Antigamente, algumas pessoas consideravam que tudo na natureza era sagrado. Também acreditavam que seres mágicos como gnomos e fadas existem, e que embora permaneçam invisíveis a maior parte do tempo, podem ajudar os humanos quando eles precisam. Hoje, uma religião chamada wicca é uma versão atual dessa crença antiga. Quem pratica a wicca –os wiccanos– cultua a Terra e o meio ambiente, celebra a mudança das estações do ano, as fases da Lua, os ciclos do Sol, e busca viver em harmonia com os animais e as plantas. São bruxas e bruxos do mundo moderno. "A pessoa que é bruxa quer preservar florestas, sente que pode fazer escolhas mais saudáveis para a sua vida, na sua alimentação, adotando um estilo de vida mais natural, e buscando um convívio mais colaborativo com as pessoas", afirma Marília de Abreu, alta-sacerdotisa da Wicca Cia das Bruxas. No dia a dia, os wiccanos dedicam tempo para meditar e anotar sonhos, por exemplo. "Também gostamos da energia do incenso, velas e cristais", diz ela. Já nos momentos solenes, como os rituais, há mais elementos e ritos, e até roupas especiais. "É clássica a roupa preta com chapéu pontudo. A magia não depende da roupa, mas ela nos ajuda a lembrar quem somos." O Halloween na wicca não é uma festa à fantasia. A alta-sacerdotisa lembra que essa data, para as bruxas wiccanas, faz referência à tradição celta do Samhain. É um momento do ano para lembrar os mortos e os ancestrais, fazendo homenagens às pessoas queridas que já morreram. Também se acredita que a ligação entre os mundos dos vivos e dos mortos fica mais aberta nesse período. Outras épocas importantes no calendário da wicca são a chegada da primavera e a do verão, quando se comemora a fertilidade, a paixão e a vida. Também há a Lughnasadah, uma festa em que todos ficam felizes com a primeira colheita de grãos e a produção do pão. Toda essa adoração costuma acontecer nos templos –São Paulo, por exemplo, tem o Santuário da Grande Mãe, no bairro da Vila Mariana. "Mas todo mundo pode ter seu altar em casa, ou se reunir em um dos grupos que chamamos de Coven", diz Marília de Abreu. Para quem se interessa em se conectar com a wicca, ela dá dicas: anotar os sonhos ao acordar; guardar relíquias encontradas em passeios na natureza, como uma pedrinha bonita ou uma pena de pássaro que caiu no chão enquanto se passava por um bosque. "Também vale um papel de bala de um dia feliz. Bruxos consideram que os objetos carregam a força dos bons momentos e depois podem te carregar de alegria quando você estiver passando por momentos difíceis." Antigamente, era comum o preconceito a quem se declarasse bruxa ou bruxo. No passado, inclusive, mulheres sofreram até violência. A alta-sacerdotisa acha que a série de livros "Harry Potter" ajudou a diminuir essa discriminação. "Os feitiços que fazemos são para atrair prosperidade, saúde e paz. Ao longo do tempo, fomos ensinados a ter medo das bruxas, mas nós não fazemos mal a ninguém. Acreditamos que tudo o que se faz aos outros volta em triplo. Na wicca, a gente não fica tentando convencer ninguém a acreditar no que acreditamos, porque temos respeito pelas outras religiões. Então, se você gosta da wicca e alguém te evita por isso, deixe essa pessoa de lado."
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