Influ�ncia da China � mais bem vista que a dos EUA na Am�rica Latina, mostra pesquisa

Influ�ncia da China � mais bem vista que a dos EUA na Am�rica Latina, mostra pesquisa

Esta é a Cercanías, newsletter da Folha sobre América Latina. Quer recebê-la no seu email? Inscreva-se abaixo: Cercanías A newsletter da Folha sobre América Latina, editada pela historiadora e jornalista Sylvia Colombo A América Latina se desencantou com boa parte da esquerda que governou a região nos últimos anos. Em várias eleições recentes, países da região escolheram candidatos de direita. Isso, porém, não significou um alinhamento imediato aos Estados Unidos de Donald Trump. Pela primeira vez, a pesquisa anual de opinião pública Latinobarómetro registra que a influência da China é vista de maneira mais positiva pelos latino-americanos que a americana: 65% é indice de avaliação positiva da influência chinesa (era 48% em 2020); 57% aprovam a dos EUA. O Chile talvez seja o melhor retrato do aparente paradoxo. O país elegeu José Antonio Kast, um dos presidentes ideologicamente mais próximos de Donald Trump na região. Mas 70% dos chilenos consideram positiva a influência chinesa, contra apenas 46% que dizem o mesmo dos Estados Unidos. Não significa que o Chile de Kast tenha se tornado subitamente sinófilo, nem que os latino-americanos estejam trocando Washington por Pequim como referência política. Aliás, quando a pergunta é sobre a imagem dos dois países, os EUA ainda levam vantagem na região. A diferença está na palavra "influência". Marta Lagos, diretora do Latinobarómetro, oferece uma explicação provocadora: "O vazio que a China preenche é o dos bolsos". Para milhões de latino-americanos, a presença asiática não chega como uma discussão sobre comunismo ou democracia, mas na forma de celulares, carr os, eletrodomésticos e outros bens que se tornaram mais acessíveis. Para os países, chega também como comércio, infraestrutura, investimento e comprador de suas matérias-primas. É uma China bastante diferente daquela que Washington costuma apresentar como rival geopolítica. Do outro lado, a imagem positiva dos Estados Unidos na região caiu de 73% em 2024 para 63% neste ano, e 55% dos entrevistados acreditam que as políticas de Trump terão impacto negativo no mundo. Não é possível atribuir a queda apenas ao presidente americano, mas o contraste é difícil de ignorar. O movimento ajuda a desmontar uma equivalência frequente. Os latino-americanos parecem separar escolhas que muitas vezes colocamos no mesmo pacote: quem querem governando seus países, que valores políticos defendem e qual potência consideram benéfica para a região. Desencantada com parte da esquerda, a América Latina vem elegendo a direita nas urnas. Mas, na disputa silenciosa entre as grandes potências, faz outra escolha. Por enquanto, essa eleição é da China. MIRADA Na prisão feminina de segurança máxima de Chorrillos, em Lima, as detentas estão costurando bonecos de veludo do papa Leão XIV para a visita que ele fará ao Peru em novembro. São 78 mulheres trabalhando também em pulseiras e colares, dentro de um programa de reinserção produtiva do sistema penitenciário. LATINAS Uma história sobre os "falsos positivos" "Los Nuestros", da jornalista Catalina Oquendo, acaba de sair pela Penguin Random House (importado). A origem narrativa é fortíssima: Oquendo parte do caso real de um soldado que recebe a ordem de matar o próprio irmão para reconstruir a história dos "falsos positivos", as execuções extrajudiciais apresentadas pelo Exército colombiano como mortes de guerrilheiros em combate. O livro se apoia especialmente nas histórias das famílias, e especialmente das mulheres, que procuraram os mortos e a reconstrução do que aconteceu com eles. Crônicas de uma região O livro de outro veterano que cobre América Latina há tempos é "Años luz: Dos Décadas de una Crónica Latinoamericana", de Jacobo Garcia, publicado pela Anagrama em setembro (importado). Ganhou o 7º Premio Anagrama de Crónica / Fundación Giangiacomo FeltrinelliE não é exatamente um livro de memórias convencional. É uma mistura de memória profissional, crônica e bastidores de reportagem, construída a partir de mais de duas décadas de García como correspondente em México, América Central, Venezuela, Colômbia e Haiti. Ele volta a reportagens publicadas, mas também usa cadernos inéditos, conversas de redação e histórias de coberturas. Passam pelo livro Ayotzinapa, Chávez e Uribe, a ascensão de Bukele, o assassinato de Jovenel Moïse, narcotráfico no México, Chavela Vargas e Shakira. Guanajuato em festa Começa neste fim de semana a 54ª edição do Festival Internacional Cervantino. Durante 16 dias, a cidade mexicana recebe música, teatro, dança, ópera, cinema e artes visuais. São 2.746 artistas de 29 países e 212 apresentações. A França é a convidada de honra, mas a viagem é bem mais ampla: Mike Patton abre o festival com Mondo Cane, e a programação passa pela uruguaia Tamara Cubas, pelo colombiano Grupo Niche, pela companhia Antonio Gades e pelo Ballet Nacional de Marselha. Até 18 de outubro, em Guanajuato.

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