São Paulo O Nubank desmontou o time de investigations, cujo objetivo era analisar queixas de fraudes financeiras, após automatizar o serviço com ferramentas de IA, segundo funcionários e ex-funcionários ouvidos sob condição de anonimato. A empresa demitiu pouco mais de 30 pessoas desse setor na manhã de terça-feira (3) em uma sequência de reuniões via Google Meet, com sete participantes em cada sala —uma gerente da área, uma representante de recursos humanos e cinco funcionários que foram desligados. Parte das demissões foi anunciada por email. O Nubank diz que segue contratando para outras atividades e a reestruturação de uma parte de uma área administrativa levou ao remanejamento interno de profissionais e ao encerramento de algumas posições. "Os colaboradores impactados receberão um pacote de benefícios que inclui salários adicionais por tempo de casa e extensão temporária do plano de saúde." Evento do Nubank em Miami para lançar a conta nos EUA e a conta global no novo passo de internacionalização do banco que nasceu no Brasil - Divulgação - 10.set.26/Nubank Como a reestruturação foi pequena frente aos 9.500 funcionários do banco, não houve envio de comunicado à imprensa nem aos acionistas. A equipe desfeita era subordinada à área de operações contra fraude. Segundo os relatos reunidos pela reportagem, o banco introduziu há seis meses ferramentas de análise de queixas de fraude com inteligência artificial. Desde então, a fila de reclamações por golpes financeiros encurtou em 80% em um cenário de aceleração dos crimes financeiros —o uso de IA generativa em ataques cibernéticos cresceu 89% no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período de 2025. Os funcionários demitidos foram informados de que o setor de investigação seria reestruturado devido à queda do volume de serviços. Eles foram desligados sem justa causa e receberão indenização. C-Level Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisõesO maior número de cortes foi na equipe que investiga contas laranjas, usadas por criminosos para distribuir o dinheiro obtido em crimes virtuais, a fim de dificultar a recuperação dos valores. O combate aos titulares que alugam suas contas (chamados de mulas), é uma das prioridades da Febraban e do Banco Central no combate ao estelionato na internet. No início, as ferramentas de IA ficavam responsáveis pelos casos de baixa complexidade, quando havia mais provas da atividade ilícita, enquanto parte dos funcionários foi remanejada para apenas validar o resultado obtido de forma autônoma. Esse trabalho, além de garantir qualidade, contribui para o aperfeiçoamento dos robôs, a partir de uma técnica chamada de "fine-tuning supervisionado". Os casos corrigidos são usados como exemplos de respostas certas para treinar o modelo de linguagem. Após a automação dos serviços, cerca de 40 funcionários do time de investigações foram remanejados para outros setores da empresa, antes do fim da equipe nesta terça. Os analistas remanescentes seguem no combate à fraude, restritos aos casos mais complexos. A IA generativa tem alterado as dinâmicas dos crimes virtuais ao facilitar fraudes contra empresas maiores e a exploração de falhas no sistema. Isso também desloca as demandas das equipes de cibersegurança de atividades mais exploratórias para atividades preventivas, como correção de problemas em softwares e restrições de acessos privilegiados a funcionários. Relatório da empresa de cibersegurança Crowdstrike mostra ainda que a IA acabou com a barreira linguística e permitiu a globalização das organizações criminosas.
Nubank desmonta time de investiga��o ap�s IA diminuir fila de queixas de fraude em 80%
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