fenômeno que pegou desprevenido o público e seus criadores. Com três semanas no ar e nenhuma divulgação, a série arrebatou ao menos 616 mil inscritos na página da Jimer Play (@jimerplay no Instagram) e uma torcida ansiosa pelo desenlace da história entre um sujeito que tenta o suicídio e a moça que pede uma semana —as horas do título— para fazê-lo mudar de ideia. O episódio final vai ao ar nesta sexta (11), às 18h, como foram os 14 anteriores, lançados um a um. Parece um contrassenso juntar um formato recente e afeito aos novinhos, o de microsséries na vertical, ao costume de ver episódios a conta-gotas e criar expectativas dos 30+, que perdeu a primazia quando a Netflix despejou no ar a primeira temporada de "House of Cards" toda de uma vez, em 2013. Não é. Foi o jeito que Eduardo Gil Jr., o criador da série, diz ter achado para lidar com o que vê como superficialidade e imediatismo crescentes. "Sou um chato com os mais novos, com essa loucurada [de redes]. E não posso lutar contra isso, é uma geração online", diz ele à coluna. A solução foi adaptar linguagem e referências ao formato. Gil, que mantém uma escola de cinema e televisão em Porto Alegre, também dirigiu os episódios e cofundou com cinco sócios a Jimer Play, plataforma gratuita que exibe a série. Deu tão certo que os planos mudaram. "A gente achava que esse [os muito jovens] era o público para esse formato, mas desde o começo vimos que nosso público era muito mais adulto", afirma. A surpresa fez com que as outras três séries criadas pela equipe, mais teen, fossem deixadas de lado por ora para priorizar os temas adultos. A próxima produção que chega ao canal no Instagram, em 28 de setembro, é "Nossa Casa de Vidro", sobre uma criança que sofre violência. A Jimer também decidiu lançar um canal à parte com pegada adolescente, que deve entrar no ar em novembro, separando os dois públicos. Afinal, "168 Horas" parece ter acertado no filão. Apesar de cada episódio durar pouco mais de dois minutos, a produção usa linguagem mais próxima à do cinema e se arrisca em temas complexos. Otávio (Matheus Xavier) contempla o suicídio após ter enganado parentes e amigos para pagar seu vício em bets. A moça que o convence a repensar a ideia (Isadora Vasconcellos, a cara da americana Julia Garner) tem um passado traumático de abusos, uma família rica e parece buscar a própria redenção. O roteiro de timing apurado cria suspense conforme as identidades dos dois se revelam —e, sim, tem romance no meio, embora a série encontre seus melhores momentos no drama e no thriller. São só os dois atores em cena, já que no roteiro não cabe desperdício, e ambos aproveitam bem essa atenção exclusiva da câmera. Diferente da praxe no gênero, porém, muitas tomadas foram feitas nas ruas de Porto Alegre, em uma semana de filmagens após uma gestação de ideias e roteiro iniciada em março. Os temas áridos tratados com delicadeza vieram do repertório do roteirista, que conta ter se inspirado em histórias de gente próxima com problemas similares. Dependência, compulsão e abuso, aliás, têm se disseminado, o que pode explicar o impacto da série. "A gente não tem hater", diz Gil ao falar dos comentários deixados no canal. "Eu acho isso alucinante." LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

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