Policiais militares estão entre os alvos de uma operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro realizada nesta terça-feira (13) contra uma rede que, segundo a investigação, abastecia o CV (Comando Vermelho) com drogas e armamentos. Os agentes públicos são suspeitos de usar a função para repassar à facção informações sobre ações policiais e de participar da venda clandestina de armas e munições. Até a manhã desta terça, três pessoas haviam sido presas, duas por mandado e uma em flagrante. As equipes foram a endereços em Del Castilho e na Penha, na zona norte do Rio, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense e em Maricá, na região metropolitana. Os sete mandados de prisão foram expedidos pela 16ª Vara Criminal da Capital. Um dos presos é Leonardo Aguiar, o Da Nike, apontado pelos investigadores como integrante do braço armado do CV. A reportagem não localizou advogado cadastrado em nome dele no sistema do TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro). Um outro homem foi preso flagrante com uma pistola, um radiocomunicador e uma moto roubada. A operação é conduzida pela DRE-CAP (Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Capital), com a Corregedoria da Polícia Militar e o Gaeco (Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado) do MPRJ (Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro). A PM do Rio afirmou que a Corregedoria Geral da Corporação participa da operação contra um policial militar da ativa e que "reitera seu total compromisso com a transparência e a lisura na atuação policial militar, não tolerando o cometimento de crimes ou desvios de conduta por parte dos seus integrantes, punindo com rigor os envolvidos quando constatados os fatos". Um dos principais alvos da investigação morreu antes da operação. O PM Yuri Luiz Desiderati Ribeiro foi morto a tiros em 12 de julho, ao chegar ao condomínio onde morava, no Pechincha, em Jacarepaguá, na zona sudoeste do Rio. A DHC (Delegacia de Homicídios da Capital) investiga o crime, e uma das hipóteses é a de que a execução tenha partido do próprio CV. Foi a prisão de Yuri que deu origem ao caso. Em outubro de 2023, quando estava na ativa, ele foi detido em flagrante por agentes da DRE-CAP na avenida Brasil com outro homem. Os dois levavam mais de 100 quilos de cocaína. Na ocasião, a Polícia Militar afirmou que não compactuava com desvios de conduta e um inquérito militar foi instaurado. A partir da apreensão, a polícia reuniu indícios de uma estrutura que comprava, transportava e distribuía drogas e armas em larga escala para a facção, com divisão de funções e atuação coordenada para manter abastecidas comunidades sob domínio do CV. A reportagem não conseguiu identificar quem faz a defesa de Yuri neste processo, que está em sigilo. Um advogado que o defende numa causa civil não soube informar quem responde na área criminal. A participação de policiais militares apareceu em uma das frentes da apuração. Yuri, segundo os investigadores, passava informações sobre operações a um traficante de apelido Hot Wheels, identificado como chefe do tráfico em comunidades de São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Outro PM é suspeito de integrar um esquema de comércio ilegal de armas de fogo, munições e acessórios. Ele não havia sido localizado até a manhã desta terça. Ainda segundo a investigação, outros integrantes do grupo formavam o braço armado da facção, encarregado da segurança de chefes do tráfico e da vigilância dos territórios. A apuração seguiu após a morte de Yuri e chegou a outros suspeitos. De acordo com a Polícia Civil, o objetivo é atingir não só quem transporta e vende drogas e armas, mas também a estrutura de apoio ao CV, incluindo agentes públicos. A operação continuava em andamento no fim da manhã.
Opera��o no Rio mira PMs suspeitos de abastecer o CV com armas
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