O IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) subiu 0,7% em setembro, após registrar queda em agosto (-0,4%), apontam dados divulgados nesta sexta-feira (25) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O resultado surpreendeu analistas do mercado financeiro ao ficar acima das projeções coletadas pela agência Bloomberg. A taxa de 0,7% superou tanto a mediana (0,55%) quanto o teto das estimativas (0,66%). A volta da inflação era aguardada devido a fatores como o fim do bônus de Itaipu. Esse desconto temporário na conta de luz havia puxado o IPCA-15 para o campo negativo (deflação) em agosto. Em 12 meses, o IPCA-15 acumulou inflação de 4,47% até setembro. A variação era de 4,24% na leitura anterior. A taxa segue abaixo do teto de 4,5% da meta perseguida pelo BC (Banco Central) para o índice oficial de inflação do país, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). Como o IPCA-15 é divulgado antes, dá uma sinalização para o comportamento do IPCA. Uma das diferenças entre os dois é o período de coleta dos preços. A apuração do IPCA-15 abrange a segunda metade do mês anterior e a primeira do mês de referência. No caso de setembro, a coleta foi realizada de 15 de agosto a 15 de setembro. Já o levantamento do IPCA ocorre ao longo do mês de referência. Por isso, o resultado de setembro ainda não está fechado. O IBGE publicará os dados em 9 de outubro. Esta foi a última divulgação do IPCA-15 antes do primeiro turno das eleições presidenciais. A votação ocorre em 4 de outubro. O custo de vida no Brasil tem sido usado na campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como arma para tentar desgastar o presidente Lula (PT). O petista busca o quarto mandato. A campanha de Lula tem procurado destacar o desempenho positivo de indicadores econômicos desde 2023, incluindo os de emprego e renda, além de medidas como o reajuste do salário mínimo acima da inflação. C-Level Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisões PROJEÇÕES PARA IPCA E CENÁRIO DE JUROS Na mediana, as projeções do mercado financeiro sinalizam IPCA de 4,92% para o acumulado dos 12 meses de 2026, conforme o boletim Focus, publicado pelo BC. A estimativa está acima do teto da meta (4,5%). A meta é considerada descumprida quando o IPCA acumulado permanece por seis meses seguidos de divulgação fora do intervalo de tolerância, que vai de 1,5% (piso) a 4,5% (teto). O centro é de 3%. Na semana passada, o Copom (Comitê de Política Monetária), ligado ao BC, reduziu a taxa básica de juros para 13,75% ao ano. Mesmo em queda, a Selic segue em patamar que dificulta o consumo de parte dos bens e serviços. Esse aperto dos juros busca esfriar a demanda que pressiona a inflação. A intenção é controlar os preços. O efeito colateral esperado é a perda de ritmo da atividade econômica, que já apareceu nos dados do PIB (Produto Interno Bruto). O El Niño é um dos fatores que preocupam economistas no segundo semestre de 2026. O evento climático desafia o agronegócio ao alterar a distribuição das chuvas. Em caso de perdas no campo, os preços dos alimentos podem ficar mais caros para o consumidor na cidade. O fenômeno também ameaça pressionar os custos em setores como o de energia.
IPCA-15 deixa defla��o para tr�s e sobe 0,7% em setembro, acima do esperado
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