Duas empresas de Michael Klein, herdeiro da família fundadora da Casas Bahia, são listadas no pedido de recuperação judicial da companhia como credoras e prestadoras de serviços da varejista. Pela lista apontada à Justiça, os débitos da rede com as empresas ultrapassam R$ 63,7 milhões. Por ser um credor quirografário (com créditos sem garantia real), o empresário poderá votar em assembleia que vai discutir o plano de recuperação. As firmas de Klein no processo são a Icon Properties Ltda. e a Capital Brasileiro de Empreendimentos Imobiliários, integrantes do conglomerado Icon Realty Empreendimentos Imobiliários —braço de negócios de Michael para o mercado imobiliário, como galpões logísticos e industriais. Eva Klein, irmã de Michael, também é sócia na Icon. Consultado, Michael Klein não quis comentar. A Casas Bahia não respondeu aos questionamentos da reportagem. Segundo o documento, a Icon tem dois débitos listados: o primeiro, de R$ 49,5 milhões relacionado a um processo de arbitragem, e o segundo de R$ 13,8 milhões com a rubrica "imobiliário". Já a Capital Brasileiro possui uma conta de R$ 366,6 mil, também com a classificação "imobiliário". Nas informações financeiras prestadas pela Casas Bahia referentes ao 2º trimestre, a companhia e a Móveis Bartira (subsidiária que realiza a venda de móveis à varejista) têm contratos de aluguel de 158 imóveis em diversas regiões do país. Os dados apontam que a rede tem um passivo de R$ 406 milhões referentes contrato de locação dos imóveis para os próximos anos. O documento ainda cita um acordo celebrado em 2010 entre a Casas Bahia e os sócios da Icon que garante o direito de ser indenizada por eventuais perdas e danos de demandas judiciais originadas durante a gestão dos antigos controladores. Pelo balanço, a varejista tem R$ 376 milhões a receber da Icon em processos judiciais. Protocolado no último domingo (16), o pedido de recuperação judicial da Casas Bahia aponta dívidas que ultrapassam R$ 17,3 bilhões. Na lista de credores estão mais de 20 mil empresas e pessoas físicas. Michael foi o principal acionista da companhia e chegou a ser presidente do conselho da antiga Via Varejo. Fora da tomada de decisões da administração desde 2020, Klein hoje detém cerca de 0,2% das ações da varejista. Eva tem outros 0,3%, segundo dados da empresa para o 1º trimestre. No ano passado, quando a companhia estava saindo de uma recuperação extrajudicial organizada em 2024, o empresário tentou retomar sua influência na empresa fundada pelo pai, Samuel Klein, morto em 2014 aos 91 anos. Até então, Michael detinha o equivalente a 10% das ações da empresa, porém sua participação foi diluída após uma conversão de dívida em ações que deu à Mapa Capital o controle da varejista. Os planos, no entanto, não avançaram, já que a Mapa Capital se tornou acionista majoritária da companhia e passou a controlar mais de 80% do negócio. Atualmente, Raphael Oscar Klein, filho de Michael, é conselheiro da companhia. Ele foi eleito para o cargo em abril deste ano e terá mandato válido até agosto de 2028. Nos últimos anos, Michael e seu irmão mais novo, Saul, disputaram judicial e publicamente pelos valores da herança deixada pelo pai. A varejista, que sempre tentou se manter afastada da disputa entre os irmãos, foi arrastada para o conflito. Em agosto de 2024, um escritório de Michael, que operava no mesmo prédio onde fica a primeira loja da Casas Bahia, em São Caetano do Sul (SP), foi alvo de mandados de busca e apreensão. Em setembro de 2013, quando ainda era vivo, Samuel transferiu para empresas offshore dos quatro filhos o equivalente a 25,1% de sua participação na Casas Bahia.
Empresas de Michael Klein aparecem como credoras da Casas Bahia, e ele poder� votar em recupera��o
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