O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 80, foi eleito neste domingo (25) com uma virada histórica sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), para quem havia perdido no primeiro turno. A virada de Lula ocorreu somente em Minas Gerais, mas o petista também conseguiu avançar nos estados em que Flávio venceu, com destaque para o Rio de Janeiro, e ampliar sua vantagem nos estados em que já havia vencido. A diferença de votos no domingo foi de 4,4 milhões. O petista terminou o pleito com 51,79% dos votos válidos, ante 48,21% do filho de Jair Bolsonaro. Lula venceu em 13 estados e no exterior, enquanto Flávio venceu em 13 e no DF. Em Minas, considerado um estado-chave para eleger presidentes e um dos colégios eleitorais mais populosos do Brasil, Lula obteve 50,43% dos votos válidos contra 49,57% do senador. Antes de 2026, nenhum outro candidato presidencial que registrou mais votos em Minas Gerais no primeiro turno havia perdido as eleições desde 1998, segundo a série histórica disponível no TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Após uma campanha mais morna no primeiro turno, marcada por discurssões em relação à atuação do STF (Superior Tribunal Federal), a militância petista foi às ruas e promoveu atos em diversas cidades do país. No sábado anterior ao segundo turno, Lula esteve em Copacabana e na avenida Paulista no mesmo dia. A mobilização digital protagonizada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) também deu fôlego à campanha, agregando mais de 10 milhões de pessoas em um canal de WhatsApp para orientar sobre militância nas redes sociais. Ele fez uma live de 24 horas logo após o último debate da Globo, reunindo artistas e convidados. Nas redes, o petista também contou com parlamentares mais jovens como os deputados eleitos Ana Elisa (PT-MG), Guilherme Cortez (PSOL-SP) e Erika Hilton (PSOL-SP). Território fiel à Lula, o Nordeste deu 24,4 milhões de votos ao petista neste segundo turno, mais que o dobro de Flávio na região (10,7 milhões). Na primeira rodada, Lula teve 21,4 milhões de votos, contra 10,3 milhões do senador. No primeiro turno, Lula havia ganhado apenas no Nordeste. Neste domingo, venceu também no Norte, com diferença de mais de 1.000 votos. No exterior, Lula obteve 200 mil votos, ante 171 mil de Flávio. Flávio foi superior no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, com diferenças respectivas de 4,5 milhões, 2,8 milhões e 1,8 milhão. Lula diminuiu a distância para Flávio em todos os estados em que senador venceu no primeiro turno. O destaque foi o Rio de Janeiro, reduto político do filho de Bolsonaro. No primeiro turno, Flávio conseguiu 53% dos votos válidos, contra 39,4%, distância de 13,6 pontos percentuais. Essa diferença caiu quase pela metade no segundo turno: Flávio obteve 53,1% e Lula, 46,9%, uma distância de 6,2 pontos percentuais. O avanço de Lula sobre Flávio também foi visto em Goiás, estado em que teve 15,3% das urnas indo para outros nomes no primeiro turno —sendo Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador do estado, o que mais puxou voto (12,3%). No primeiro turno, a diferença entre os dois era de 22,5 pontos percentuais. No segundo, caiu para 19,3 p.p.. Na primeira rodada, Flávio teve 53,6% e Lula, 31% no estado goiano. No segundo, o placar foi de 59,6% para Flávio e 40,3% para Lula. A maior distância entre os dois candidatos foi em Roraima, onde Flávio teve 72,4% dos votos válidos e Lula, somente 27,5%. Essa distância de 44,9 pontos percentuais é menor que a diferença registrada no primeiro turno (48,2 p.p.). A menor distância entre eles foi em Minas, de apenas 0,86 pontos percentuais. O segundo turno das eleições contou com menos votos brancos e nulos. Foram 1,4 milhão de branco (1,12%) e 2,7 milhões de nulos (2,12%). No primeiro turno, foram 2,3 milhões em branco (1,84%) e 3,6 milhões de nulos (2,93%). Lula também se beneficiou da queda de abstenção. A Bahia liderou a queda, com 3,26 pontos percentuais (de 19,97% para 16,71% de ausentes). O segundo estado, outro reduto lulista, foi Pernambuco, com a redução de 2,99 pontos percentuais (de 18,17% para 15,18%). Lula venceu em ambos os estados com larga vantagem (71,31% e 69,2% dos votos válidos, respectivamente). As taxas de abstenção e de votos inválidos no segundo turno das eleições presidenciais sofreram uma queda recorde em relação ao primeiro turno e atingiram os níveis mais baixos em 20 anos. O segundo turno atraiu 3 milhões de pessoas que não votaram na primeira etapa. O número total de abstenção neste domingo foi de 30,4 milhões.
Lula vence em 13 estados, com virada hist�rica em Minas e avan�o no Rio de Janeiro
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