A campanha de Renan Santos, candidato do partido Missão à Presidência da República, foi marcada por discursos radicais, postura antissistema e ataques contra os dois principais candidatos, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Disputando uma eleição pela primeira vez, o militante, que é um dos fundadores do MBL (Movimento Brasil Livre), também teve seu nome no centro de decisões judiciais controversas ao longo da corrida, que deram visibilidade para sua candidatura. Com propostas radicais no campo da segurança pública, Renan afirmou, no lançamento de sua candidatura: "Vamos matar quem roubar". No mesmo evento, o candidato do Missão disse que iria "tingir o chão de vermelho com sangue". Manteve discurso com xingamentos e críticas contra Flávio e Lula, apostando no confronto aberto com os dois polos. No debate da Band, em agosto, Renan aproveitou a ausência dos dois e exibiu fraldas geriátricas com os nomes de ambos, chamando-os de medrosos. "Vou tirar Flávio do segundo turno e derrotar Lula", afirmou em junho. Contra o senador, usou adjetivos como estúpido, fujão e vassalo de Donald Trump. Quanto a apoiar Flávio, já disse que, se fosse para "votar em bandido", votaria em Lula. Em junho, a Folha acompanhou Renan por dois dias no Pará, enquanto o candidato usava municípios mais afastados das capitais como laboratório de pré-campanha, com fórmula que misturava denúncia local, ataque a adversários e promessa de solução. Nas pesquisas Datafolha, o candidato do Missão oscilou dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Em agosto, tinha 4% e, na rodada divulgada neste sábado (3), estava com 3%. As eleições presidenciais de 2026 foram as primeiras do Missão, cujo registro foi oficializado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em setembro de 2025. Na Câmara dos Deputados, a bancada estreou com apenas uma cadeira. Kim Kataguiri trocou o União Brasil pelo partido do MBL durante a janela partidária e busca a reeleição como deputado federal. Movimento de juventude, conservador e com forte presença nas redes sociais, o MBL ganhou projeção ao liderar atos pelo impeachment de Dilma Rousseff. Quando o partido foi criado, Renan declarou à Folha que os membros do movimento estavam "se afastando da ideia do liberalismo inicial" e fundando um partido "no campo da direita altamente pragmático". A aproximação em 2015 com Eduardo Cunha —já investigado pela Lava Jato na época do impeachment— e a filiação de quadros do movimento a partidos do centrão levantam dúvidas sobre o momento em que o pragmatismo entrou na ordem do dia para o MBL. Na campanha de agora, Renan encontrou apoiadores no mercado financeiro. Na Faria Lima, José Olympio Pereira, ex-chefe em bancos como Credit Suisse e Safra, apoiou publicamente o candidato e o ajudou a abrir portas. Outros nomes conhecidos no setor, como Tony Volpon (ex-diretor do Banco Central) e João Landau (Vista Capital), também engrossaram o coro pró-Renan. A simpatia do setor financeiro reverberou no exterior. Em editorial de setembro, a revista britânica The Economist chamou de sombria a escolha entre Lula e Flávio e viu em Renan o candidato mais adequado nas questões envolvendo economia. A campanha do presidenciável do Missão também esteve no centro de decisões controversas por parte do Judiciário. Ele foi alvo de uma suspensão determinada pelo ministro do TSE Dias Toffoli. A decisão assinada em 30 de agosto foi revertida dois dias depois. Toffoli apontou que a chapa demorou 12 dias para informar seus perfis em redes sociais à Justiça Eleitoral, o que teria dado vantagem indevida nos algoritmos das plataformas às contas não declaradas. O episódio deu munição para Renan subir o tom nas críticas contra o STF (Supremo Tribunal Federal) e acusar Toffoli de censura. Antes e depois do episódio, Renan mirou o Supremo: defendeu afastar e prender ministros ligados ao caso Master, acusou-os de fazer negócios e disse que descumpriria decisão da corte que barrasse seu regime de exceção contra facções, uma de suas promessas de campanha. Na reta final do primeiro turno, o tribunal deu uma decisão favorável a Renan: o ministro Gilmar Mendes determinou que ele participasse do debate na Rede Globo, que acabou cancelado.
Em estreia do Miss�o, Renan Santos fez campanha marcada por ataques e discurso radical
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