John D. Jay Rockefeller 4º, herdeiro de uma das famílias mais ricas e influentes dos Estados Unidos que dedicou três décadas de sua carreira no Senado à ampliação do acesso à saúde para a população mais pobre, morreu nesta sexta-feira (6), aos 89 anos, em sua casa, em Washington. A morte foi informada por sua mulher, Sharon Percy Rockefeller. Democrata, Rockefeller representou a Virgínia Ocidental no Senado por cinco mandatos consecutivos, de 1985 a 2015. Antes disso, governou o estado, um dos mais pobres do país e historicamente ligado à mineração de carvão, por dois mandatos, de 1977 a 1985. A ampliação da cobertura de saúde foi uma das principais bandeiras de sua trajetória política. Em 1997, ele teve papel fundamental na criação de um programa federal que permite ao governo americano ajudar os estados a oferecer assistência médica a milhões de crianças sem seguro-saúde. Rockefeller também apoiou a tentativa do presidente democrata Bill Clinton de estabelecer uma cobertura de saúde quase universal, na década de 1990, e trabalhou pela aprovação da reforma do setor proposta por Barack Obama, sancionada em 2010. Durante a tramitação da lei, defendeu, sem sucesso, a criação de uma opção pública de seguro-saúde, que permitiria à população contratar um plano oferecido pelo governo federal e competir com as seguradoras privadas. "Defender os mais necessitados tem sido a vocação da minha vida e nunca deixarei de lutar para fazer a diferença na vida das pessoas que significam tanto para mim", afirmou em 2013, ao anunciar que não disputaria um sexto mandato no Senado. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo A atuação de Rockefeller também foi marcada pela oposição à Guerra do Iraque. Em 2002, ele votou a favor da resolução que autorizou o então presidente republicano, George W. Bush, a usar a força militar contra o regime de Saddam Hussein. A invasão liderada pelos EUA começou no ano seguinte. Posteriormente, o senador se arrependeu do voto e afirmou que o governo Bush havia manipulado informações de inteligência para justificar a guerra. Antes da invasão, a Casa Branca dizia que o Iraque possuía armas de destruição em massa e mantinha ligações com a rede terrorista Al-Qaeda, responsável pelos atentados de 11 de setembro de 2001. As armas, porém, nunca foram encontradas. Como presidente da Comissão de Inteligência do Senado, ele coordenou um relatório divulgado em 2008 que apontou que Bush, o então vice-presidente Dick Cheney e outros integrantes do governo exageraram conclusões dos serviços de inteligência e desconsideraram divergências internas sobre o suposto arsenal iraquiano e os vínculos com a Al-Qaeda. O documento também rejeitou as afirmações de que o regime de Saddam Hussein mantinha uma parceria operacional com a organização terrorista. Para Rockefeller, apresentar os dois como uma ameaça conjunta foi "fundamentalmente enganoso" e levou os EUA à guerra com base em premissas falsas. Bisneto do magnata do petróleo John D. Rockefeller, Jay Rockefeller nasceu em 18 de junho de 1937, em Nova York, poucas semanas depois da morte do antepassado, que havia sido o homem mais rico dos EUA. Seu sobrenome carregava expectativas políticas e empresariais: seu tio Nelson Rockefeller foi governador de Nova York e vice-presidente americano, enquanto outro tio, David Rockefeller, comandou o banco Chase Manhattan. Sua trajetória, no entanto, tomou outro rumo depois de se formar na Universidade Harvard. De 1964 a 1966, participou de um programa de serviço nacional na zona rural da Virgínia Ocidental, onde trabalhou com comunidades pobres e passou a conviver com famílias de mineiros de carvão. A experiência o levou a se estabelecer no estado e a iniciar uma carreira na política local. Cercanías A newsletter da Folha sobre América Latina, editada pela historiadora e jornalista Sylvia Colombo Em 1966, foi eleito para a legislatura estadual. Dois anos depois, assumiu o cargo de secretário de estado da Virgínia Ocidental. Derrotado na disputa pelo governo em 1972, trabalhou posteriormente como reitor de uma universidade. Em 1976, voltou a concorrer e foi eleito governador, sendo reeleito quatro anos depois. Em 1984, conquistou uma cadeira no Senado, em uma campanha que financiou em parte com milhões de dólares de sua própria fortuna. Ao longo dos 30 anos no Congresso, também presidiu as comissões de Comércio, Ciência e Transporte e de Assuntos de Veteranos. Embora costumasse defender os setores de carvão e aço, importantes para a economia da Virgínia Ocidental, Rockefeller entrou em conflito com empresários da mineração em 2012. Naquele ano, contrariou os republicanos ao se opor a iniciativas que buscavam impedir a regulamentação das emissões de usinas termelétricas movidas a carvão. Rockefeller era casado com Sharon Percy Rockefeller, executiva da televisão pública americana, com quem teve quatro filhos. Segundo a mulher, a família planeja fazer uma cerimônia em homenagem ao ex-senador.
Ex-senador Jay Rockefeller, que transformou sistema de sa�de nos EUA, morre aos 89
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