Assim como Renan Santos (Missão), uma série de outros candidatos deixou de declarar à Justiça Eleitoral todas as redes sociais que utilizam para campanha no momento em que registraram suas candidaturas, segundo levantamento da Folha. Entre eles estão o atual vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth (MDB), que concorre à reeleição, e os candidatos a deputados federais por São Paulo Tabata Amaral (PSB) e Coronel Tadeu (PRD). Para além daqueles que deixaram de informar suas contas –ou parte delas–, há também os que registraram perfis com endereço diferentes daqueles que efetivamente utilizam. São os casos do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil-BA), que disputa o Governo da Bahia, dos candidatos a senador André do Prado (PL-SP) e Décio Lima (PT-SC), e ainda dos candidatos a deputado estadual Danilo Balas (PL-SP) e Pedro Nassif (PSOL-RJ). Parte dos candidatos com inconsistências identificados pela reportagem afirmou já ter solicitado a retificação ao longo da campanha, mas ainda sem andamento por parte da Justiça Eleitoral. Outros pediram a atualização após o contato da reportagem. O Painel mostrou que se somam ainda à lista de nomes usando perfis nas redes não informados de pronto à Justiça, os candidatos a deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e André Janones (Rede-MG). Na semana passada, a reportagem também já tinha mostrado inconsistências nas declarações de outros candidatos a Presidência, para além de Renan, como Rui Costa Pimenta (PCO), Hertz Dias (PSTU), Samara Martins (UP) e Wilson Grassi (Democrata), seja por não terem informado um perfil ou não indicarem em quais plataformas estão presentes. Desde 2024, essa informação passou a ter uma consequência prática bastante importante para as candidaturas. Isso porque uma regra do TSE passou a determinar que plataformas devem excluir os perfis declarados pelos candidatos à Justiça dos seus algoritmos de recomendação. FolhaJus A newsletter sobre o mundo jurídico exclusiva para assinantes da Folha Na prática, isso significa que as plataformas não podem exibir postagens da conta de um candidato para alguém que não segue esse perfil. Assim, perfis informados corretamente à Justiça Eleitoral acabam tendo uma desvantagem em relação a rivais que estejam usando contas que estejam fora da base de dados do TSE e, assim escapando dos filtros aplicados aos candidatos pelas empresas. A Folha voltou a questionar se o TSE faz algum tipo de fiscalização sobre as informações prestadas pelos candidatos sobre suas redes sociais, de modo a evitar que candidatos que informaram suas redes corretamente não sejam prejudicados em relação aos que não informaram, mas não houve resposta. Apesar de estar em redes como Instagram, TikTok e X, Felicio Ramuth, que concorre à reeleição na chapa de Tarcísio de Freitas (Republicanos), não declarou nenhuma rede social à Justiça. Em nota, sua assessoria afirmou que "a equipe jurídica responsável pelo preenchimento do registro da candidatura já identificou a falha e o encarregado de dados da campanha providenciou a inclusão das páginas no sistema". Coronel Tadeu, por sua vez, embora também esteja presente em outras plataformas, como X, TikTok, YouTube e Facebook, tem no registro de candidatura apenas seu perfil no Instagram. Em resposta à Folha, ele disse estar sendo pego de surpresa com a informação e compartilhou documento que consta como sendo de 21 de julho, com todas as suas redes, e que afirmou ter enviado ao partido. Outro exemplo é Tabata Amaral, que não declarou seu perfil no X, apesar de ter informado as contas em outras plataformas. Também a equipe da deputada afirmou que enviou à assessoria do partido a relação completa de perfis de redes sociais administrados pela campanha, mas que "devido a algum lapso no fluxo de informação, o perfil do Twitter não foi adicionado à plataforma DivulgaCand". Afirmou ainda que já ter acionado a Justiça para atualização. Há outros casos em que os candidatos declararam endereços ou @ de usuários que não correspondem ao que efetivamente usam. Entre eles, está o de ACM Neto, que informou em sua ficha ter a conta "@acmneto_" no X, mas seu perfil na verdade é o "@acmnetoba". Em nota, a campanha dele afirmou que de fato houve um erro no caso do perfil. "Neto trocou todos os usernames das contas nas redes sociais e, no registro, inadvertidamente, foi colocado o antigo." O pedido de atualização foi protocolado junto ao TRE-BA (Tribunal Regional Eleitoral da Bahia) em 19 de agosto, mas não houve andamento até a noite desta segunda (31). A Folha procurou o tribunal, mas não houve resposta. Outro exemplo é do candidato a senador André do Prado (PL), cujos links do X e do TikTok declarados à Justiça não correspondem ao que ele está utilizando. Seu perfil no X atual é o "@andredopradosp", ele declarou, no entanto, ser "_andredoprado". Em nota, afirmou que "houve apenas uma alteração no nome das contas nas redes sociais X e TikTok, com o acréscimo de "SP" ao final do nome". Disse ainda que "a atualização já foi encaminhada à Justiça Eleitoral" e que "não houve mudança de página ou criação de novos perfis". De modo semelhante, Décio Lima (PT) declarou ter o perfil no X "@DecioLimaPT", mas está utilizando "@DeciolimaSC". Em nota sua assessoria afirmou que após o registro da candidatura, "houve uma alteração de nome de usuário no perfil X do candidato, mas seguindo na mesma conta". Acrescentou ainda que, nesta segunda, solicitou a correção do nome junto à Justiça. Já Danilo Balas (PL) respondeu à reportagem que houve um erro material de digitação na informação do perfil do X. "Foi enviado danilobalasoficial’, quando o correto é ‘danilobalas’. A retificação já foi devidamente protocolada junto à Justiça Eleitoral, conforme abaixo", respondeu o candidato à Folha, enviando petição protocolada na noite desta segunda-feira. Pedro Nassif (PSOL), por sua vez, disse que informou suas redes corretamente no momento do registro de candidatura, mas que ele "modificou tão somente seu nome de usuário das mesmas contas, o que ensejou modificação meramente formal da URL dos perfis do X e do Instagram, sendo certo que nas demais redes informadas nada mudou, e que tal alteração formal já foi comunicada no seu processo de registro de candidatura." Outro exemplo, mas este já corrigido, é do senador Omar Aziz (PSD), que concorre ao Governo do Amazonas. Segundo análise da Folha, ao menos os links informados no X e Facebook inicialmente não constam como válidos. Em 27 de agosto, sua campanha protocolou um pedido de atualização das redes, realizado na mesma data pelo tribunal regional. Procurada, a campanha do senador não respondeu até a publicação deste texto. Neste fim de semana, ao responder uma ação movida pelo PT, o X pediu a suspensão dessa regra, fazendo uma série de críticas à base de dados fornecida pelo TSE para cumprimento da medida pelas big techs. Parte dos problemas é decorrente justamente dos erros e falta de padronização informados pelos candidatos.
Omiss�o como a de Renan Santos e erros em registros de candidatos se repetem e geram distor��o nas redes
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