Kombi cl�ssica ganha vers�o el�trica de US$ 275 mil nos EUA

Kombi cl�ssica ganha vers�o el�trica de US$ 275 mil nos EUA

The New York Times Com pintura em dois tons e carroceria em amarelo, a Volkswagen Type 2 elétrica, conhecida popularmente como Kombi, não foi feita para quem gosta de passar despercebido. A van antiga, agora equipada com motor elétrico —seu motor original, instalado na traseira, tinha potência de no máximo 53 cavalos—, chamou a atenção de muitos curiosos durante um passeio tranquilo pelo condado de Bergen, em Nova Jersey, perto do rio Hudson e da fronteira com Nova York. Versão restaurada da Kombi da Volkswagen, símbolo da era hippie, modificada pela Kindred Motorworks - Jim Motavalli/The New York Times A Kindred Motorworks, sediada em Mare Island, na Califórnia —antigo estaleiro da Marinha dos Estados Unidos ao norte de San Francisco—, aposta que pode ter sucesso com uma versão elétrica da adorada Microbus, adaptada às exigências do trânsito moderno. A Kombi hippie da Volkswagen, que desperta nostalgia, está disponível em duas versões sem emissões: o modelo antigo convertido pela Kindred, com um conjunto robusto de propulsão elétrica, e uma van elétrica nova, com estilo retrô, produzida pela própria Volkswagen. A Kindred aposta que, em vez da ID. Buzz, da Volkswagen, cujas vendas avançam lentamente, o que os consumidores de veículos elétricos de alto poder aquisitivo realmente querem é o retorno da Microbus de primeira geração, com para-brisa dividido em duas partes, produzida entre 1950 e 1967, mas com muito mais potência. Segundo a empresa, esses clientes também valorizam recursos modernos que não encontrariam em uma van restaurada nos moldes tradicionais, como bancos aquecidos, ar-condicionado e integração com Apple CarPlay e Android Auto. Acompanhavam o passeio por Nova Jersey Greg Clark, então diretor comercial da Kindred, e Basil Elbanna, engenheiro de testes. "Os clientes querem autenticidade", disse Clark. "Há muitas empresas que restauram Kombis com perfeição absoluta", mas "nem pense em subir ladeiras com uma delas. Por isso, uma versão elétrica moderna faz todo o sentido do mundo". C-Level Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisõesElbanna acrescentou que a Kombi original tinha vários aspectos rudimentares, entre eles um sistema de aquecimento que funcionava —ou, na maioria dos casos, não funcionava— envolvendo os coletores de escapamento quentes em caixas de aquecimento e soprando ar através delas. Sob o comando de seu fundador e presidente-executivo, Rob Howard, ex-executivo do setor de tecnologia, a Kindred começou produzindo diferentes tipos de veículos chamados restomods: carros de coleção equipados com comodidades modernas. A empresa também buscava tornar o processo de restauração mais eficiente. Em 2025, começou a entregar modelos antigos do Ford Bronco, tanto a gasolina quanto elétricos. Mas, segundo Elbanna, a nova Microbus elétrica, apresentada neste ano, "é nosso produto principal". "Ela resolve o único defeito do carro original: a falta de potência", afirmou. Segundo Clark, a meta da Kindred é produzir cerca de 12 vans elétricas no primeiro ano e, depois, aumentar a produção para talvez 50 unidades anuais. A conversão continua sendo um processo lento, que exige 1.500 horas de trabalho, e o produto final não sai barato: custa US$ 275 mil (R$ 1,38 milhão). Nossa Kombi de 1966, testada em Nova Jersey, tinha a configuração de 23 janelas, muito valorizada por colecionadores. Exemplares impecáveis desse tipo custam entre US$ 100 mil (R$ 501 mil) e US$ 200 mil (R$ 1,002 milhão). Elbanna, porém, afirmou que o veículo não tinha essa configuração quando chegou à empresa. A Kindred costuma iniciar o processo de restauração com modelos de menor valor. Ao entrar na Kombi, o motorista encontra primeiro um volante original, quase horizontal —e não, não há airbag. O volante antigo é o maior obstáculo para dirigir esses ícones da contracultura. O que parece ser uma alavanca de câmbio manual funciona, na prática, como uma transmissão automática, já que o torque dos veículos elétricos está disponível de imediato e dispensa várias marchas à frente. Atrás dos bancos dianteiros, relativamente confortáveis e revestidos de couro, há assentos dispostos ao redor de uma mesa removível, além de uma fileira de armários. O banco do passageiro gira para ficar de frente para a mesa, o que dificultaria um pouco a instalação de um console central adaptado —com porta-copos! A van arrancou sem dificuldades e mostrou ser capaz de manter um bom ritmo na Palisades Parkway. Motoristas de SUVs modernos provavelmente ficaram surpresos ao ver uma Kombi ultrapassá-los. Volante da versão elétrica da empresa, que substitui o sistema antigo por um conjunto mais potente - Jim Motavalli/The New York Times O conjunto de propulsão elétrica Grayback —nome inspirado em um submarino construído em Mare Island— é semelhante ao usado nas versões da Kombi e do Bronco da Kindred. A van, porém, conta com apenas um motor de 294 cavalos. É potência mais do que suficiente para uma Microbus. Com uma bateria de 74 quilowatts-hora instalada sob o assoalho, o veículo tem autonomia de até 200 milhas, cerca de 322 quilômetros. O motorista fica sentado diretamente sobre as rodas dianteiras, sem capô ou zona de deformação para protegê-lo em uma colisão. Isso proporciona excelente visibilidade à frente e boa capacidade de manobra, mas a segurança dos ocupantes ainda não era uma preocupação central quando essa van foi projetada. O modelo original, com grande parte do peso concentrada na traseira, tendia a apresentar sobresterço, quando a traseira desliza para fora da curva. Na versão da Kindred, a bateria instalada sob o assoalho ajuda bastante a melhorar esse comportamento. Não é um carro esportivo, mas é divertido de dirigir para resolver tarefas cotidianas. A Volkswagen, é claro, tem a ID. Buzz, modelo retrô que começou devagar no mercado americano. Com design atualizado, mas que remete à versão original, a van é oferecida em uma configuração de entre-eixos longo, com três fileiras de assentos e opção de tração integral. Lançada no mercado americano em 2024, a Buzz pode acelerar de zero a 97 km/h— em apenas seis segundos. A van elétrica, aguardada por muito tempo, porém, sofreu diversos atrasos até chegar ao mercado e estreou com um preço inicial elevado, de US$ 59.995 (R$ 300,6 mil). O custo da versão da Kindred, comparável ao de uma hipoteca, talvez torne o preço da Volkswagen mais fácil de aceitar.

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