Representantes de movimentos sociais voltados às causas feministas e em defesa de crianças e adolescentes protestaram nesta sexta-feira (23), em frente à sede do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), em Brasília, contra uma decisão do ministro André Mendonça envolvendo o caso da morte de Ana Clara Gomes Machado, de 5 anos. Na terça (21), o magistrado vetou o impulsionamento de publicações no Facebook e no Instagram que afirmavam que o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) "defendeu assassino de criança" por ter atuado como advogado do cabo da PM Bruno Dias Delaroli, acusado de matar a menina com um tiro de fuzil, em Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro, em 2021. Cerca de 60 pessoas estiveram no ato no TSE. Maria das Neves Filha, presidente da UBM (União Brasileira de Mulheres), acusou Mendonça de "censura" e cobrou uma resolução do caso. O PM envolvido na morte da criança ainda não foi julgado. Ela afirmou que não se trata "apenas de uma questão ideológica" e defendeu ser necessário um novo modelo de segurança pública no país que não poderia ser implementado sob um eventual governo de Flávio. Defendeu, por exemplo, o uso de câmeras no uniforme de policiais e a rastreabilidade das munições usadas por esses agentes de segurança –medida à qual o candidato já se opôs. "É por uma questão civilizatória. Essa é a eleição das nossas vidas. Você pode não ser de esquerda, mas você que é de direita certamente não é a favor do assassinato de crianças de 5 anos, do feminicídio, que policiais possam ser assassinados, mas que também não tenham licença para matar", declarou. Eleições Hoje Receba no seu email destaques das campanhas, pesquisas e disputas nos estados Os presentes também criticaram a condução do processo eleitoral pelo presidente da corte, Kassio Nunes Marques. O ministro tem tomado decisões consideradas controversas, como a ordem de derrubada do canal "Exército de Lula" –depois restabelecido por ele mesmo. "A gente respeita essa instituição, desconfiamos dos ministros que atuam politicamente por um dos candidatos e não respeitam a democracia. Isso nós não vamos tolerar. Censura não", afirmou o deputado eleito com o maior número de votos no Distrito Federal, Fábio Félix (PSOL), em discurso. Os cartazes no local ainda exibiam frases como "Não proteja quem mata criança", "Censura nunca mais", "E o caso Ana Clara, Flávio?" e "Pesquise sobre o caso Ana Clara. Não vote em quem defende assassino". ENTENDA A DECISÃO DE MENDONÇA Ao TSE, a equipe jurídica de Flávio afirmou que o material divulgado pela campanha de Lula, adversário do bolsonarista no segundo turno no domingo (25), usou trechos do debate na Band e de um depoimento da mãe da Ana Clara para afirmar que o candidato do PL "estaria utilizando sua influência para impedir a responsabilização criminal do acusado". Segundo a ação movida contra o petista, o conteúdo foi objeto de dez impulsionamentos nas plataformas da Meta, que custaram R$ 5.500 e R$ 7.296 e alcançaram cerca de 1,7 milhão de contas nas redes sociais. Em sua decisão favorável a Flávio Bolsonaro, André Mendonça afirmou que a legislação eleitoral não permite impulsionamento de postagens para propaganda negativa de outros candidatos. Ele mandou interromper os anúncios, sob pena de multa de R$ 10 mil em caso de descumprimento da ordem. "Esclareço que a presente decisão não determina a remoção das publicações orgânicas, limitando-se à suspensão de sua divulgação remunerada e à vedação de novo impulsionamento do material especificamente identificado", escreveu o ministro. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Movimentos sociais protestam no TSE contra decis�o de Mendon�a favor�vel a Fl�vio no caso Ana Clara
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