Onda de amea�as falsas de bomba chega a TVs na Europa

Onda de amea�as falsas de bomba chega a TVs na Europa

Após uma semana de apreensão nos céus europeus, com dezenas de voos afetados por alarmes falsos de bomba, a onda de tensão se ampliou nesta sexta-feira (6) com Redações de canais de TV do continente sendo esvaziadas após ameaças de atentado. E-mails ameaçadores foram enviados para diversas emissoras, como a irlandesa RTE, a britânica Sky News, a búlgara Nova TV e outras. Os funcionários deixaram os prédios, mas em nenhum caso a polícia localizou explosivos. "As ameaças feitas contra organizações de mídia são muito sérias. Ameaças falsas causam medo, estresse e disrupção ao cotidiano das pessoas. Ainda não se sabe quem é responsável, se é um esforço individual ou coordenado", disse, em nota, o governo da Irlanda. "Contudo, essas ameaças ocorrem em sequência à disrupção em curso na aviação em toda a Europa, e parece provável que essa é uma campanha coordenada", completou o texto. A RTE fez uma reportagem afirmando que a ameaça que recebeu foi do mesmo grupo ou pessoa que fez o mesmo contra empresas aéreas. Desde quarta (4), voos estão sendo cancelados ou desviados já no ar devido a ameaças. Como no caso das TVs, nenhuma bomba foi encontrada. Nesta sexta, só até o meio da tarde (final da manhã no Brasil), ao menos 14 aviões foram afetados. Na Hungria, caças Gripen foram acionados para escoltar no ar três voos que haviam sofrido ameaças. Em Praga, nove aviões tiveram a decolagem suspensa e passaram por varreduras para procurar explosivos. No caso das redes RTE e Nova TV, os e-mails dizendo que "o tempo está acabando" foram assinados por um certo Mikhail Andropov, personagem que se apropriou do sobrenome do líder soviético Iuri Andropov. Os textos eram intitulados "Mensagem ao Ocidente", remetendo a uma biografia sobre sobre o influente secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética morto em 1984, chamada "Andropov: Um Novo Desafio ao Ocidente". Como governos europeus passaram 2026 denunciando o que chamam de guerra híbrida da Rússia contra o continente, devido ao atrito gerado pelo conflito na Ucrânia, o uso de um nome russo sugere mais uma distração do que autoria de fato. Afinal, guerra híbrida se caracteriza pelo esforço em esconder as digitais da ação, que no caso europeu envolveu ataques com drones a aeroportos e as recentes invasões hackers contra freezers de supermercados, causando perda maciça de alimentos e insumos. Em alguns casos, como na tentativa de explodir aviões no aeroporto de Leipzig ou em sabotagem ferroviária na Polônia, o governo local acusou diretamente Moscou. Na maioria, contudo, a investigação continua. O Kremlin nega qualquer ligação com atos do tipo na Europa. Há ainda a suspeita sobre grupos ligados ao Irã. O Reino Unido, por exemplo, permitiu o uso de suas bases por aviões empregados pelos Estados Unidos na guerra contra a teocracia. Tudo também pode não passar de uma elaborada brincadeira de mau gosto. No caso das ameaças falsas contra os aviões, algumas das mensagens traziam discurso de misoginia e eram atribuídas ao Estado Masculino, um grupo radical antifeminista proscrito na Rússia em 2021. O blogueiro Vladislav Pozdniakov, criador da entidade, negou relação com a ação e afirmou que suspendeu suas atividades há anos. Até aqui, a campanha tem sido eficaz em instilar medo na população, dada a alta visibilidade de seus alvos. Na prática, os 14 aviões afetados são uma gota d'água no oceano de 26.709 voos programados na Europa nesta sexta, segundo a agência Eurocontrol. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo "Nós temos que permanecer calmos", disse o primeiro-ministro irlandês, Michael Martin à RTE após o canal retomar sua programação, que foi substituída por programas musicais enquanto os jornalistas deixaram sua sede em Dublin. Em Roma, a primeira-ministra Giorgia Meloni afirmou que os incidentes sugerem que "o que está sendo atacado é a infraestrutura civil" europeia, e pediu unidade no continente para enfrentar as ameaças.

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