O governo do presidente Donald Trump intensificou as investigações criminais e civis sobre as acusações de que os democratas teriam conspirado para recrutar um candidato com intuito fraudulento em uma disputa crucial pelo Senado no Alasca, afirmaram autoridades nesta sexta-feira (30), gerando nova incerteza em relação às eleições de meio de mandato da terça (3). O principal promotor federal no Alasca, o procurador federal Michael Heyman, disse em uma entrevista coletiva que uma matéria publicada na quarta-feira pelo jornal The New York Times sobre a iniciativa provocou um "aumento" nos recursos do FBI, acrescentando que designou vários promotores para o caso e que as investigações estão ocorrendo de forma "intensa e rápida". "Todos os cidadãos do Alasca merecem uma eleição justa, e é isso que terão", disse ele. "Qualquer pessoa que tentar enganar ilegalmente os eleitores e interferir na eleição terá que responder por isso." O The New York Times noticiou que membros da equipe de campanha de Peltola e do braço de campanha do Partido Democrata para o Senado ajudaram a recrutar Daniel J. Sullivan Jr., um professor aposentado que mora em uma remota vila de pescadores, para concorrer às eleições. Peltola negou ter conhecimento de qualquer esforço para recrutar o segundo Sullivan, e o Comitê Democrata de Campanha para o Senado também negou envolvimento. O professor aposentado negou ter coordenado com a campanha de Peltola. A disputa no Alasca é amplamente vista como uma das disputas pelo Senado dos EUA que poderia influenciar o controle da Câmara, atualmente detido por uma pequena margem pelos republicanos de Trump. As ações judiciais do Departamento de Justiça no Alasca e na Califórnia, onde o governo Trump está tentando impedir que alguns votos sejam contados, representam uma intervenção federal extraordinária em eleições estaduais, que são administradas localmente de acordo com a Constituição dos EUA. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo Quando o Departamento de Justiça entrou com a ação civil contra o Alasca há uma semana, Trump disse aos repórteres: "Fui eu quem disse para fazer isso". Heyman se recusou a dar detalhes quando questionado sobre quais possíveis crimes estavam sendo investigados, afirmando que deixaria a investigação no Alasca seguir seu curso, embora Trump tenha pedido que a candidata ao Senado Mary Peltola, do Partido Democrata, seja processada. "Isso é fraude eleitoral no mais alto nível", disse Trump em um comício na Flórida na sexta. O Departamento de Justiça solicitou a um juiz federal que garanta a preservação das cédulas que "possam ser afetadas pela confusão dos eleitores". O pedido judicial solicitou a ajuda do juiz para obter documentos da campanha democrata e de outras fontes a fim de determinar "se a candidatura de Daniel J. Sullivan é frívola ou fraudulenta". O Departamento de Justiça também moveu uma ação contra o Alasca para impedir preventivamente que o estado certifique os resultados da disputa pelo Senado caso o candidato republicano à reeleição, Dan S. Sullivan, perca devido à presença de um terceiro candidato, chamado Daniel J. Sullivan Jr. Não está claro quais leis, se é que alguma, podem ter sido violadas. Ambos os partidos se envolveram na prática de "acumulação de votos", apoiando candidatos menos conhecidos para desviar votos de seus oponentes. Se os democratas conquistarem uma ou ambas as câmaras do Congresso, pretendem iniciar investigações sobre o governo Trump e aumentar a pressão sobre o presidente para que ponha fim à guerra contra o Irã. Autoridades eleitorais de todo o país disseram à agência Reuters que estão se preparando para novas interferências do governo Trump, que moveu ações judiciais contra cerca de 30 estados buscando obter suas listas eleitorais. "A nova tática consiste simplesmente em criar confusão, incerteza e dúvida suficientes por meio da apresentação de todas essas ações judiciais para preparar o terreno para, em última instância, creio eu, contestar os resultados assim que a poeira baixar após terça-feira", disse Jonathan Diaz, do Campaign Legal Center, uma organização apartidária. Trump há muito tempo vem tentando semear a desconfiança nos resultados eleitorais, afirmando falsamente há anos que sua derrota nas eleições de 2020 para o democrata Joe Biden foi resultado de uma fraude generalizada. Estudos e investigações comprovam que a fraude eleitoral nos EUA é extremamente rara. Apesar de qualquer incerteza, um número recorde de 49 milhões de pessoas votou antecipadamente, mais do que em qualquer outra eleição de meio de mandato na história dos EUA, de acordo com a Universidade da Flórida, tendo até mesmo o papa Leão 14, nascido nos Estados Unidos, votado pelo correio. O Departamento de Justiça também deu andamento a um processo judicial na Califórnia, emitindo intimações a autoridades eleitorais como parte de uma investigação criminal sobre supostos votos de não cidadãos, de acordo com cópias de documentos analisados pela Reuters. Na sexta-feira, um tribunal de apelação dos EUA rejeitou o pedido do departamento para impedir temporariamente a Califórnia de contar quaisquer votos por correspondência de mais de 20 mil eleitores registrados que, segundo o governo Trump, provavelmente não são cidadãos —a segunda vez que o tribunal tomou essa decisão nesta semana. Um juiz de primeira instância havia negado o pedido do governo, concluindo que isso poderia privar milhares de eleitores legítimos do direito de voto. Trump disse na sexta que participaria de comícios neste fim de semana em Iowa e no Kansas, um dia após cancelá-los, e afirmou a repórteres na Casa Branca que republicanos desses estados ligaram para ele e pediram que reconsiderasse.
Governo Trump investiga suposta fraude no Alasca por candidatos rivais com nomes iguais
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