Reeleito em 25 de outubro para o quarto mandato, o presidente Lula (PT) começou a ouvir dirigentes partidários para montar o primeiro escalão do próximo governo. Segundo aliados, a meta é concluir a composição da Esplanada dos Ministérios até 20 de dezembro, 56 dias após a eleição. A escolha do chefe da equipe econômica, acompanhada de perto pelo mercado, e a acomodação de aliados derrotados nas urnas estão entre os desafios dessa montagem. As duas situações também marcaram 2002 e 2022. No mandato inaugural, o primeiro nome saiu 44 dias depois do segundo turno e, em 2022, 40 dias depois. A situação atual, porém, pode ser mais parecida com a de 2006, quando o petista já estava no Palácio do Planalto e obteve a reeleição. Naquele ano, a reforma ministerial só começou a ser efetivada mais de 130 dias após a votação, em março de 2007."Meu papel é o de maestro", disse Lula em 2002. "Se dependesse da minha vontade, lançaria um ministro por dia." No começo de novembro daquele ano, ele afirmou que divulgaria toda a equipe de uma só vez. Um mês depois da eleição, pediu paciência. Naquele mandato, o primeiro nome do ministério foi revelado em resposta a investidores. Em 10 de dezembro, 44 dias após o segundo turno, Lula estava em Washington quando foi questionado sobre o que eles consideravam demora na escolha da equipe econômica. Replicou que havia colocado um médico na Fazenda, em referência a Antonio Palocci, coordenador da transição. No mesmo evento, afirmou que Marina Silva cuidaria da área ambiental e que não havia indicado o presidente do Banco Central porque seria uma concessão ao mercado. Na saída, negou à imprensa ter confirmado os nomes. Havia prometido divulgar todo o ministério de uma vez. O argumento da concessão ao mercado reaparece neste ano. Como mostrou a coluna Painel, Lula tem dito que antecipar o nome do titular da Fazenda seria uma concessão indevida ao mercado e que vai anunciá-lo com os demais ministros. As conversas com os partidos são conduzidas pelo presidente do PT, Edinho Silva. Diferentemente de 2022, quando prevaleceu o tamanho das bancadas, o espaço de cada sigla deve depender da promessa de fidelidade às pautas do governo no Congresso, como mostrou a Folha. Quatro anos atrás, setores da sociedade também pediam pressa no anúncio do titular da economia. Derrotado na disputa pelo Governo de São Paulo, Fernando Haddad foi confirmado na Fazenda em 9 de dezembro, em um evento em Brasília. Em 2002, Lula abrigou em ministérios aliados que haviam perdido a eleição. Humberto Costa não conseguiu o Governo de Pernambuco e ficou com a Saúde. Derrotados em eleições para governador, Benedita da Silva, no Rio de Janeiro, e Jaques Wagner, na Bahia, foram para os ministérios da Assistência e Promoção Social e do Trabalho e Emprego. Neste ano, aliados derrotados nas urnas incluem, além de Haddad, Gleisi Hoffmann, no Paraná, esta citada para o Ministério do Desenvolvimento Social e para a direção de Itaipu. Haddad era o principal cotado para a Casa Civil até o primeiro turno e hoje é citado para outras pastas, como Relações Exteriores e Educação. O favorito para a Casa Civil passou a ser o senador Camilo Santana (PT-CE). Camilo foi o escolhido para a Educação em 2022, em um anúncio feito 53 dias após o segundo turno, quase duas semanas depois dos titulares de Fazenda, Casa Civil, Relações Exteriores e Justiça. Na mesma data, Nísia Trindade tornou-se a primeira mulher indicada para a Saúde. A sequência foi a mesma em 2002. Cristovam Buarque, na Educação, e Humberto Costa, na Saúde, foram anunciados em 20 de dezembro, 54 dias após a eleição, depois dos outros quatro cargos. A lista completa saiu no dia 23, a dois dias do Natal. Como agora, em 2006 Lula montou o primeiro escalão já no cargo, após vencer Geraldo Alckmin (PSDB) no segundo turno. As conversas começaram em 6 de novembro, depois de um descanso de quatro dias na Bahia. Lula não pretendia fazer grandes mudanças e estava satisfeito com ministros como Dilma Rousseff, na Casa Civil, e Haddad, na Educação. A meta era fazer boa parte da reforma até o Natal, mas, em 19 de dezembro, o coordenador político do governo, Tarso Genro, disse que ficaria para fevereiro. O mês passou, e o mandatário condicionou os anúncios ao fim das trocas de partido entre deputados, já que pretendia distribuir as pastas de acordo com o tamanho das bancadas, e à definição do comando do PMDB, que só realizou sua convenção em 11 de março. Em 16 de março, Tarso Genro assumiu a Justiça, e José Gomes Temporão, a Saúde, na mesma semana em que o PMDB garantiu cinco ministérios. Mantega, Dilma, Haddad e Celso Amorim permaneceram nos cargos. Neste ano, aliados de Lula também preveem a permanência de parte dos atuais ministros, como Alexandre Padilha, na Saúde. RELEMBRE QUANDO LULA ANUNCIOU OS PRINCIPAIS MINISTROS 2002 Fazenda: Antonio Palocci (10.dez.2002), 44 dias após a eleição Casa Civil: José Dirceu (12.dez.2002), 46 dias Relações Exteriores: Celso Amorim (13.dez.2002), 47 dias Justiça, Márcio Thomaz Bastos (19.dez.2002), 53 dias Educação, Cristovam Buarque (20.dez.2002), 54 dias Saúde, Humberto Costa (20.dez.2002), 54 dias 2006 Fazenda, Guido Mantega, mantido Casa Civil, Dilma Rousseff, mantida Relações Exteriores, Celso Amorim, mantido Justiça, Tarso Genro (16.mar.2007), 138 dias após a eleição Saúde, José Gomes Temporão (16.mar.2007), 138 dias Educação, Fernando Haddad, mantido 2022 Fazenda, Fernando Haddad (9.dez.2022), 40 dias após a eleição Casa Civil, Rui Costa (9.dez.2022), 40 dias Relações Exteriores, Mauro Vieira (9.dez.2022), 40 dias Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino (9.dez.2022), 40 dias Saúde, Nísia Trindade (22.dez.2022), 53 dias Educação, Camilo Santana (22.dez.2022), 53 dias
Lula levou de 40 dias a mais de 4 meses para definir os primeiros ministros nos �ltimos mandatos
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