Em livro sobre o pai, Fl�vio Bolsonaro defende ditadura e massacre do Carandiru

Em livro sobre o pai, Fl�vio Bolsonaro defende ditadura e massacre do Carandiru

Muita gente se espantou com os rumos do debate da Band entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) na noite do último domingo. Eu achei que transcorreu dentro do esperado. Colunas Receba no seu email uma seleção de colunas da Folha Apenas uma coisa causou estranheza: a discussão sobre segurança pública. Este é um tema que puxa e tira votos em qualquer eleição. E, por isso mesmo, temos que observar com cuidado e nos manter alertas quando ele aparece na boca de candidatos. No passado, tivemos promessas semelhantes às de agora. Mas o eleitor atual, pouco atento, pode cair numa armadilha sem volta, que terá impacto no seu futuro. Nas eleições para governador do Rio de Janeiro, em 1986, dois candidatos se destacavam na disputa: Wellington Moreira Franco (PMDB) e Darcy Ribeiro (PDT), este apoiado pelo ex-governador Leonel Brizola. Com uma campanha ancorada no jingle "O Nome Dele é Moreira", cantado na voz popular da sambista Dona Ivone Lara, Moreira Franco venceu o adversário com certa folga (49,35% a 35,88% dos votos) e com a promessa —que era uma verdadeira cilada— de acabar com a violência em apenas seis meses. Discursos empolgantes podem até sair da cartola, como em um circo de cavalinhos, mas soluções práticas requerem estratégia clara e planejamento acurado. Os discursos dos atuais candidatos —especialmente e Flávio— têm jogado luz sobre promessas milagrosas: dar mais segurança aos brasileiros, com penas mais duras para roubo de celulares e violência doméstica. Também defendem o combate à corrupção e a redução da maioridade penal. Por sua vez, o candidato do PT tem falado na criação do Ministério da Segurança Pública como solução nacional. É bom lembrar que esses rompantes foram os primeiros fiascos do esperado governo de Moreira Franco. Quatro anos depois, ao deixar o Palácio Guanabara, publicou o livro "Em Defesa do Rio" (Topbooks, 1991), no qual reconhecia os erros da desastrosa promessa, mas atribuia também à população fluminense o fracasso que era todo seu: "Estamos diante de uma questão grave, muito grave... A culpa é minha e de toda a sociedade, porque ainda não nos organizamos para isso". Os arroubos de Flávio sobre segurança pública parecem com o mesmo filme envelhecido que desmoralizou Moreira Franco e seu governo. Obviamente o "camaleão político", como ficou conhecido o ex-governador, logo retornaria à cena pública, primeiro como deputado federal, tornando-se, depois, na era Michel Temer, dirigente de estatal e ministro. Todo cidadão de bem desse país precisa estar atento para não cair em armadilhas e se arrepender depois. Flávio Bolsonaro também escreveu um livro, com redação bastante sofrível: a biografia sobre o pai, panfleto duvidoso que serviu para abrir caminho de propaganda para lançar o genitor como candidatoà Presidência da República. Em "Mito ou Verdade: Jair Messias Bolsonaro" (Ed. Altadena, 2017), obra de 200 páginas que serviu de inspiração para o polêmico filme "Dark Horse", temos relatos que vão da defesa do massacre do Carandiru, chamado por ele de "legítima defesa", onde 111 presos foram brutalmente mortos, negação sobre o golpe de militar de 1964, elogios ao coronel torturador Brilhante Ustra e críticas à crítica às urnas eletrônicas. Pelo que se depreende da obra, o debate do domingo (18) está dentro da postura arrogante esperada do candidato do PL. Dito isto, não há dúvidas de que tais disparates também sirvam para referendar seu futuro projeto de poder. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

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