Em meio a processo de impeachment no Paraguai, Santiago Pe�a pede calma e diz que vai se defender

Em meio a processo de impeachment no Paraguai, Santiago Pe�a pede calma e diz que vai se defender

Em meio ao escândalo do Ueno Bank que deixou metade da população do Paraguai sem acesso ao dinheiro guardado no banco, o presidente do país, Santiago Peña, disse em nova nota nesta quinta-feira (5) que vai apresentar sua defesa "em respeito à Constituição" —e pediu que os paraguaios preservem "a calma e a paz". Peña, que foi acionista do grupo controlador do Ueno até março de 2025, apresentou sua renúncia ao Congresso do Paraguai depois que o banco central do país interveio na instituição por falta de recursos mínimos para solvência e indícios de irregularidades. O Legislativo ainda não aprovou a renúncia de Peña, passo necessário para que tenha validade. Concomitantemente, abriu um processo de impeachment contra o presidente, que, se bem-sucedido, deixaria o político sem foro privilegiado. Em longa publicação em rede social, Peña disse na noite de quinta que, "ante a continuidade do juízo político", isto é, o impeachment, "me apresentarei e exercerei meu direito de defesa". Segundo a imprensa local, Peña tem até as 10h desta sexta (6) para se defender do processo. "O farei com argumentos e provas, com respeito à Constituição e às instituições da República." "Sei que estamos vivendo horas de preocupação e incerteza", afirmou. "Exercerei meu direito não por uma questão de orgulho pessoal, mas porque prestar contas e dar explicações também é uma responsabilidade perante o povo paraguaio." "Colaborarei plenamente com as instituições competentes para que se esclareça o ocorrido, se determinem as responsabilidades e para que aqueles que tenham infringido a lei respondam perante à Justiça", prosseguiu Peña. "Entregarei a informação que me for pedida. Os cidadãos merecem conhecer a verdade, sem acobertamento e sem que ninguém esteja acima da lei." Ao mesmo tempo, o presidente disse que "o pagamento dos correntistas [do Ueno] não pode depender do que quer que aconteça comigo". "A discussão sobre a minha continuidade no cargo não pode paralisar as soluções de que precisam as famílias afetadas." "Esclarecer os fatos e resolver os pagamentos são obrigações que devem avançar ao mesmo tempo —uma não pode ser desculpa para postergar a outra", afirmou Peña. "Peço que preservemos a calma e paz. Meu destino pessoal não está acima do Paraguai. Qualquer que seja o resultado do processo, atuarei com responsabilidade e respeito à Constituição. Meu compromisso é com a verdade, com as instituições e, sobretudo, com as famílias paraguaias. Que Deus abençoe o Paraguai", concluiu. Na nota, Peña não fez comentários sobre o seu paradeiro. A oposição questionou se o presidente ainda estaria no Paraguai, fazendo comparações com Flávio Bolsonaro (PL), que fugiu do Brasil após ser derrotado nas eleições presidenciais. Um porta-voz de Peña disse que ele está em Assunção, mas que não revelará seu local exato por questões de segurança.

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