Rafael C�mara impressiona chefe da Haas por talento que 'n�o se ensina'

Rafael C�mara impressiona chefe da Haas por talento que 'n�o se ensina'

Ayao Komatsu, chefe da Haas, teve a oportunidade de indicar seu compatriota Ryo Hirakawa para assumir uma vaga de titular na equipe em 2027. Mas preferiu o brasileiro Rafael Câmara. Durante uma seletiva feita pela escuderia no Autódromo Internacional do Algarve, em Portimão, Portugal, o pernambucano foi mais rápido do que o concorrente e ainda mostrou uma habilidade que surpreendeu Komatsu. "Existem muitas coisas que você pode ensinar a um piloto, mas a sensibilidade que ele tem ou não tem para sentir a aderência não é algo que se ensina. Ou o piloto tem isso ou não", disse o japonês à Folha. Para ele, essa é uma das características que diferenciam o brasileiro. "Quando nós fizemos o teste de 40 voltas [em setembro], as condições eram muito desafiadoras e mudavam o tempo todo. A maneira como ele pilotou de acordo com as condições mostrou, para mim, que ele tem uma sensibilidade muito boa para perceber a aderência, o comportamento do carro e dos pneus", afirmou Komatsu. "Independentemente das mudanças nas condições [da pista ou do carro], ele consegue levar o carro ao limite", acrescentou. A capacidade de adaptação será ainda mais importante neste domingo (8), quando Câmara fará sua estreia na F1 diante da torcida brasileira, no GP de São Paulo, às 14h (de Brasília). Contratado pela Haas para assumir um dos carros da equipe em 2027, ele teve sua estreia antecipada após a saída do francês Esteban Ocon, que entrou em rota de colisão com a escuderia americana. Câmara poderia ter estreado no fim de semana passado, mas a equipe preferiu escalar Hirakawa no GP do México, deixando para o Brasil a primeira oportunidade do pernambucano. Komatsu, no entanto, tenta evitar que a expectativa em torno do piloto aumente a pressão, que já é grande. A orientação é que ele não se preocupe com tempos de volta, posições ou comparações com os rivais e com seu companheiro de equipe, o britânico Oliver Bearman. A ideia é que Câmara se concentre em entender o comportamento do carro e transmitir suas impressões aos engenheiros, já pensando em sua sequência como titular em 2027. Mais do que um resultado específico, o chefe da Haas espera que o brasileiro tenha um fim de semana limpo. "A meta é terminar a corrida", afirmou Komatsu. "O objetivo é muito claro: simplificar tudo para que Rafa possa se concentrar naquilo que faz de melhor, que é pilotar o carro com sensibilidade." No treino classificatório, o brasileiro avançou ao Q2 e vai largar na 11ª posição. Largando no meio do pelotão, chegar ileso ao fim da primeira volta costuma ser um desafio. Em 2025, Gabriel Bortoleto, também em sua primeira corrida em Interlagos, abandonou a prova após uma batida na volta inicial. Câmara tem a experiência do amigo como referência, mas também seu próprio jeito de lidar com momentos de grande expectativa. Dudu Massa, ex-agente do brasileiro e irmão de Felipe Massa, trabalhou com o pernambucano do kart até o início de sua trajetória nos carros de fórmula, em 2022. Nesse período, identificou habilidades que agora poderão ser vistas na F1. "O Rafa tem um talento natural absurdo", disse Dudu, antes de citar um episódio no qual o piloto tinha 14 anos. "Era um menino que era menor que todo o mundo numa corrida de 12 horas, estava com a mão toda estourada de bolha, com um kart pesado, e mesmo assim ele conseguia se superar, com muita raça." O empresário vê em Rafael características semelhantes às de seu irmão, como a determinação. "Ele sempre teve uma certeza de que chegaria [à F1]. E é uma coisa que eu sempre vi no meu irmão. O meu irmão sempre teve certeza de que era aquilo ou eu não sei o que faria da vida", contou. Se chegar à categoria era o primeiro grande objetivo, manter-se nela será outro desafio, tão difícil quanto. Na avaliação de Dudu, Câmara ainda precisa acelerar seu desenvolvimento técnico para diminuir a distância em relação a pilotos que tiveram contato mais precoce com os monopostos, como Kimi Antonelli, atual campeão e mais jovem vencedor da história da F1, aos 20 anos, pela Mercedes. O brasileiro e o italiano correram juntos em categorias de base, no kart e em fórmulas regionais na Europa. Mas Antonelli teve uma formação mais acelerada nos monopostos e, segundo Dudu, chegou a essa etapa com maior conhecimento sobre o funcionamento dos carros. "Não era uma diferença de talento puro. Talvez o Kimi tivesse respostas mais fáceis para algumas situações porque cresceu dentro da oficina do pai. Ele cresceu andando de tudo, fazendo de tudo. Então tinha mais facilidade para saber o que fazer com o carro, como mudar a guiada, como se adaptar." A confiança de Dudu no potencial do antigo pupilo permanece intacta. Mesmo reconhecendo que ainda há etapas a cumprir, ele acredita que Câmara pode dividir novamente as pistas com Antonelli em disputas por posições importantes na F1. "O Rafa é uma pedra bruta. Se for lapidada da melhor maneira possível, será um dos dois melhores pilotos da geração dele, junto com o Kimi", finalizou Dudu.

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