A organização venezuelana de direitos humanos Provea exigiu nesta quarta-feira (30) que a Venezuela atualize e publique de forma contínua os números de mortos e desaparecidos após os dois terremotos que atingiram o país em 24 de junho. Segundo a entidade, as autoridades interinas da ditadura estão há mais de 36 dias sem atualizar o total de mortos e há mais de 96 dias sem divulgar um novo balanço de desaparecidos. O último número oficial de mortos é de 6.509, enquanto o de desaparecidos permanece em 157, divulgado em 25 de junho, um dia depois dos tremores, segundo a Provea. A organização afirma que iniciativas de cidadãos relatam milhares de pessoas sem paradeiro desconhecido, mas ressalva que não há um registro público que permita respaldar esse número. "A informação salva vidas e é uma obrigação do Estado com as vítimas, seus familiares e o país", afirmou. O balanço de mortos permanece sem novas atualizações pelas autoridades. No caso dos desaparecidos, uma plataforma criada para localizar pessoas, o site Desaparecidos Terremoto Venezuela, contabiliza quase 30 mil pessoas cujo paradeiro ainda não foi localizado. A dificuldade para determinar a dimensão da tragédia acompanha o país desde as primeiras semanas após os terremotos. A resposta do regime ao desastre foi alvo de críticas. Parte da população considerou lentas as ações de emergência lideradas por Delcy Rodríguez, enquanto civis assumiram parte dos esforços de resgate nas regiões mais atingidas. Delcy rejeitou as críticas naquele momento, afirmou que as operações de busca e salvamento continuavam e, sem apresentar provas, acusou "laboratórios midiáticos" de tentar prejudicar o trabalho das equipes de emergência. O regime também afirmou, à época, que buscava manter desobstruídas as áreas e estradas atingidas para permitir a circulação de comboios de ajuda e equipes de emergência. Críticos acusaram ainda a ditadura de politizar a resposta à tragédia, inclusive após a Polícia Nacional dificultar uma campanha de arrecadação de doações organizada pela oposição. Os terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 atingiram a Venezuela em 24 de junho e tiveram como principal área de impacto o estado de La Guaira, no norte do país, a cerca de 40 km de Caracas. Edifícios foram destruídos e milhares de moradores passaram a viver em abrigos improvisados. A capital venezuelana também sofreu danos provocados pelos tremores. Cercanías A newsletter da Folha sobre América Latina, editada pela historiadora e jornalista Sylvia Colombo Três meses depois, moradores das áreas mais atingidas ainda enfrentam escassez de água, problemas nos alojamentos temporários, paralisação de atividades econômicas e lentidão na retirada de escombros. A ajuda humanitária diminuiu desde as primeiras semanas, mesmo com as persistentes demandas por alimentos, medicamentos e meios para tornar a água potável. O desastre também deixou consequências para a saúde e a moradia. Há relatos de aumento de problemas respiratórios relacionados à contaminação provocada pelos escombros e de transtornos de ansiedade e outros problemas de saúde mental entre sobreviventes. Parte das pessoas alojadas temporariamente em escolas precisou deixar esses espaços com o início do ano letivo. A reconstrução deve exigir investimentos de até US$ 21 bilhões (cerca de R$ 113,4 bilhões), segundo uma avaliação de necessidades pós-desastre elaborada pela ONU, pelo regime venezuelano e por outras instituições internacionais. O documento estima em US$ 14,8 bilhões (cerca de R$ 80,1 bilhões) as perdas provocadas pelos terremotos.
ONG cobra regime da Venezuela por atualiza��o de mortos e desaparecidos 3 meses ap�s terremotos
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