Com a incerteza provocada pelos sinais erráticos dados por governo e PT desde a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, e em meio à rápida piora das expectativas para a inflação, o Banco Central não tinha alternativa senão interromper o ciclo de cortes da taxa de juros. A Selic se manteve nos estratosféricos 13,75% ao ano, enquanto a autoridade monetária apontou, corretamente, o aumento das projeções para o IPCA —decorrente da indefinição sobre o que a nova administração petista fará com as contas públicas. No comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) são listadas outras preocupações, que passam pela guerra entre Estados Unidos e Irã, dados os impactos nos preços dos combustíveis, e por uma economia que ainda não tem capacidade ociosa, fruto inclusive do impulso fiscal recebido neste ano eleitoral. Declarações recentes de membros do governo e do próprio presidente da República dão a entender que não há ajuste orçamentário relevante a ser feito —o que se aventa, na prática, não passa de perfumaria que em nada mudará a escalada da dívida pública. Do lado do partido, vê-se entusiasmo com soluções mágicas para a queda dos juros e, em consequência, dos encargos financeiros do Tesouro Nacional. Fato inescapável é que não se conseguirá reduzir a Selic de modo substantivo sem rever mecanismos que hoje levam à alta contínua e insustentável do gasto público, casos do reajuste de benefícios previdenciários acima da inflação e da vinculação das despesas com saúde e educação ao crescimento da receita. Governos de esquerda tendem, como vimos no terceiro mandato de Lula, a optar pelo aumento da arrecadação. O obstáculo óbvio a tal estratégia é o Brasil já ter uma das maiores cargas tributárias do mundo em relação a seu nível de renda per capita. Há meios de equilibrar o Orçamento concentrando a maior parte do ajuste nos estratos mais abonados da sociedade, como as propostas do economista Sergio Firpo —que esteve no governo até 2025— em artigo na Folha. Mesmo assim, em qualquer combinação, o governo teria de ceder em temas espinhosos, como a Previdência Social, o abono salarial e as deduções do Imposto de Renda da classe média alta. Reduções de subsídios tributários que impliquem o fim das isenções para aplicações financeiras incentivadas, como as LCIs e as LCAs, já enfrentaram dificuldades para avançar no Congresso Nacional. Lula não tem o entorno mais moderado e diversificado de 2003. Quem o presidente ouvirá para tomar as decisões difíceis necessárias? Nesta quinta (5), ele se reuniu apenas com economistas de seu partido ou a ele ligados. Não bastará a escolha de um titular da Fazenda com visão adequada no âmbito fiscal; a visão do governo como um todo é essencial. Assim o demonstra o ensaio de ajuste fiscal no segundo governo Dilma Rousseff, sabotado pela própria máquina petista. editoriais@grupofolha.com.br
Isolado, BC fez o necess�rio ao interromper corte dos juros
Full Article
Original Source
Read the full article at Www1 →KhanList aggregates and links to publicly available news content. We do not host full articles from third-party sources. Always verify important information with original sources.