A Fundação Memorial da América Latina pediu ao Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) a abertura de um processo de tombamento federal do conjunto arquitetônico projetado por Oscar Niemeyer. O ofício foi assinado na sexta-feira (9) pelo presidente da fundação, Pedro Mastrobuono. O pedido busca ampliar a proteção do complexo de São Paulo, que já é tombado pelas esferas municipal e estadual. A solicitação ocorre enquanto o governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) estuda uma parceria com a iniciativa privada para o espaço, incluído em maio no Programa de Parcerias e Investimentos do Estado. O documento encaminhado ao Iphan afirma que o conjunto deve ser reconhecido como patrimônio histórico e artístico nacional por sua importância para a arquitetura moderna brasileira e por seu papel na integração cultural latino-americana. Inaugurado em 1989, o Memorial ocupa uma área de cerca de 79 mil m² na Barra Funda, zona oeste da capital. O complexo foi concebido a partir de um projeto cultural do antropólogo Darcy Ribeiro e reúne espaços como a Biblioteca Latino-Americana Victor Civita, a Galeria Marta Traba, o Pavilhão da Criatividade Darcy Ribeiro e o Auditório Simón Bolívar. No ofício, Mastrobuono argumenta que o valor artístico do Memorial não se limita aos edifícios, mas inclui a integração entre construções, áreas livres, paisagismo e obras de arte. Ele também destaca que o conjunto materializa a parceria entre Niemeyer e Darcy Ribeiro e um projeto de integração cultural entre países da América Latina. O pedido retoma uma reivindicação do próprio arquiteto. Em carta de abril de 2007 ao então ministro da Cultura, Gilberto Gil, Niemeyer incluiu o Memorial entre as 28 obras que gostaria de ver protegidas pela União. O Iphan, porém, não aprovou o tombamento federal em 2016. Segundo o ofício, a decisão levou em conta as condições de conservação verificadas na época, especialmente os danos causados pelo incêndio que atingiu o Auditório Simón Bolívar em 2013. O espaço foi recuperado e voltou a funcionar em 2017. A fundação afirma que a situação atual justifica uma nova avaliação técnica. O tombamento federal acrescentaria uma camada de proteção ao conjunto, reconhecendo sua relevância para além das esferas municipal e estadual. A solicitação ocorre em meio à discussão sobre o futuro do Memorial. Em maio, a gestão Tarcísio incluiu o espaço no Programa de Parcerias e Investimentos do Estado, com a previsão de estudos para uma possível parceria com a iniciativa privada. A medida provocou reação da diretoria e de servidores da instituição, que criticaram a falta de diálogo prévio e defenderam a preservação de sua missão cultural, acadêmica e científica. O pedido de tombamento federal pode impor novas restrições a uma eventual concessão do Memorial da América Latina à iniciativa privada. A proteção não impede a transferência da gestão, mas submete intervenções no conjunto arquitetônico a regras adicionais de preservação. Em junho, artistas, pesquisadores e outras personalidades anunciaram o movimento SOS Memorial, contrário à possibilidade de concessão. A mobilização também destacou a criação do Distrito Acadêmico e Científico Latino-Americano, iniciativa voltada ao fortalecimento das atividades de pesquisa e formação. com DIEGO ALEJANDRO, JULLIA GOUVEIA e KARINA MATIAS LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Funda��o pede ao Iphan tombamento federal do Memorial da Am�rica Latina
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