Espriella segue Trump e tira Col�mbia de coaliz�o internacional pelos direitos LGBT+

Espriella segue Trump e tira Col�mbia de coaliz�o internacional pelos direitos LGBT+

A Colômbia deixou, nesta quinta-feira (17), a Coalizão pela Igualdade de Direitos, uma organização internacional pelos direitos da população LGBTQIA+ da qual fazem parte mais de 40 países e na qual Bogotá exercia a presidência, ao lado da Espanha. "A retirada da Colômbia da Coalizão pela Igualdade de Direitos não significa, de nenhuma forma, um retrocesso em matéria de direitos para a população LGBTI", afirmou em um comunicado Pedro Agustín Roa, vice-ministro da pasta de Relações Exteriores sob o governo de Abelardo de la Espriella, eleito em junho deste ano. "Pelo contrário, a Colômbia possui um conjunto muito robusto de direitos protegidos pela Constituição, políticas públicas e uma série de regulamentos, bem como por decisões do Tribunal Constitucional, que protegem as minorias com base na orientação sexual", completou. A decisão pela saída, continua, seria fruto de um "exercício de priorização". "Foi identificado que a participação nesse mecanismo não era prioritária", afirmou Roa antes de agradecer à Espanha e às organizações da sociedade civil com as quais Bogotá dividiria a Presidência até 2027. Também faz parte da organização a Argentina de Javier Milei, que tenta minar discussões relacionadas a diversidade em sua agenda internacional desde que tomou posse, em 2023. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo O Brasil se juntou à coalizão no mesmo ano, meses após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltar ao poder. Os Estados Unidos, que em nota do Departamento de Estado de 2016, durante o fim do governo de Barack Obama, colocavam-se como um "orgulhoso membro-fundador" do grupo, saiu da entidade em 2025, no segundo mandato de Donald Trump. A Colômbia havia entrado na coalizão em dezembro de 2024, durante o terceiro ano do mandato de Gustavo Petro, primeiro presidente de esquerda do país. A saída nesta semana pode indicar uma virada nas políticas relacionadas a minorias, conforme Espriella havia prometido em sua campanha. Em uma entrevista em maio deste ano, por exemplo, o ultradireitista defendeu uma "contrarrevolução cultural". "Eles contaram a história da subversão e do narcoterrorismo como bem entenderam e, além disso, tiraram Deus das salas de aula e introduziram a ideologia de gênero", afirmou, usando o termo que setores conservadores criaram para se referir a educação sexual e ensino de diversidade em escolas. A declaração se repetiu ao longo da campanha com variações, assim como ocorreu com sua posição a respeito da adoção por casais homoafetivos. Em outra entrevista, em abril deste ano, Espriella, um ex-ateu, disse que não teria aprovado esse direito, mas que o respeitaria caso fosse eleito. "Antes de ter meus filhos, eu achava que era melhor para uma criança abandonada em um orfanato viver com um casal do mesmo sexo do que permanecer lá", afirmou. "Quando tive minha filha Lucía, entendi que uma criança precisa de uma divisão de papéis para crescer com educação adequada e defender os princípios e valores fundadores do judaico-cristianismo." Para além de questões simbólicas, o novo governo já dá sinais de que impulsiona uma agenda conservadora na Colômbia. Desde a posse de Espriella, a chamada Bancada Pró-vida no Congresso, que conta com mais de 50 políticos dos 286 membros do Legislativo, apresentou um projeto para proteger a vida "desde a concepção", o que tornaria ilegal o direito ao aborto, atualmente permitido no país até 24ª semana de gestação, e outro para proibir tratamentos médicos de afirmação de gênero em crianças e adolescentes. Um dos principais nomes do grupo, o deputado Luis Miguel López, celebrou a saída da Colômbia da Coalizão pela Igualdade de Direitos. "A Colômbia pode defender a dignidade e os direitos de todas as pessoas sem submeter sua política externa a agendas ideológicas", afirmou ele na rede social X. "E antes que comecem com as falácias, vamos esclarecer que sair desta coligação não significa ignorar ou violar os direitos de nenhum colombiano." A Caribe Afirmativo, também na Presidência da coalizão como organização da sociedade civil da Colômbia, discorda. O grupo disse em suas redes sociais ter recebido a notícia da saída de Bogotá "com preocupação". "Essa decisão impõe limites e obstáculos diretos à defesa dos direitos LGBTIQ+ e ao cumprimento de seus compromissos internacionais", afirmaram. "A gravidade dessa decisão aumenta pelo fato de a Colômbia ter assumido a responsabilidade de copresidir a Coalizão de 2025 a 2027, em um momento em que o mundo enfrenta retrocessos significativos nos direitos LGBTIQ+."

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