O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, aposta do PSD para a disputa à Presidência, tentou, mas derrapou no objetivo de se tornar a opção mais lembrada do eleitor que não quer nem Lula (PT) nem Flávio Bolsonaro (PL), mesmo em cenário de alta rejeição, no qual os dois cabeças na disputa amargam 45% de brasileiros que não votariam neles de jeito nenhum, segundo Datafolha divulgado no dia 1º de outubro. Caiado batalhou pelo lugar na sigla de Kassab e venceu Eduardo Leite (PSD) e Ratinho Jr. (PSD), este por default —uma vez que o governador do Paraná desistiu de tentar a Presidência— e teve certa tração na corrida eleitoral, ao menos entre grupos de empresários, que chegaram a encará-lo como uma opção mais estável que Flávio Bolsonaro. A agenda junto a empresários de São Paulo em busca de apoio, porém, não resistiu aos baques que fizeram a campanha aparentemente naufragar, embora o resultado só possa ser medido com a apuração das urnas neste domingo (4). Enquanto o político pedia ao empresariado que "espalhasse a palavra" para torná-lo mais popular, seguiu em agendas em São Paulo sem ser reconhecido pelas pessoas nas ruas e distante do eleitorado alheio a Goiás. Um dos choques na campanha foi o voo de galinha de Augusto Cury (Avante), que, no fim de agosto e em setembro, ultrapassou adversários e chegou a alcançar dois dígitos em algumas pesquisas, proeza não alcançada pelo adversário goiano. Acompanhe na Folha em tempo real a apuração do 1º turno das eleições Cury tem agora 3% dos votos totais, segundo Datafolha deste sábado (3), frente a 4% de Caiado. Renan Santos (Missão) tem 3%, e Romeu Zema (Novo) não pontuou. Lula tem 42%, e Flávio, 40%. Disseram votar em branco, nulo ou nenhum 4%, e 3% são indecisos. A pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Outro baque na disputa foi o próprio desempenho do goiano nos debates e entrevistas. Ele foi criticado por não conseguir detalhar planos de governo, argumento que o candidato, que é médico, rebateu dizendo só ser possível "examinar o paciente", o equivalente a dar mais detalhes sobre como sanar os problemas do país estando na cadeira de presidente. Outra crítica foi a dificuldade de nacionalizar o discurso, percebida em deslizes nos próprios debates, quando o político chegou a confundir o cargo que pleiteia ao dizer que iria se tornar "governador do estado" durante sabatina da Folha e do UOL em setembro. Outro episódio usado para ilustrar que a campanha do político não deslanchou, talvez pelo baixo desempenho, foi o flagra de seu vice e líder de partido, Gilberto Kassab, dormindo durante a fala de Caiado no debate de agosto da TV Bandeirantes. A cena viralizou nas redes sociais, e Kassab negou o cochilo, dizendo que mexia no celular. O episódio foi usado por eles na sequência, em tom de brincadeira, para promover a candidatura. "Comigo na Presidência, você vai dormir tranquilo igual ao Gilberto Kassab no debate", publicou Caiado nas redes. O goiano foca o combate à violência, pauta à qual sempre tentou se associar. Um dos destaques do plano do presidenciável é endurecer penas, classificar as organizações criminosas como terroristas e criar uma polícia conjunta com países vizinhos. Na economia, promete reduzir as despesas e atrelá-las a no máximo 50% do PIB (Produto Interno Bruto), corrigidas pela inflação, com enfoque no corte de emendas parlamentares. Em relação à saúde, propõe menos tempo nas filas do SUS (Sistema Único de Saúde), foco no tratamento preventivo de doenças e o uso de inteligência artificial para auxiliar profissionais do setor. De nomes que poderiam compor o governo, citou na Fazenda Armínio Fraga como referência, Roberto Azevêdo, ex-diretor-geral da OMC (Organização Mundial do Comércio), para Relações Exteriores, e a própria médica, a cardiologista Ludhmila Hajjar, para a pasta da Saúde. Eleições Hoje Receba no seu email destaques das campanhas, pesquisas e disputas nos estados Outro nome citado foi o do promotor Lincoln Gakiya para a pasta da Segurança Pública, embora Gakiya tenha afirmado na época do convite que não se manifestaria sobre o assunto por ser promotor da ativa. Durante o percurso até este 4 de outubro, Caiado mudou de estratégia para tentar alçar voo e chegar ao segundo turno com Lula (PT), que, gosta de dizer, só poderia ser derrotado nessa fase do pleito por ele. No início, não agia frontalmente contra Flávio Bolsonaro, mas depois passou a atacar o senador de maneira mais direta, tentando conquistar o eleitor crítico ao filho de Jair Bolsonaro (PL). A tática chegou a gerar a troca do marqueteiro Paulo Vasconcelos pelo publicitário Marcos Carvalho, porque o primeiro defendia postura de menor embate com Flávio. O alvo de toda vida, porém, é Lula, contra quem faz questão de reforçar a forte oposição e atrelar à corrupção. É por isso que a tendência é que o goiano apoie Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno do senador com o petista, embora Caiado tenha evitado antecipar o apoio. Na medida em que a campanha não deslanchou, Caiado tem se voltado para Goiás, onde gosta de lembrar que tem índices de aprovação acima de 80%. O domingo de apuração vai contar com o candidato em Goiânia, ao lado da esposa, Gracinha (União Brasil), que tenta uma vaga no Senado. Caiado foi deputado federal por cinco mandatos, o primeiro iniciado em 1991. Em 2014, foi eleito senador por Goiás. Chegou ao Executivo do estado em 2018 e foi reeleito no pleito seguinte. No Congresso, passou a maior parte do tempo no PFL (que virou DEM em 2007 e, depois, tornou-se União Brasil). Sua atuação política foi marcada pela defesa do agronegócio e pela oposição ao PT, além de apelo às bandeiras da segurança pública e do combate à corrupção.
Ronaldo Caiado encerra campanha no 1� turno sem se consolidar como alternativa a Lula e Fl�vio
Full Article
Original Source
Read the full article at Www1 →KhanList aggregates and links to publicly available news content. We do not host full articles from third-party sources. Always verify important information with original sources.