"Ganhei três vezes". Este é o mantra de Donald Trump. Não importa se ele perdeu para Joe Biden em 2020, se daí planejou um golpe que fracassou, se voltou ao poder com margem apertada no voto popular e alguma folga no Colégio Eleitoral, enfim, nada importa. Ele repete que venceu a corrida presidencial em 2016, 2020 e 2024. É com esta mentira que manipula seu tabuleiro de ambições. Em março deste ano, impôs ao país um acervo de regras eleitorais que vem sendo desmantelado, sob enorme confusão jurídica. Não aceitará outro resultado nas eleições de meio mandato, em novembro, que não seja a manutenção do seu controle sobre as casas do Congresso. "EU estou na cédula", vende-se nos púlpitos da campanha. Trump sabe que os republicanos estão perdendo terreno, que ele é impopular e que os democratas devem levar a melhor na Câmara e no Senado. Dias atrás, a revista digital The New Republic publicou um artigo que sacudiu o meio político nos EUA. A trepidação começou na assinatura do autor. Trata-se de J. Michael Luttig, um juiz conservador, aposentado na Corte de Apelação. Foi ele quem, em 6 janeiro de 2021, convenceu o então vice-presidente americano, o republicano Mike Pence, a cumprir sua missão constitucional e dar posse a Biden. Trump, o incumbente derrotado, já se evadia para a Flórida, não sem antes insuflar os bárbaros a atacar o Capitólio. Lembramos bem daquele dia. Foi tristemente imitado no Brasil, em 8 de janeiro de 2023. E o que diz Luttig no artigo "A Batalha Final pela Democracia na América"? Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo Ele oferece uma previsão ao descrever tecnicamente outro golpe. Importante frisar que Luttig não é só testemunha da história recente, mas um republicano cheio de brios. Sustenta que aquele ataque à democracia, contido em 2021, tem meios de se consumar agora, não na proclamação do resultado eleitoral de novembro, mas na posse do Congresso, em três de janeiro de 2027. Luttig parte da premissa de que os democratas irão se sair bem. Presidente da Câmara, o republicano Mike Johnson e a bancada do partido, ecoando o chefão na Casa Branca, denunciarão a "fraude eleitoral". Johnson usará o regimento interno para destituir o atual secretário da Câmara, o respeitado Kevin McCumber, que se recusará a alterar as listas de integrantes da nova legislatura. McCumber então será substituído por um fiel escudeiro do Maga. Já há nomes cotados. Cria-se uma barafunda tal que a posse dos democratas eleitos será suspensa. Sim, eles recorrerão aos juízes federais, mas o imbróglio terá um longo percurso até chegar à Suprema Corte. A essa altura, quem sabe?, fabricam-se narrativas para anular o pleito. Certo é que o país ficará paralisado por meses. Pode-se dizer que tudo isso é futurologia, porém, basta ter nariz para sentir o cheiro da crise. Talvez ela não se dê dentro deste roteiro, mas já exala o veneno de 2021. Ali a ideia de transmissão pacífica e legítima do poder foi corrompida. Como destaca o juiz, republicanos do Congresso atual fizeram um juramento solene, seis anos atrás, de não só colocar o partido acima do país, mas de colocar Trump acima de tudo. Hoje Luttig propõe o impensável: um acordo entre congressistas republicanos e democratas, firmado já, para garantir o cumprimento do resultado das eleições. Só assim reforçarão a autoridade que emana daquelas três palavrinhas que abrem o texto constitucional: "Nós, o Povo". LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
EUA j� discutem poss�vel roteiro de golpe pr�-Trump ap�s elei��o legislativa
Full Article
Original Source
Read the full article at Www1 →KhanList aggregates and links to publicly available news content. We do not host full articles from third-party sources. Always verify important information with original sources.