No segundo turno das eleições presidenciais de 2022, Lula teve 2.139.645 votos a mais que Jair Bolsonaro e foi eleito. Tal resultado —menos de dois por cento— foi obtido em parte através da censura pura e simples. O Tribunal Superior Eleitoral foi bastante ativo em ordenar a retirada de conteúdos que associavam a casos de corrupção como mensalão e petrolão.Naquele ano, a Jovem Pan teve uma série de conteúdos tirados do ar por ordem do TSE, considerados ofensivos ou falsos, mesmo quando não eram falsos. O jornal Terça Livre —um dos meios de comunicação mais visto pela direita no Brasil– havia sido já fechado e censurado, tendo seu dono, Allan dos Santos, saído do Brasil sob ameaça de ser preso. Durante a campanha, o TSE determinou a remoção de publicações de apoiadores de Bolsonaro, especialmente conteúdos que associavam Lula ao crime organizado, e que diziam que ele apoia o aborto legalizado —o que está amparado por declarações dele próprio. Existiu um aparato robusto e ágil de remoção de conteúdo, suspensão de contas e pressão sobre plataformas, centrado no TSE sob Alexandre de Moraes, com impacto desproporcional sobre conteúdos e perfis críticos de Lula e do sistema eleitoral. Um tipo de censura inédita na história brasileira foi inaugurado nesta eleição: a censura temática. O documentário da produtora Brasil Paralelo sobre a facada, sem nem mesmo ter sido visto, foi censurado exclusivamente por tratar da tentativa de assassinato contra Jair Bolsonaro. Uma vitória nesse contexto, obtida por uma margem estreita e num contexto tão controverso, deveria ter levado Lula à prudência em seu governo. O que aconteceu foi o oposto: Lula fez uma gestão em tudo contrária ao que prometeu na campanha. Prometeu um governo de frente ampla, com vários setores representados, mas entregou uma gestão com radicais identitários, como a ministra da Cultura, Margareth Menezes, e a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco. Em novembro de 2023, Anielle afirmou que expressões como "buraco negro" e "denegrir" têm conotação racista e devem ser evitadas como parte do "letramento racial", o que evidentemente é parte da paranoia identitária que não deveria estar no governo. Outro identitário do governo era Silvio Almeida, ministro dos Direitos Humanos, que defendeu o conceito de racismo estrutural no livro homônimo de 2019, e caiu em desgraça ao ser acusado de importunação sexual por Anielle Franco e outras mulheres. Ora, o identitarismo e duas teses grotescas, apesar de ter certa adesão de artistas engajados e intelectuários (mistura de intelectual com funcionário, na terminologia de Gilberto Freyre) é altamente impopular na população em geral, e já foi decisivo na derrota de Kamala Harris, nos Estados Unidos, e de Guilherme Boulos, à Prefeitura de São Paulo. A população brasileira não está preocupada com linguagem neutra mas com problemas concretos, como a insegurança, a corrupção e a perda do poder de compra —questões que afetam diretamente a vida dos brasileiros e para as quais o governo deveria ter concentrado seus esforços. Para completar o cenário, o país foi revirado por escândalos de corrupção que desafiam a imaginação. O Banco Master, a maior fraude bancária do país, culminou na liquidação extrajudicial da instituição pelo Banco Central em novembro de 2025 e na prisão de Vorcaro. Também atingiu o entorno próximo do governo Lula, como o então líder do PT no Senado, Jaques Wagner, alvo de buscas da Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero, durante as quais foram apreendidos dólares e euros em espécie em residências. As suspeitas envolvem a atuação em favor dos interesses do Banco Master, incluindo uma emenda que ampliaria a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), além do recebimento de vantagens, como um apartamento avaliado em cerca de R$ 2,45 milhões, repasses a familiares, viagens em jatinho e ingressos. Ele nega. Os escândalos chegaram até a família de Lula. No caso, seu filho. E um dos escândalos mais sujos da história recente do país, que envolve o roubo de aposentados. Lulinha, filho mais velho de Lula, é alvo de investigações da Polícia Federal e foi objeto de quebra de sigilos na CPMI do INSS por suspeitas de tráfico de influência e possível recebimento de valores ligados ao esquema de descontos indevidos em aposentadorias. O escândalo do INSS envolve bilhões em descontos não autorizados de aposentados e pensionistas –um setor da sociedade que já é fragilizado. O principal operador apontado pela PF é o chamado Careca do INSS, do qual Lulinha é apontado como sócio oculto, intermediado pela lobista e empresária Roberta Luchsinger. Mensagens obtidas pela PF indicam que o Careca teria pago R$ 300 mil à empresa de Roberta e menciona como destinatário "o filho do rapaz". Não é novidade nenhuma o PT envolvido em escândalos de corrupção: o partido está diretamente implicado em todos os grandes casos deste século no país, desde o mensalão, passando pelo petrolão, e agora o Master e o INSS. Não é exagero dizer que diante de tudo o PT é o partido mais corrupto da história das democracias ocidentais. Para completar, o STF (um tribunal que politizou-se ao extremo) tornou-se a base de sustentação do governo Lula, e foi diretamente implicado no escândalo do Master, quando revelou-se o contrato de R$ 131 milhões de Daniel Vorcaro com o escritório da esposa do ministro Alexandre de Moraes, dos quais foram pagos efetivamente cerca de R$ 80 milhões. Ora, um valor tão alto, fora da realidade de qualquer escritório de advocacia do país, levantou as suspeitas de que Alexandre de Moraes, na verdade, tinha sido contratado para defender o banqueiro. Até que surgiram mensagens, reveladas também pela Polícia Federal, em que Vorcaro teria manifestado profunda gratidão a Moraes, chegando a falar em uma "dívida de vida", além de pedir ajuda para conter ações da PF e da PGR. Dois dias antes de sua prisão, em 15 de novembro de 2025, teria perguntado: "Acha que segunda já tenho que estar fora?", numa possível referência à necessidade de deixar o país. O material também apontaria indícios de pelo menos seis encontros entre os dois em 2024 e 2025. A censura e a corrupção andam juntas. É um projeto corrupto e criminoso de poder que tem por objetivo calar uma parcela da sociedade, inviabilizar a democracia, e simplesmente roubar. Meu voto em Flávio Bolsonaro parte dessa convicção e da expectativa de que sua presidência apresente respostas concretas a esses problemas. Não se trata apenas de uma disputa entre partidos ou de uma oposição ao governo atual, mas de uma escolha sobre os princípios que devem orientar o futuro do Brasil.
Lula faz parte de um projeto de poder que tem por objetivo calar uma parcela da sociedade
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