O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) votou nesta quarta-feira (14) a favor do fim da escala 6x1, em uma mudança de discurso em relação à proposta do governo Lula (PT), seu adversário na eleição. O plenário do Senado aprovou a PEC (proposta de emenda à Constituição) do fim da escala 6x1 com 75 votos. Somente o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) votou contra. Eram necessários apoios de 49 dos 81 parlamentares. Flávio Bolsonaro, no entanto, não participou da sessão. Ele registrou a presença por volta de 20h30 e votou pela internet, o que é permitido no modelo semipresencial que foi adotado nesta quarta. A votação em segundo turno foi concluída por volta das 22h. O candidato do PL estava em campanha em Porto Alegre, onde fez um comício no centro histórico. No comício, Flávio ignorou o tema da 6x1, que tampouco apareceu nas suas redes sociais nesta quarta. Apesar do voto favorável, o senador garantiu a aliados e empresários a revisão de pontos da proposta caso seja eleito, como mostrou a coluna Painel. Rogério Marinho (PL-RN), coordenador-geral da campanha de Flávio, não registrou presença na sessão e, portanto, não votou. Ele estava presente no Senado nesta quarta, mas preferiu evitar registrar um voto contrário. Em meio ao segundo turno, a aprovação da redução da jornada com manutenção do salário é uma das principais apostas de Lula para tentar uma virada na eleição, já que o petista está atrás de Flávio nas pesquisas. A 11 dias da votação, Flávio foi pressionado pela popularidade da medida e decidiu votar a favor da proposta, a qual já chamou de oportunista. Durante a campanha, o senador vinha evitando responder se votaria contra ou a favor da PEC, e o PL tentou adiar a votação para depois da eleição, sem sucesso. No último dia 6, quando a PEC começou a ser discutida no Senado, Flávio Bolsonaro afirmou que Lula "no meio do segundo turno, vem de uma forma oportunista querer fazer um movimento achando que isso vai dar voto para ele". O senador não participou de nenhuma das sessões de discussão da matéria, que antecedem obrigatoriamente a votação. A coordenadora da campanha de Flávio na área econômica, Daniella Marques, chegou a dizer, em agosto, que o debate sobre o fim da escala 6x1 era populista e inócuo. Eleições Hoje Receba no seu email destaques das campanhas, pesquisas e disputas nos estados Nesta terça-feira (13), véspera da votação, Flávio declarou voto favorável logo após uma visita ao seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está em prisão domiciliar no âmbito da condenação por tentativa de golpe de Estado. "A maioria dos trabalhadores brasileiros querem o fim da 6x1, então vou votar a favor", disse. Flávio tem se comprometido, se eleito, a trabalhar pela aprovação do projeto do senador Rogério Marinho. Criticada pelo governo, a proposta da oposição prevê um regime flexível por horas trabalhadas. Na prática, a medida implica em redução de salário em caso de redução de jornada e negociação entre patrão e empregado. Em reação à mudança de discurso de Flávio, Lula afirmou, nesta terça, que o PL estava tomando posição por causa de pressão da sociedade. "Me parece que depois da pressão da sociedade, me parece que depois de todas as manifestações de rua desse Brasil, o PL resolveu votar o fim da escala 6x1", declarou. No domingo (11), Lula havia dito que a votação da PEC antes do segundo turno da eleição já estava acordada com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). "A única coisa que a oposição pode fazer é demonstrar se eles vão ter coragem de votar contra ou a favor", disse. Durante um evento em São Paulo, na noite desta terça, Flávio criticou Alcolumbre por ter colocado em pauta a proposta que favoreceria Lula na eleição. "O Senado, por enquanto, tem um presidente que protege o governo, que bota para votar pautas a poucos dias das eleições para tentar ajudar Lula. Pautas sérias que impactam o país inteiro, que tinham que ser discutidas após as eleições", disse. Na Câmara, o PL alardeou inicialmente o viés eleitoral do fim da escala 6x1 e tentou adiar a discussão da proposta na comissão especial, adotando estratégia de "dobrar a aposta" para constranger o governo. O partido apresentou requerimento para adoção da escala 4x3, de quatro dias de trabalho para três de folga, e para que a PEC entrasse em vigor imediatamente, sem transição.
Fl�vio Bolsonaro silencia e vota a dist�ncia pelo fim da escala 6x1
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