The New York Times Os anúncios começaram a aparecer poucas horas depois dos saques na França. À venda, havia uma variedade de itens —bolsas, produtos para cuidados com a pele e brilhos labiais— suspeitos de terem sido roubados por pessoas que quebraram vitrines e esvaziaram lojas em Paris, Lyon, Marselha e outras cidades durante o fim de semana. Os protestos na França, que começaram em torno das condições nas escolas e se ampliaram para manifestações contra o aumento do custo de vida, deram lugar a tumultos no sábado e no domingo. Vários prédios públicos foram danificados e mais de 3.000 lojas foram saqueadas, levando à prisão de mais de 2.500 pessoas, segundo autoridades. Pedestre fotografa loja da Louis Vuitton danificada em Paris, após protestos contra o alto custo de vida que provocaram saques e confrontos com a polícia na França - Matthieu Rondel - 18.out.26/AFP Em Paris, muitas lojas do bairro de Les Halles foram saqueadas e depredadas, enquanto a Place de la Bastille e a Place de la Concorde se tornaram pontos de confronto entre a polícia e os manifestantes. Entre os estabelecimentos invadidos estavam lojas da Louis Vuitton, Céline, Hermès e North Face, além de lojas de videogames, farmácias e lojas de eletrônicos. Uma estimativa preliminar apontou que os danos custariam várias centenas de milhões de euros. Sites de revenda, incluindo o Vinted, disseram nesta semana que estavam intensificando o combate a anúncios de itens suspeitos de terem sido saqueados. A empresa afirmou estar trabalhando com as autoridades francesas para detectar atividades maliciosas. "Desde o fim de semana, nossas equipes tomaram medidas imediatas para identificar e remover anúncios relacionados aos saques, e intensificamos o monitoramento de anúncios suspeitos", afirmou o Vinted em comunicado. "Quando nossas regras são violadas, tomamos medidas contra as contas envolvidas, que podem chegar ao banimento permanente." O presidente francês, Emmanuel Macron, advertiu no domingo que "aqueles que saquearam terão de pagar, e os que tentaram derrubar a república serão responsabilizados". Mas o número de pessoas envolvidas nos saques é muito maior do que a polícia conseguirá prender, e será praticamente impossível para os sites de revenda retirar todos os itens roubados, dada a dimensão dos furtos, afirmou Charlotte de Montpellier, economista do ING Bank. "Não espero que essas empresas consigam rastrear tudo", disse ela. O teste para a economia francesa como um todo, acrescentou, será a duração dos protestos e se os distúrbios continuarão. "Pode haver mais episódios, o que, naturalmente, terá um impacto significativo na conta final", afirmou. A França estava tranquila na quarta-feira (21), mas o primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, disse que uma grande operação de segurança estava sendo planejada para a próxima onda de protestos, prevista para sábado. Serge Papin, ministro do Comércio, e Anne Le Hénanff, ministra dos Assuntos Digitais, reuniram-se na segunda-feira com plataformas de revenda para discutir o reforço da cooperação com as autoridades francesas na identificação e denúncia de mercadorias roubadas. A Alliance Française des Places de Marché, que representa plataformas como eBay, Vinted e Etsy, afirmou em comunicado após a reunião que seus membros concordaram em intensificar o monitoramento para detectar produtos que possam ter sido obtidos em saques e informar os consumidores sobre as penalidades associadas à compra de mercadorias roubadas. Os prejuízos para as empresas vão além da reposição dos produtos saqueados. Na terça-feira (20), o Carrefour, maior varejista de alimentos da França, reduziu suas projeções financeiras para o ano devido aos custos indiretos dos tumultos: aumento dos gastos com segurança e logística, redução do número de clientes, fechamentos preventivos e diminuição do horário de funcionamento em razão dos toques de recolher. "Nosso grupo enfrenta uma situação sem precedentes na França", afirmou em comunicado Alexandre Bompard, presidente-executivo da empresa. "Há um alto grau de incerteza quanto à evolução dos gastos dos consumidores e às condições em que nossas lojas poderão funcionar." Segundo ele, cerca de 50 lojas foram afetadas por atos de vandalismo, com prejuízos de pelo menos dezenas de milhões de euros. O governo francês informou que empresas obrigadas a reduzir ou suspender suas atividades poderiam receber ajuda financeira, como empréstimos sem juros. Funcionários impossibilitados de trabalhar receberiam uma compensação equivalente a 60% do salário, enquanto aqueles que ganham o salário mínimo receberiam o pagamento integral. As empresas também poderiam solicitar auxílios emergenciais de até 1.500 euros (R$ 8.547). Além disso, o governo está criando um fundo de apoio para empresas com menos de 50 funcionários, que poderão receber um pagamento fixo. Se os tumultos continuarem, a preocupação é que turistas cancelem viagens a Paris e que empresários fiquem receosos de abrir novos negócios ou reabrir lojas, afirmou de Montpellier. Por esses motivos, "acreditamos que o impacto sobre a economia possa ser um pouco maior" do que o provocado pelas grandes manifestações na França em 2018, disse ela.
Produtos saqueados na Fran�a aparecem � venda em sites de revenda
Full Article
Original Source
Read the full article at C-level →KhanList aggregates and links to publicly available news content. We do not host full articles from third-party sources. Always verify important information with original sources.