Lula pagar� o pre�o da blindagem a Alexandre de Moraes

Lula pagar� o pre�o da blindagem a Alexandre de Moraes

Não devia ser tão difícil investigar um ministro do Supremo. O que já sabemos sobre a relação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro: a esposa de Moraes fechou um contrato de R$ 130 milhões com o ex-banqueiro; Moraes editou o contrato. A família recebeu ainda viagens de jatinho, e Vorcaro emitiu cartões de crédito com limites estratosféricos para os filhos do casal. Vorcaro se encontrou com Moraes diversas vezes e mandava para ele mensagens num tom pra lá de familiar. Pediu para Moraes atrasar o trabalho da PF, pediu —dias antes de sua prisão— conselho sobre se deveria sair do país e ainda perguntou se Moraes conseguira "bloquear" alguma "maldade" contra ele. Ainda não sabemos quais foram as respostas de Moraes. Sabemos, contudo, que ele pediu vistas de um processo sobre precatórios do interesse de Vorcaro. Nesse intervalo, o Master carregou em seu balanço precatórios com valor inflado. Houve atos de favorecimento ao ex-banqueiro? Apenas com uma investigação de Moraes poderemos descobrir. A essa altura, ninguém defende blindagem a Moraes abertamente. O discurso de defesa é indireto: construir um paralelismo entre ele e André Mendonça. Ambos teriam errado. O que esse falso paralelo omite: o pedido de investigação de Moraes se deve aos graves indícios de corrupção citados acima; o pedido de investigação de Mendonça se deve a supostas falhas processuais apontadas por Moraes em benefício próprio na maior perversão do inquérito das fake news até aqui. Não vou entrar na discussão jurídica; apenas aponto sua dimensão política. Pegue qualquer uma das acusações de vícios feitas contra Mendonça —juiz investigador, escolha de alvos, mistura de papéis, foro indevido. Todas elas são encontradas com muito mais facilidade e em grau muito maior nos inquéritos e processos que Moraes relatou "em defesa da democracia", sem gerar nenhum tipo de nulidade. O motivo da diferença? Política. Qualquer outra autoridade deste país já estaria sob investigação desde o primeiro momento. Em vez disso, assistimos ao teatro do Supremo que se prepara para julgar ambos os lados. Apenas o receio de enterrar a própria biografia pode levar os ministros ainda reticentes a fazer a coisa certa. Quem sabe o olhar do público tenha um efeito salutar. Nada garante, contudo, que uma maioria superará o corporativismo; a reunião que salvou Dias Toffoli está fresca na memória. E não há nada que a população possa fazer além de manifestar sua revolta. Os ministros não dependem das urnas. O preço político de uma eventual blindagem —ou, o que dá no mesmo, de uma demora deliberada— será pago pelo governo. Moraes, Zanin, Dino, Toffoli e Gilmar formam uma ala alinhada ao governo Lula. Seus atos impactam diretamente a percepção do governo. O próximo presidente poderá indicar ao menos quatro novos ministros. Será que a opinião pública —ou melhor, aquela parcela independente, moderada, pragmática, que é pequena, mas pode definir a eleição— topará ser cúmplice da politização final do Supremo? Moraes perdeu qualquer condição de continuar ministro, mas segue sem nenhum freio. Quantos mais casos como o dele estamos dispostos a aceitar? LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

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