O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, afirmou nesta segunda-feira (31) que há indícios de que redes ligadas à Rússia e a Israel tenham disseminado desinformação sobre a política migratória espanhola. Isso teria contribuído para a onda recorde de migrantes que tentaram entrar no exclave espanhol de Ceuta no fim de julho. Segundo ele, porém, não há evidências de participação do Marrocos na mobilização. Mais de 72 mil migrantes atravessaram irregularmente a fronteira entre Marrocos e Ceuta entre 30 e 31 de julho, em um movimento sem precedentes em uma das duas únicas fronteiras terrestres da União Europeia com a África. Pelo menos 82 pessoas foram encontradas mortas do lado espanhol da fronteira, enquanto o Marrocos confirmou outras 14 mortes. Partidos de oposição na Espanha e organizações de direitos humanos acusaram o governo marroquino de ter permitido deliberadamente a passagem em massa. Rabat nega a acusação. "Quando as pessoas falam e especulam sobre a participação das autoridades marroquinas, nego isso categoricamente", disse Sánchez à rádio SER. Segundo autoridades espanholas, vídeos publicados no Instagram, TikTok e outras redes sociais disseminaram informações falsas de que migrantes que chegassem a Ceuta pelo mar poderiam permanecer na Espanha. As mensagens teriam incentivado milhares de pessoas a tentar a travessia. Sánchez afirmou que uma investigação do Serviço Europeu de Ação Externa (EEAS, na sigla em inglês), braço diplomático da União Europeia, apontou para a atuação de redes russas e israelenses na disseminação da desinformação, em conjunto com grupos de extrema direita. Segundo o premiê, Rússia e Israel aproveitaram a crise para atacar politicamente Madri devido à posição espanhola sobre as guerras na Ucrânia e em Gaza. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo Sánchez não apresentou detalhes sobre as evidências. O Ministério das Relações Exteriores de Israel, a Embaixada da Rússia na Espanha e o EEAS não haviam respondido aos pedidos de comentário da Reuters. A crise também provocou uma reação de outros países europeus. A Itália anunciou nesta segunda-feira que manterá por mais 15 dias a suspensão das regras de livre circulação com a Espanha, prolongando os controles impostos após a chegada em massa de migrantes a Ceuta. Roma havia restabelecido os controles em 1º de agosto, alegando a necessidade de impedir que migrantes que entrassem em Ceuta seguissem para a Itália. A medida deveria expirar nesta segunda-feira. Em resposta, a Espanha também anunciou que manterá por mais 15 dias os controles sobre passageiros procedentes da Itália por via aérea e marítima. As medidas de retaliação mútua representam um golpe para o espaço Schengen, que permite a livre circulação sem controles sistemáticos de passaportes entre seus países-membros. O Ministério do Interior italiano justificou a extensão pela "persistência dos fatores" que haviam levado à reintrodução dos controles. As autoridades espanholas estimam que entre 5.000 e 8.000 migrantes ainda permaneçam em Ceuta. A decisão ocorre em meio à pressão política sobre a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, que adota uma linha dura contra a imigração irregular. Seu governo enfrenta o avanço do partido de extrema direita Futuro Nazionale, cuja retórica sobre o tema vem ganhando espaço entre eleitores antes das eleições previstas para o próximo ano. A oposição de centro-esquerda italiana criticou a manutenção dos controles, afirmando que a medida prejudica as relações com Madri e que não havia indicação de que os migrantes de Ceuta pretendiam viajar para a Itália.
Espanha acusa R�ssia e Israel de desinforma��o ap�s onda migrat�ria em Ceuta
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