Nesta quarta-feira (27), São Luís, a capital do Maranhão, recebeu seu primeiro voo internacional. Vindo de Lisboa e operado pela TAP, a rota terá entre duas e três frequências semanais, com uma parada em Fortaleza na volta para a Europa. O novo voo deve encurtar a viagem de turistas europeus que pretendem visitar os Lençóis Maranhenses. Também nesta semana, o hotel Vila Galé Collection Ópera São Luís, instalado em um casarão do século 19 no centro histórico, entrou em operação plena. Atualmente, para boa parte dos turistas, São Luís é apenas uma escala inevitável a caminho dos Lençóis. Mas quem dá uma chance à capital dificilmente se arrepende. Convém se planejar para estar na cidade durante o final de semana, seja antes ou depois da ida aos Lençóis —afinal, as lagoas do parque nacional estão sempre lá, enquanto a agito na capital é mais concentrado entre sexta e domingo. É uma boa estratégia para enriquecer a viagem e deixá-la menos cansativa. Embora o novo Vila Galé esteja no centro histórico, a maior parte da rede hoteleira de São Luís fica próxima à praia, nos valorizados bairros de São Marcos e Ponta d’Areia. Eles são divididos pela praça do Sol, cartão postal da cidade que foi reformado no início deste ano. É um ótimo lugar para caminhar, petiscar comidas de rua e, como o nome sugere, ver o pôr do sol. Quem quiser sentar e comer com calma, pode caminhar poucas quadras até a Casa de Juja, restaurante familiar que começou em um quintal na periferia e hoje também tem unidades em Atins e Tutoia. O destaque do cardápio é o Sonho de Juja, prato equilibrado e rico em sabor que leva filé de camarões cobertos com creme de macaxeira, milho verde e queijo coalho gratinado. Outro bom menu por ali é o bar Qu4tro, que fica em um centro comercial e gastronômico de frente para o mar —algumas mesas são pé na areia. Vale provar a macaxeira metida à besta (coberta com charque acebolado e manteiga de garrafa) e o carpaccio, acompanhados de alguma opção das extensas cartas de drinques e de vinhos. Mas a parte mais interessante de São Luís é mesmo o seu centro histórico, mais ao sul, cruzando a ponte sobre o rio Anil. A cidade foi fundada ali, primeiro pelos franceses, depois ocupada pelos holandeses e conquistada pelos portugueses, que ergueram os casarões revestidos de azulejos que são são a marca do lugar —considerado um patrimônio mundial desde 1997. Por ali, o programa é bater perna. Comece pelo Mercado das Tulhas e seu entorno, que concentra lojinhas de artesanato e produtos locais, como a cachaça Tiquira e a farinha de puba. As lojinhas também têm muitas opções de vestuário de linho cru a preços bastantes honestos. As escadaria da rua do Giz (já eleita uma das ruas mais bonitas do mundo) levam à parte alta do centro histórico, onde estão o Palácio dos Leões, sede do governo estadual, a catedral da cidade e a praça João Lisboa, onde ficam os casarões mais bem preservados do conjunto tombado. A praça é uma boa opção para os domingos, quando acontece Feirinha São Luís, com artesanatos, comidas típicas e apresentações de capoeira, bumba meu boi e tambor de crioula. Não deixe de subir no Mirante da Cidade, no topo do prédio da secretaria municipal da Fazenda —o único edifício por ali, e o terceiro construído na cidade, antes do tombamento do centro. O barato desse mirante é observar do alto o movimento da maré, que em São Luís tem uma das maiores variações do mundo, que chega a seis metros. Enquanto na maré baixa é possível ver quilômetros do leito da baía de São Marcos, na cheia, tudo parece mar. Uma vez no centro, quando a fome bater, há pelo menos dois restaurantes imperdíveis. Ao lado do Mercado das Tulhas, o Flor de Vinagreira é o cenário perfeito para provar delícias como o tiquinho maranhense (um mix de entradinhas com vatapá, arroz de cuxá, camarão e caranguejo) e a moqueca. Já o restaurante-escola do Senac, que abre só no almoço, tem um bufê farto e variado onde se come à vontade por um preço fixo. Entre os tantos patrimônios culturais de São Luís, não vale a pena deixar a cidade sem visitar o bairro da Liberdade, reconhecido no ano passado como o maior quilombo urbano do Brasil. Se for durante o dia, o turista pode começar o passeio pelo Centro de Cultura e Turismo do bairro e depois enveredar pelas casas de cultura, como a do Mestre Leonardo e a do Tambor de Crioula Maracrioula. Às sextas e sábados à noite, o reggae é certo na produtora Novo Quilombo, em frente à esquina Bob Marley. Assim como o museu do reggae (no centro histórico, atualmente fechado para reforma), o lugar mostra a força dessa cultura no estado e ajuda a explicar por que São Luís, mesmo distante do Caribe, é conhecida como a jamaica brasileira.
S�o Lu�s mant�m tradi��es enquanto se renova com voo internacional e hotel de luxo
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